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Hoje em dia, os jornais em papel tornam-se frequentemente obsoletos; quando, a caminho do emprego, o rádio do carro dispara as notícias da manhã, já muitos dos textos publicados no Público que trago dentro do saco e acabei de comprar no quiosque da esquina estão ultrapassados, sobretudo se dizem respeito a países com grandes diferenças horárias em relação a Portugal. Claro que é sempre possível consultar a versão online e actualizar a informação – e foi, aliás, o que muita gente passou a fazer, razão pela qual cada vez se vendem cada vez menos exemplares dos jornais em papel. Deveria talvez ter-se apostado mais no jornalismo de investigação para o suporte papel – artigos de fundo escritos por pessoas interessantes que toda a gente quisesse ler; mas os tempos actuais têm outra velocidade e, pelo menos durante a semana, não é crível que alguém que trabalhe possa tirar tempo suficiente para dedicar à leitura de um texto desenvolvido sobre certa matéria. O resultado, porém, é triste: depois do anúncio de que o Diário de Notícias vai ter de vender o seu belo edifício na Avenida da Liberdade; depois da notícia de que os jornais Sol e i vão despedir grande parte do seu pessoal, agora vem a notícia de que o Público tem uma política de rescisões amigáveis que prevê cortes sérios no pessoal (repetindo, no fundo, o que já aconteceu há três anos). Um ano que acaba mal para o jornalismo.


 

Comentários

  1. Pensei nisso ontem.

    A única hipótese de os jornais sobreviverem é fazerem coisas diferentes (e melhores) e serem mais livres.

    Mas se a primeira parece ser possível, a segunda nem por isso...

    Boas Festas para Todos.

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  2. Simplesmente: o mundo está sempre em constante mudança!

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    1. ... tomando sempre novas qualidades.

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    2. Que está em constante mudança isso está, agora que tome sempre novas qualidades, disso já duvido.

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    3. Lá que toma sempre novas qualidades, lá isso toma.
      O que por vezes acontece é que as novas são piores que as anteriores.
      É preciso que estejamos atentos, para evitar - e disponíveis para corrigir, se não conseguimos evitar.

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  3. Lamento que o Público termine com a edição da revista domingueira "2", com belos textos. A aposta dos jornais em papel passa pelos artigos de reflexão, as opiniões... Porque as notícias da actualidade podem ser consultada na Net, com som e imagem. Além de que todos preferem ler apenas os títulos nos smartphones e daí expressarem as suas opiniões. Mas os títulos enganam muito.

    Um bom Natal para todos.

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    1. Olha que bem observado, e que verdade:
      -Além de que todos preferem ler apenas os títulos nos smartphones e daí expressarem as suas opiniões. Mas os títulos enganam muito

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  4. Se calhar era de apostar num daqueles jornais de distribuição gratuita (pagos pela publicidade), que – em vez das notícias que as pessoas entretanto já receberam e vão continuar a receber pela rádio, net , smartphone , etc – trouxesse os tais “artigos de fundo escritos por pessoas interessantes que toda a gente quisesse ler”.

    Tenho a impressão que muita gente levaria esse jornal consigo, não o deixaria abandonado no banco do metro no final da viagem – e, lá em casa (ou no emprego, às escondidas) leria nas calmas os textos alternativos à superabundância de notícias que nos desorienta.

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    1. lá em casa (ou no emprego, às escondidas) - conforme os patrões (os de lá em casa ou os do emprego)

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    2. De facto...
      Teria ficado melhor: "lá em casa ou no emprego (às escondidas)".

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  5. E a tiragem dos artigos de fundo escritos por pessoas interessantes que toda a gente quisesse ler, seria de 50... a menos que tivesse a história do homem que deu uma facada na vizinha

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  6. Despedem os jornalistas. E depois publicam notícias como uma que vi há dias que começava com algo como "Foi publicado noutro jornal que aconteceu X". Era a notícia da notícia.

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