Escolhas

Como sempre, os jornais de final de ano encheram as suas páginas de listas de livros, discos, peças de teatro, exposições, etc., classificando-os como os melhores de 2018. Fico sempre um pouco reticente com algumas das escolhas, sobretudo quando recaem sobre livros que já saíram há muito tempo e têm apenas uma nova edição (às vezes, com a tradução de sempre), ou pequenas obras de nicho (só para meia dúzia), ou até livros que não foram sequer traduzidos. Mas, pronto, que fazer? Eu própria não resisto a passá-las a pente fino, e a última que me veio parar à mão foi a do Centro Nacional de Cultura (CNC) que, na ficção, inclui vários livros e autores com os quais tenho bastantes afinidades e ligações: Memórias Secretas, de Mário Cláudio, por exemplo, que publiquei com muito gosto e constrói as memórias de heróis de BD; mas também os mais recentes romances de João Tordo e Djaimilia Pereira de Almeida (escritores de quem publiquei as obras de estreia); a obra completa de Maria Judite de Carvalho (uma grande senhora da nossa literatura que por acaso é também avó de uma querida amiga) e até o romancista principiante Rui Lage (com o livro O Invisível, que gira à roda do Pessoa e li numa versão anterior à que ganhou o Prémio Agustina Bessa-Luís). No ensaio, o primeiro lugar foi para um livro de Romero Magalhães sobre o Algarve no século XVI (o professor morreu há pouco mais de uma semana, nem sei se chegou a saber), seguindo-se-lhe o livro de Onésimo Teotónio de Almeida sobre a ciência na era dos Descobrimentos. Na poesia, deu-se primazia à obra completa de Ramos Rosa. O CNC fez uma lista de que gostei, para variar.

Comentários

  1. Não sabia que o CNC tinha um blog. Já lá fui espreitar. Tenho o do Mário Cláudio, o do Afonso Cruz e a trilogia da Maria Judite de Carvalho.
    E mais teria, se pudesse...
    Este ano, como de costume, lá comprei o Público e o Expresso, apenas para constatar que não li/vi/ouvi quase nada do que eles consideram the best of the year.
    Mas é mesmo só por curiosidade, gosto de ser eu a fazer as minhas próprias escolhas.
    ⚘
    Maria

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    1. E pode-se saber quais foram as suas escolhas?

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    2. Não saberia dizer-lhe, ainda que quisesse, pois deixei de ter tempo para fazer listas.
      E seria incapaz de dizer quais os 10 ou 20 melhores livros que li.
      E li bastantes, embora muito menos do que em anos anteriores. Privilegiei a poesia, os contos, os ensaios, as crónicas, as novelas gráficas (muito boas surpresas) em detrimento dos grandes romances, por razões de força maior.
      Boas leituras para 2019, caro Anónimo!
      ⚘
      Maria

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  2. Bom dia

    Não sou nada.
    Nunca serei nada.
    Não posso querer ser nada.
    À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

    Entre os quais
    Ler o mais que puder
    Mas com quinze mil livros editados por ano,
    Fora os lá de fora

    Seriam precisos uns vinte heterónimos
    Dando já de barato que leria apenas a vigésima parte
    Das obras publicadas
    Acompanhadas de chocolate... e metafísica, mas sem listas.

    Cordialmente
    CPedro

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    1. Bom dia.

      Uma das minhas "entradas" favoritas desse Senhor, para mim o maior de todos.

      Temos o mesmo dilema, caro (ou cara) CPedro, mas lá vamos lendo o que podemos, não é?
      E comendo um chocolatito de quando em vez...
      ⚘
      Maria

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  3. Eu não me posso medir com os Extraordinários em termos de leituras e conhecimentos literários, humildemente o confesso - já devem ter reparado...-, além do mais (capacidades intelectuais sofríveis, estudos académicos na área de letras inexistentes, etc....), porque, como sempre fui um melómano incorrigível, a dispersão é enorme, como poderão imaginar. E a música está sempre em primeiro lugar! Tenho até para mim que a grande literatura, e a poesia em particular, aspira sempre à condição de música... não concordam?
    Quanto aos "melhores do ano", li em tempos o "Tanta gente, Mariana" (em edição de bolso) da Maria Judite de Carvalho (muito bom) e tenho aqui na famigerada lista de espera o "Luanda..." da Djaimilia, para além de outros que foram consensuais entre os entendidos, como sejam Javier Marias, John Banville, Jennifer Egan,... Todos aguardam a sua vez, sabe Deus por quanto tempo...
    Um óptimo 2019!

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    1. Ora, ora, Jorge, para ler não é necessária nenhuma formação específica: basta saber ler e gostar de ler.
      E desses escritores que refere também eu gosto.
      E a música, como poderíamos viver sem ela?
      Feliz 2019, Jorge!
      ⚘
      Maria

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  4. Não vi lista nenhuma, quase nunca leio o que os outros lêem, mas vou lendo como posso e os livros que posso. Alimentam-me o espírito. Mas porque também tenho corpo, cujo se vai tornando caprichoso, há que alimentá-lo em cada vez mais múltiplas facetas (está pior que um caleidoscópio). Qualquer dia rifo-o ou deixo-o à míngua e gasto o dinheiro em livros. Sempre quero ver o que faz a seguir (é bem capaz de acontecer como ao burro do espanhol que morreu quando começava a dar lucro)

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  5. António Luiz Pacheco8 de janeiro de 2019 às 11:26

    Estou como a Bea… nem por isso leio o mesmo que a maioria lê.
    Não é por nada em especial, pois não tenho pejo em seguir tendências se me agradarem ou em ir na onda, de seguir os outros, mas como graças a Deus (ainda se pode usar esta expressão?), a diversidade literária é grande, aproveito para fazer as minhas escolhas que nem por isso coincidem com as referidas listas, nem premiações ou o que seja.

    Da supracitada lista, só conheço Mário Cláudio e Onésimo de Almeida. Mas fiquei com as orelhas no ar (esta acho que se pode usar…) quanto à Djaimilia! Vou investigar, a menos que me queiram fazer o favor de dizer algo mais sobre a autora e sua obra (de estreia?).

    Saudações enregeladas cá do Bairro Ribatejano!

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