Pai

Hoje é Dia do Pai, e tenho muitas saudades do meu. Ao contrário de mim, que tenho tendência para a melancolia, o meu pai tinha um talento natural para a graça e um sentido de humor incrível. E possuía um manancial de histórias formidáveis para contar, que deveríamos ter gravado ou apontado enquanto era vivo, já que o mais provável é que se percam na nossa geração (os netos eram quase todos bastante pequenos quando ele morreu e alguns nem nascidos eram). Pois houve alguém (a editora Esfera dos Livros) que teve agora uma belíssima ideia e que, mesmo que o objectivo tenha sido apenas facturar à custa de filhos preguiçosos que não sabem o que oferecer ao pai neste dia, acertou na mouche. Criou um livro-caderno (sim, lá dentro as páginas são todas brancas), intitulado Pai, Conte-Me a Sua História, para que os filhos entrevistem os pais sobre a vida deles e registem as suas memórias, passando juntos momentos que de certeza não esquecerão. (As recordações do pai escritas pela mão do filho também podem ajudar os mais novos a melhorar a sua caligrafia, claro, uma vez que hoje a juventude se limita praticamente às teclas quando quer comunicar). Este é um bom presente para pai e filho que, mais tarde, pode vir a ser lido a netos e bisnetos, mantendo vivas as histórias da família.

Comentários

  1. Como filho não tive oportunidade de conhecer o meu! Faleceu quando eu tinha apenas 3 anos... Mas tenho uma mãe que vale por muitas!
    A ideia do livro com as páginas em branco acaba por ssr uma excelente ideia para mim, isto se existir na versão para a mãe!

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  2. António Luiz Pacheco19 de março de 2019 às 03:52

    Extraordinária idéia, essa do livrinho da história(s) do pai e de toda a família.
    Lá em casa sempre houve muitas histórias, nossas, de parentes, de satélites, empregados ou conhecidos e conhecidos de conhecidos, um manancial enorme talvez porque também somos dados a isso. Vão passando de avós para netos, quem já tenha participado numa reunião familiar nossa, sobretudo à mesa, terá ouvido uma quantidade de histórias que vão sendo recordadas a propósito de tudo e de nada.

    Creio que nós, portugueses, somos muito dados a isso, ou é impressão minha?

    Já agora e a propósito, falo aqui novamente no projecto Arquivo dos Diários, que se dedica justamente a reunir e a disponibilizar essas memórias caseiras, colectivas, familiares ou individuais, esparsas e que tantas vezes são uma riquíssima fonte de informação para investigadores, escritores, académicos…
    www.arquivodosdiarios.pt
    Vão lá ver, que vale a pena, vale a pena divulgar e usar.

    Saudações paternas cá da Cidade Morena!
    J

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  3. Bom dia. Amei muito meu pai, meu herói, professor de vida na reserva deste amor. Engraçado, meu marido às vezes se lhe fica constrangido, quando relembro a infância, adolescência ou mocidade. Se por um lado acho graça, o considero nunca ter experimentado quão pesada a mão ou a cinta de meu pai, por outro diz que se faz perdoar. Entendo o “extremismo” de acções em sendo referência de épocas passadas, mas é lamentável ser refém da brutalidade, em relação à meus irmãos, por ser mulher. Sim, eu acredito na capacidade de uma boa semente.

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  4. Lamento, mas a ideia não é nova.
    Existiu e ainda existe um livro lindo chamado 'EMBORA LÁ PAI'
    Perfeitamente adaptado à temática do dia de hoje.
    Os trabalhos de casa são para fazer !!!!!
    Zé Gonçalves

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    Respostas
    1. Penso que esse livro tem sugestões para programas pai-filho, mas não é um livro branco para os filhos apontarem episódios e histórias de família. Penso também que o livro que refere é claramente para crianças, enquanto este pode ser usado por pessoas de todas as idades que ainda tenham pai. Não é a mesma coisa, mas obrigada na mesma pela sugestão, pois muitos leitores aqui podem estar interessados nela.

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  5. Bom dia com alegria

    Com um telefone esperto e a nuvem, vamos poder fazer playback da nossa vida, como fazemos nas séries de TV com a box.

    Aqui, a oralidade ainda prevalece, embora sejam deliciosas algumas leituras passadas.

    Qb

    Boas leituras
    CP

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  6. Esta ideia do livro em branco não é inédita. Lembro-me que o Círculo de Leitores a lançou há anos (resisti a colocar "há anos atrás"), precisamente para que os "leitores", perante aquelas paredes em branco, decidissem a uma tentativa inicial para se tornarem escritores e as colorissem com palavras.
    O livro que a MRP indica como boa iniciativa - e é - , a par de um outro "Avó, conte-me a sua história", custa 7,65 euros, praticamente o preço de um livro impresso em capa mole, sendo que o da Avó é mais caro 1 euro, ainda que ambos tenham 160 páginas em branco. Possivelmente pensa-se que serão os pais e as avós a pagarem os livros, uma vez que o avô não é chamado à narrativa; pelo menos, aqui, não há distinção de género.
    Como eu sou um curioso por natureza, andei a googlar (como o Pacheco gosta de dizer) e encontrei "Vó, me conta a sua história?", com autoria de Elma van Vliet, editado no Brasil, com a particularidade de o neto o receber de volta preenchido. Nem sei qual a razão de a autoria ser atribuída à Elma, que vendeu 4 milhões de exemplares no mundo, uma vez que tradução segue de raiz, "lido" mesmo em mandarim e na língua dos bosquímanos, vizinhos do Pacheco.
    Ora, falando por mim, quem quiser escrever não precisa fazê-lo (estive tentado a desafiar e incomodar com o "não precisa de fazê-lo") com um livro em branco, estando ao dispor, nas livrarias e superfícies de toda a venda e mais alguma coisa, uns livros que se chamam diários gráficos (para texto e desenho), também com 160 páginas e encadernados "hardcover" capa dura, a preços que não chegam aos 6 euros com papel de gramagem de 110 gramas; assim sendo, de "gramagem", sempre é preferível comprar e "gramar" um livro sem texto do que pagar por um impresso e gramá-lo com patacoadas que são entediantes, mal escritas e pior escolhidas.
    De qualquer forma, como ideia, não sendo inédita, é de louvar.

    E lá vão os cumprimentos para todos desde esta Nave com sol e com temperatura entre os 10 e 11 graus a esta hora.

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  7. António Luiz Pacheco19 de março de 2019 às 07:35

    Bom, como é dia do pai, lembrei-me desta carta a meu pai, do cantor angolano Matias Damásio, que é uma canção belíssima e tão simples quanto tocante.

    Aqui fica então o meu presente a todos os Extraordinários, de quem me sinto um pouco pai e que também o são para mim!

    https://www.youtube.com/watch?v=HQEPs8GdxlE

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  8. É uma boa ideia.

    (e também escrevi sobre o meu pai, no meu blogue...)

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