Manuel António Pina (1943-2012)

A maior das penas. A maior das saudades. Que nunca se deixe de ler o que escreveu e lembrar a pessoa que foi.

Comentários

  1. Estou muito abalado com a notícia.

    Ainda mais porque soube que ele não chegou a ver a minha homenagem, a “Fábula dos sapos e dos melros”, que lhe enviei por mail no dia em que, afinal, foi internado no hospital.

    Sim, saudade. Gratidão, também.

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  2. Portugal a empobrecer com o que tem de melhor.
    Não tenho mais palavras.

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  3. Estou em choque! Não estava à espera de uma perda desta tão cedo. O que eu gostava das suas finas crónicas e da sua mestria no uso da nossa língua!

    Lamentável!

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  4. Corro o risco.

    Como digo acima, enviei-lhe uma mensagem no dia em que, afinal, ele tinha sido hospitalizado.

    Corro o risco de parecer pretensioso, por causa daquele meu mail que ele, portanto, não terá lido.

    Por outro lado, as mensagens pendentes eram uma sua preocupação. “Vê se há mensagens…”.

    E – que hei-de fazer? – este é um dos seus poemas que me marcou desde que se cruzou comigo.

    Por causa, por exemplo, desta parte: “(…) Senhor, permite que algo permaneça, / alguma palavra ou alguma lembrança, / que alguma coisa possa ter sido / de outra maneira, / não digo a morte, nem a vida, / mas alguma coisa mais insubstancial (…)”.

    Mas pelo seu todo.

    Tenho este poema guardado na pasta de ficheiros “Versos/ escolhidos a dedo”. É daí que, correndo o risco, o transcrevo.

    Porque é uma mensagem dele para nós, que não podemos correr o risco de deixar pendente.

    “Vê se há mensagens

    no gravador de chamadas;
    rega as roseiras;
    as chaves estão
    na mesa do telefone;
    traz o meu
    caderno de apontamentos
    (o de folhas
    sem linhas, as linhas distraem-me).
    Não digas nada
    a ninguém,
    o tempo, agora,
    é de poucas palavras,
    e de ainda menos sentido.
    Embora eu, pelos vistos,
    não tenha razão de queixa.
    Senhor, permite que algo permaneça,
    alguma palavra ou alguma lembrança,
    que alguma coisa possa ter sido
    de outra maneira,
    não digo a morte, nem a vida,
    mas alguma coisa mais insubstancial.
    Se não para que me deste os substantivos e os verbos,
    o medo e a esperança,
    a urze e o salgueiro,
    os meus heróis e os meus livros?
    Agora o meu coração
    está cheio de passos
    e de vozes falando baixo,
    de nomes passados
    lembrando-me onde
    as minhas palavras não chegam
    nem a minha vida
    Nem provavelmente o Adalat ou o Nitromint.”

    Manuel António Pina, Cuidados Intensivos (1994)

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  5. Como quem apresenta condolências a um amigo muito próximo, chego-me aqui para dizer que sinto muito, que estou muito triste.

    As palavras de Manuel António Pina para sempre viverão dentro de nós mas sabemos que não nascerão mais palavras puras das suas mãos e isso é tão triste.

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  6. Deposito aqui neste lugar extraordinário (que me desculpe a Rosário, que são tão extraordinárias as horas que passamos a ler como as que passamos a escrever) um simples abraço ao Manuel António Pina.

    O RETORNO DA POMBA

    E aos 3 dias retornaste.
    Como um pássaro engaiolado
    Que voou para longe do lugar
    Que lhe enfraquecia os músculos,
    E enegrecia as penas.
    Doravante
    Construirei um lugar bonito
    A que chamarei pombal,
    Mesmo que a pomba branca
    Que me deste
    Esteja descolorida
    E magra,
    Incapaz da simplicidade
    De um gesto tão banal
    Como debicar
    Um minúsculo
    Gole de água.
    E ao terceiro dia retornaste
    Ainda batia eu
    O último prego
    Do beiral
    Onde repousas.

    Não me preocupa a morte, porque o Pina não morreu: está apenas em parte incerta!

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  7. António Jacinto Pascoal20 de outubro de 2012 às 11:39

    Mas é tempo de falares
    tu, livro. Eu tenho dito.

    Os Livros, MAP

    Todas as coisas que a casa guardou quando partiste não me pertenceram

    O canto do Vento nos Ciprestes, MRP

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  8. Naquele rectângulo pequeno versava acerca das nossas almas, dos nossos erros e enganos. Às vezes enfurecia-me, outras fazia-me rir, outras ainda deixava-me a pensar.
    Fui para o ver em Viana do Castelo... não apareceu, já então me apercebi que a sua saúde era periclitante... tal como o nosso país, este pequeno rectângulo... cheio de enganos... de nós górdios que temos de desatar ou cortar.

    Estou triste porque ele já não me fará enfurecer...
    já não me fará rir.

    Mas todas as morte fazem pensar...

    Deixo aqui as minhas saudades de um encontro que nunca aconteceu para nos falar da sua poesia e obra... para o ouvir desentrelaçar-nos a sua ironia que, bem haja!... nunca me foi indiferente.

    Admiro-te António Pina...

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