Contra-sensos
Li um dia destes no Diário de Notícias que o primeiro livro de Hergé da série Tintim – Tintim no País dos Sovietes –, que até agora só existia na sua versão original, a preto e branco, vai ser finalmente colorido. Mas talvez o país dos Sovietes fosse mesmo um bocadinho cinzentão e as cores agora não respeitem esse mundo obscuro... Espero pela publicação para ver se pintar o livro não será um contra-senso; mas, por falar em Sovietes, lembrei-me de que recentemente o semanário Expresso começou a oferecer em pequenos fascículos uma biografia de Estaline da autoria de Simon Sebag Montefiore, biografia que já tinha sido publicada entre nós num único volume bastante gordo. Exclusivamente para a edição oferecida com o jornal, pediram um prefácio a Francisco Louçã, o que, estou convencida, enriquece a obra; porém, segundo o Manel, que já o leu, o prefaciador não poupa nas críticas à tradução do livro... Não será então um contra-senso oferecê-lo aos leitores tal como estava, não ter aproveitado os reparos para fazer uma boa revisão? É que, mesmo que algumas pessoas não dessem pela calamidade, ficam logo avisadas de que o que têm na mão vem com defeito...
Inteligência saloia, que infelizmente tantas vezes nos caracteriza...
ResponderEliminarOu saloia falta de senso?
O meu pensamento ao ler este post não esteve muito longe do que escreveu.
EliminarBom, um prefácio da biografia de Estaline feita por Louçã... deixará a desejar, porque o que eu li dele, "Os donos angolanos de Portugal", é um péssimo exercício de escrita e um mau trabalho de economia ou política ou o que quer que seja. Se um aluno dele lhe tivesse apresentado tal coisa, como trabalho a nota seria fraca, ou então deduzo que é ele que não é grande coisa como professor...
ResponderEliminarDaí as minhas reticências ao prefácio e mais pelas críticas, será ele competente para criticar a obra?
Francamente não percebo... quando há o José Pacheco Pereira que me parece ser muitíssimo mais competente para prefaciar e até avaliar a referida obra. E até me recordo de mais algumas figuras que são estudiosos da história moderna.
Fim da parte I da minha postação cá da Morena Cidade!
Postação II:
ResponderEliminarAgora sobre o Tintin:
Já foi há uns bons anos que se reeditou o Tintin no país dos sovietes, e se bem me recordo em versão colorida!
Mais, em nome do politicamente correcto (como odeio este conceito!!!!!) e para não ofender a esquerda que como sabemos é muito melindrosa e não gosta que lhe recordem o seu passado, nessa altura a versão original foi modificada, para não dar dos soviéticos a tal imagem que Hergé espelhou aquando fez o primeiro álbum.
O politicamente correcto muitas vezes tem o efeito perverso de alterar, branquear, obliterar... é uma hipocrisia! A literatura não pode nem deve pactuar com isso, nem o Mein Kampf pode ser alterado e nem as obras que denunciem à esquerda e à direita, do islão ao catolicismo, as maldades praticadas pelos homens, irónicamente em nome de ideais!
Saudações politicamente incorrectas cá da Cidade Morena!
Não creio que tenha razão quanto ao facto de o livro já ter sido publicado em versão a cores.
Eliminarhttp://www.dn.pt/artes/interior/o-livro-em-que-tintim-nasceu-finalmente-ganhou-cores-5604625.html
Posso não ter... pois claro, nem tenho a certeza.
EliminarComo disse, recordo a reedição e as alterações feitas em nome do politicamente correcto - lembro que até ao Lucky Luke substituíram a eterna beata por uma palhinha! - e CREIO que foi também colorida... mas evidentemente que posso estar errado , como aliás parece que sim!
Tenho na minha biblioteca tintinzal a edição a preto e branco.
Aceitem as minhas Extraordinárias desculpas pelo erro cometido!
Saudações culposas e humildes cá da Cidade Morena
Bolas, Pacheco, fui folhear a minha edição de 1981 de No País dos Sovietes (sem cores, para além do branco, que é a súmula de todas, e o preto, que é ausência delas) à procura das correções políticas, e não estou a ver a que se refere, sinceramente. Parece-me expressar a visão que eu imagino que Hergé teria sobre o País dos Sovietes, e que nem estaria muito longe da realidade. Isso - correção v. incorreção - não será psicose?
EliminarNão (enfim, psicose da minha parte não...) e tenho pena de estar longe de onde podia ir buscar informação, mas lembro-me da discussão do tema!
EliminarQuando? Não me recordo, mas creio que foi Vasco Granja quem o noticiou ou vi nalgum fanzine... a reedição desse álbum foi muito criticada. Não sei se foi na revista Tintin, no Pilote... já não me recordo, mas lembro bem as críticas ao Hergé e aos fins da propaganda anticomunista denunciados nessa altura, talvez anos 70 ...
Abraço
Os livros de oferta são, por vezes, uma desgraça. Lembro-me de "A quinta dos animais" que a revista Visão distribuiu gratuita nem sei porquê e onde o tradutor diz no início que aporteguesou os lugares. Mas começamos a ler e os portuguesismos são uma miséria que após umas duas ou três páginas ficam esquecidos e o que era em Portugal regressa às origens. E nem sei o que é pior. Mas inibe a vontade de ler (objectivo contrário ao que a revista pretende). E é um mau cartão de visita para o tradutor e revista. Para além da falta de respeito pelos leitores.
ResponderEliminarJá vou no III volume da biografia do Staline oferecida pelo Expresso e não notei até agora grandes erros que ponham em causa o essencial. Uma coisa que me intriga é que depois da razia dos Inimigos internos (ex-czaristas, trotskistas, alemães, polacos, etc) e da caça aos velhos bolcheviques, dos comissários políticos e da sua própria "entourage" como conseguiram levar de vencida os alemães é um enigma que talvez o Sebag Montefiore explique nos volumes que se seguem.
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