Saído da casca
É bastante difícil a um escritor português ser traduzido; por mais que a sua língua seja uma das mais faladas do mundo, a verdade é que as editoras estrangeiras raramente têm leitores de português e, se não é muitas vezes um tradutor interessado num livro que o apresenta a um editor, nada se consegue. Se se trata de poesia, ainda é mais difícil, até pela tarefa incrível da tradução, mas a colectânea de poemas Mediterrâneo, de João Luís Barreto Guimarães, saiu da casca, furou o esquema e acaba de ser anunciada como finalista no prestigiado Prémio Literário Camaiori - Francesco Belluomini, em Itália na categoria de prémio internacional. Parabéns ao seu autor! Curiosamente, entre os cinco finalistas, encontra-se também um livro de um poeta espanhol que conheci no ano passado, José-María Micó, que entre outras coisas traduziu a Divina Comédia, de Dante, e toca guitarra acompanhando a magnífica voz de Marta, sua mulher. Em edições anteriores o Prémio Camaiori foi atribuído a Lawrence Ferlinghetti, Seamus Heaney, Nuno Júdice ou Evgueni Evtuchenko. Mediterrâneo recebeu em 2016 o Prémio Nacional de Poesia António Ramos Rosa.
Parabéns ao autor.
ResponderEliminarDele apenas conheço poemas dispersos. Contudo, tenho uma antologia de poesia contemporânea sobre gatos (Assinar a Pele, da Assírio & Alvim) organizada por ele.
Escusado será dizer que, sendo uma cat lover, gosto imenso deste livro, que aliás tem na capa uma belíssima pintura da Vieira da Silva.
⚘
Maria
Muito obrigado, Maria do Rosário!
ResponderEliminarPor uma questão de patriotismo, espero que seja o Barreto Guimarães a vencer, lá para Setembro, este prémio da comunidade de Camaiore, cujo patrono é Francesco Belluomini. De resto, não conheço qualquer dos autores finalistas, português, mexicano, espanhol, britânico e bósnio. É-me mais familiar o Mediterrâneo, que atravessei por mais de uma vez, por ar, como um passarinho.
ResponderEliminarConfesso a minha total ignorância tracejante sobre tais prémios, obras e autores, o que não tem qualquer significado dada a minha pequenez.
ResponderEliminarNo entanto congratulo-me pelos nossos vates ora distinguidos e os que venham a ser, pois dignifica as nossas letras, o país e a nós todos!
Votos de continuação do vosso trabalho, um abraço a todos cá da Cidade Morena!
Olá, Pacheco
EliminarAprecio a expressão "ignorância tracejante", assim como aquela que também utiliza - saudações tracejantes. Apenas conhecia o termo em balística ( a sua especialidade) utilizada para as munições como de bala tracejante, perfurante, explosiva, incendiária ou desintegrável.
De resto, espero que este prémio não seja de "pólvora seca" para o nosso representante - chamo-lhe assim, talvez abusivamente - uma vez que ser finalista não significa trazer a taça.
Saudações também tracejantes do planalto, de certa forma um pouco nublado e pouco adequado à época.
Uma lança em África. Parabéns ao autor.
ResponderEliminarPercebo bem! No meu caso pessoal, é ter a sorte incrível de conseguir eu traduzir as minhas obras para Inglês sem necessitar, portanto, de intermediação. Nem imagino o que possa ser ter de procurar bons tradutores que transmutem a especificidade do Português para a síntese do Inglês pois são duas línguas do mais díspar que há dentro das Indo-europeias.
ResponderEliminarExcelente post!