Talento desperdiçado
O meu amigo escritor e editor Adolfo García Ortega, residente em Madrid, manda-me regularmente coisas que publica na imprensa espanhola ou em sites dedicados ao nosso ofício. E começou de há dois meses a esta parte a fazer um Abecedário do Leitor realmente fascinante; chegada há uns dias a letra «B», fiquei deliciada com o que me contou sobre as irmãs Brontë. Ora vejam: Charlotte, autora do famosíssimo Jane Eyre e, segundo o meu amigo, a mais inteligente da família, morreu aos 39 anos. Emily, que escreveu o por tantos adorado Monte dos Vendavais – adaptado, de resto, ao cinema numa versão muito teatral –, morreu com 30 anos, deixando apenas esse romance de que ainda hoje se fala. A mais nova das três, Anne, morreu ainda mais cedo, com uns meros 29 anos, tendo escrito dois romances considerados bastante modernos para a época: Agnes Grey e The Tenant of Wildfell Hall. As Brontë constituem um raro exemplo de talento familiar (seria dos genes ou coincidência?) – e as suas obras passaram todas no teste do tempo. Agora imaginem: se todas tivessem vivido mais anos, que livros não poderiam ter-nos deixado?…
E se tivessem morrido à nascença, que perda teria sido para todos nós a da sua fugaz passagem pela vida... Cada um deixa o que lhe é permitido, mas também o melhor de si no tempo que lhe é reservado. Seguramente foi o que aconteceu com as irmãs Brontë. Saiba o Mundo valorizar o seu legado.
ResponderEliminarBom dia e boa semana.
E também há que lembrar o mano Branwell Brontë, poeta e pintor que morreu com apenas 31 anos - os Brontë eram todos talentosos, sem qualquer dúvida.
EliminarComo curiosidade, aqui há tempos fiquei perplexa com uma teoria que circula na net: John Lennon seria a reencarnação do Branwell Brontë - e até eram parecidos e tudo.
Para quem acredita e queira investigar...
Antonieta
Uma família de gente talentosa, cujas energias se reuniram neste plano terreno, precisamente para se realizarem através das suas artes.
Eliminar«O que faz a jóia rara é a sua escassez», poderíamos assim concluir relativamente à sua exígua criação, sabendo como sabemos também que mais do que a quantidade importa a qualidade. Um momento de genialidade, um simples acto de bravura ou de pura bondade pode justificar uma vida.
Não é o que não fazemos que fala de nós, mas precisamente o que fazemos, o que deixamos feito...
ResponderEliminarTudo leituras obrigatórias... Mas "Wuthering Heights" ficou como preferido.
ResponderEliminarUma reflexão interessante essa a do que poderia ser ou ter sido...
ResponderEliminarLembro-me daquela história, creio que contada por um grande escritor, já não me lembro onde a li ou ouvi, sobre o sacristão que foi dispensado pelo pároco por não saber ler e escrever... o homem saiu da sua aldeia e foi em busca de melhor sorte na cidade, onde fez fortuna nos negócios.
Muitos anos mais tarde, já riquíssimo e importante, alguém surpreendido pelo seu analfabetismo comentou o que poderia ele ter sido se soubesse ler e escrever, ao que ele retorquiu: Ora, teria sido sacristão lá na minha aldeia!
Saudações sacristas cá da Cidade Morena!
Caro Pacheco,
EliminarEssa história é tão boa, que ter sido verdade ou não, é um pormenor sem qualquer interesse! :)
Um abraço para si,
Rui Miguel Almeida
Muito bom!
Eliminar"Abecedário do Leitor" —só o título já me deixa água na boca. Irá ser publicado em Portugal?
ResponderEliminarAdolfo García Ortega —"O COMPRADOR DE ANIVERSÁRIOS" é um livro absolutamente imperdível!
"Vilette" por vezes parece ter sido esquecido.
ResponderEliminarÉ um grande romance que merece ser lido e relembrado.
Que bela prenda ! Que bom ler o abecedário do Ortega, que eu não sabia existir, e que vai na letra C. Li apenas umas entradas, mas já imprimi o texto completo para ler com calma e ir revisitando no futuro. Memórias e reflexões de um homem culto, escritas com elegância e humor. Vou procura o livro dele "O Comprador de Aniversários" recomendado por quem generosamente aqui partilha as suas descobertas literárias.
ResponderEliminarCara MRP, se bem entendi, "Abecedário do Leitor" poderá ser lido no blogue de AGO e não um livro publicado (ou a publicar). É; não é?
ResponderEliminarSim, que eu saiba só existe online.
EliminarOs humanos geniais provocam a inveja dos deuses que, com muita frequência, os chamam cedo para o seu convívio.
ResponderEliminarUma resposta que se pode dizer clássica, e, própria de um Extraordinário!
EliminarIncrível é estas informações sobre as irmãs Bronte serem tão grande novidade num blogue como este...
ResponderEliminarO anónimo acredita que hoje entrei numa biblioteca e olhei para aquelas prateleiras e pensei: mas eu não li nem 0,000000001% destes livros aqui expostos...
ResponderEliminarNão sabemos. Penso que por vezes quem morre cedo, ainda que não tenha a premonição da morte, vive a sua vida curta em esplendor, quero eu dizer, é como se haja nessas pessoas singulares uma urgência e pujança vital que as leva a fazer em pouco tempo o que muitos não conseguem com a longevidade. O tempo é e não é o mesmo para todos.
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