Compras no estrangeiro
Uma vez fui a um festival de escritores nos arredores de Genebra, cujo país convidado era Portugal; e, numa manhã, Agustina Bessa-Luís convidou-me para a acompanhar, a ela e a Lídia Jorge, à cidade. Havia um outro poeta que estava interessado em ir connosco, Fernando Echevarría, mas a senhora do Norte tornou imediatamente claro que aquela excursão era apenas para mulheres. Pouco depois, percebi porquê: Agustina queria ir comprar, entre outras coisas, malas e sapatos (e até sabia onde ficavam as lojas que queria visitar e trazia os catálogos assinalados). Ao que parece, fazia-o sempre que se deslocava ao estrangeiro para festivais de escritores e contaram-me, a este respeito, uma história maravilhosa. Tendo sido convidada para um encontro de mulheres escritoras na Turquia, Agustina calhou numa mesa com uma palestiniana e uma israelita (além de uma outra portuguesa, que foi quem partilhou a história recentemente). Acontece que, na mesa em questão, os ânimos se inflamaram, e as escritoras da Palestina e de Israel, como era esperado, começaram uma discussão azeda que parecia não ter fim. Então, Agustina ter-se-á aproximado da sua conterrânea e ter-lhe-á sussurrado ao ouvido qualquer coisa como: «Ora bolas, e eu que só cá vim para comprar uns tapetes...»
Ahahah!
ResponderEliminarSó podia ser assim... o pragmatismo de uma inteligência que é de facto superior.
E o humor, claro... o sublimar dessa inteligência.
Saudações kaluandas
os livros de Agustina são [ para lá do romanesco, da cronica de costumes] verdadeiros tratados sobre o entendimento humano || estão repletos de pequenas frases que apenas as qualidades de um espirito muito dotado de cultura memoria subtileza poderia ditar | Agustina é, apesar de não se valer de um estilo exuberante, dentro e fora dos livros, de uma inteligência [feminina] sem par
ResponderEliminarNão pude deixar de sorrir quando li essa história em livro recentemente editado.
ResponderEliminarA Agustina, para além de ser uma grande, enorme escritora, é uma Senhora extremamente inteligente e com um extraordinário sentido de humor.
Antonieta
De táxi.
ResponderEliminarde paquete.
ResponderEliminar:)
Agustina não é uma das minhas escritoras preferidas, mas conheço-lhe a boa prosa. Segundo tenho lido, sempre gostou de compras. E tem sentido de humor. Li em algum lugar que por vezes se atrasava para as conferências por se perder nas compras. Não faço ideia se é verdade; e a sê-lo, se se perdia no literal de si mesma ou era mais um desbarato de compras que a fazia esquecer o tempo.
ResponderEliminarÉ engraçado verificar que os escritores são tão mortais quanto nós no que toca ao que não seja a profissão. A tal que tb os liberta a lei da morte.
.
"Ela por Ela"
ResponderEliminarAgustina Bessa-Luis | Maria João Seixas
|dvd 2006|
Soa mesmo a Agustina. :)
ResponderEliminarAhahah, o que eu gosto mais é do cão, que parece estar a pensar: estes humanos devem estar loucos!
ResponderEliminar:-)
Antonieta
Ups, este comentário não era para aqui...
Eliminar;-)
Antonieta
Seríamos tão tolerantes se, em vez da Agustina fosse, por exemplo, a Margarida Rebelo Pinto?
ResponderEliminar