Amanhã

Para os leitores deste blogue que gostam de poesia e me pedem que, uma vez por outra, aqui deixe um poema, informo que amanhã estarei no Instituto Cervantes com a autora espanhola Menchu Gutiérrez (poeta e romancista) para uma leitura poética, seguida de conversa com o público, ao longo de cerca de uma hora. A sessão começará às 18h30 e a entrada é livre.

Comentários

  1. Eu vou! Só ainda não escolhi a farpela a envergar. Confesso que estou inclinado para um casual-chic ou guetto-glamour.

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  2. Esqueci-me de dizer que isso é capaz de ser o post mais perguiçoso da história dos blogs... E que tal alguma informação sobre a escritora ou um poema para fazer subir as expectativas?

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  3. Enlouquecidos seriam os homens
    se no apagar da memória
    fosse miserável a derrota da língua

    floresça, oh desejo
    e valei-nos de bom grado
    posto que a natureza é serva da modéstia

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    1. Oh Cláudia, isso nem sequer rima! Vamos lá a ter tento na cabeça, poesia que não rima é um pavão com patas de peru! Assim de repente vem-me à ideia um dos mais paradoxais versos do universo: No monte do tio Gualtér ... no monte do tio Gualtér ... mataram uma mulhér. . com dois tiros de revolvér ! Repare-se como o proficiente autor se socorre de uma artística acentuação ficcional de forma a enfatizar a terrível tragédia que ocorreu no monte do tio Gualter ! Onde fica a propriedade? Ninguém sabe! Qual o pecado cometido pela mulher? Adivinhem vocezes ! A marca do revolver? Provavelmente Smith and Wesson , que é estrangeiro e dorme bem no ouvido. Cumularíamos a desventurada de ternas manifestações de genuína preocupação, como sem dúvida todos o fazemos enquanto eu aqui escrevo, caso o estuporado relato não rimasse? Com certeza que não. Este é pois, o poder da rima, o esbugalhar do significado.

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    2. Não conheço você
      que tam pouco conhece-me
      apenas conhece-nos a distância
      e que deixa-nos iguais

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    3. É certo que a Cláudia, por vezes, escreve só para ela. É certo que o Courinha de tolo nada tem. Mas que há bela poesia sem rima, os tais versos brancos, também há. Não é o caso. A Natureza não é serva de nada nem de ninguém.

      Tome lá, Courinha, se é para rimar "nós rima":

      Sumptuoso o Pavão
      Pretendeu poeta ser
      Faltava-lhe inspiração
      E não sabia escrever

      Poeta era o Peru
      Suas duas patas cantava
      A uma pulava-lhe ao cu
      A outra era sua escrava

      Entre os dois vivia a disputa
      Qual teria o melhor português?
      O Pavão saiu da luta
      E foi escrever em birmanês

      2ª versão para a última quadra:

      Dizia então o Peru:
      Ó Pavão não se diz puta
      Se eu fosse como tu
      Mudaria de conduta

      ...

      ::))


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    4. Quem rima assim não é parvo!

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    5. Nem sempre compreendo onde quer chegar a Cláudia, mas por vezes gosto: "Enlouquecidos seriam os homens se no apagar da memória fosse miserável a derrota da língua" soa-me perfeitamente bem.

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  4. Vou tentar amanhã ir ao Instituto Cervantes para te ouvir e tb. à autora espanhola , mas este meu comentário era sobre o Very British para te dizer que, às 2ª feiras, na RTP 2, pelas 22.40h , dá uma série da BBC que acho muito boa : Romanticos Desesperados ( desperate romantics) experimenta dar uma vista de olhos na 2ª que vem ,se puderes. Um abraço

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  5. Humildes são os pássaros de seu cantar!
    ter asas é aprender à voar
    ter espírito é aprender à alar
    ter surpresas é aprender à acreditar
    ter visitas é aprender à convidar
    ter convites é aprender à servir
    ter serventia é aprender humildar.

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    1. Ou como dizia o outro, toma lá e vai-te curar!

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    2. E que tal se curasse essa crase?

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    3. lus it a nia - a partir das coisas certas

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    4. Boa questão, que também me baralha. Porquê "aprender à alar"? Será assim no Brasil? Quanto à (aqui sim!) pronúncia, não duvido, mas nos versos não me parece ocorrer crase. Mera curiosidade minha, sem acinte transatlântico no qual não embarco.

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  6. A MARIA E A ESPANHOLA OU DAR E RECEBER: Digo espanhola sem desprestigio e Maria com afeição. Foi com deleite que assisti a um terno combate entre naturezas que me pareceram tão distintas quanto seria possível conceber. Entrei atrasado, uma bonita senhora gentilmente mostrou-me onde ficava a última cadeira vazia da sala. A apresentar estava o Zorro, apiedei-me. O herói latino, falava com uma guita impressionante, tecia todo o tipo de considerações de valor, para a seguir se desculpar e voltar a tecer, mais um pouco, mais um vaticínio, nova adivinhação das almas. Alheio ao valor de um bom corte de cabelo, devedor de um longo rabo de cavalo à década de oitenta, insistia em proferir Maria do Rosário... Pedreira, com uma pausa, que me parecia de horas, entre os dois últimos nomes. As autoras começaram a ler e eu a comparar. A Portuguesa escrevia para ela e para os seus, a Menchu debatia-se por reconhecimento, esforçava-se com todos os olhos, com todos os pêndulos, com todos os faróis para mostrar a sua estranha genialidade. A Maria dava com a mesma alegria com que a outra recebia. Dava pão e afecto e fado e desgosto e nomes de família. A escrita portuguesa era adulta, firme, bonita, a espanhola era imatura, rocambolesca e original. No final o público falou. Uma rechonchuda senhora perguntou que livros levariam as escritoras para uma ilha deserta, a nossa respondeu que levaria um livro de prosa complexa, uma obra de múltiplos significados, de longa duração, de duração superior a uma obra de poesia. Foi honesta, esqueceu-se que o público é um bicho ávido de atenção na mesma medida em que a Menchu é ávida de reconhecimento. Indignaram-se com a "mais curta" duração de uma obra de poesia, eu fui-me embora, contente com uma tarde bem passada.

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    1. Não sei se comente aqui ou no do meu homónimo ... mas ó J. Courinha , olhe que ainda o convidam para assinar uma coluna aí num suplemento cultural (de cultura e não de culturas)
      E não digo isto por troça, não, você tem a grande vantagem de usar lugares incomuns!

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    2. Sim, João, também achei que foi tudo isso. (E mais aquilo que as suas palavras trouxeram.) Um bom resumo, com afecto e ainda assim alguma distância, com sentido de rigor e um pouco de opinião. A poesia da Rosário já conheço (conheci-a até primeiro que à poeta), a Menchu foi uma surpresa, um farol (em tantos sentidos). Gostei da ideia de tentar perceber a tenção que liga uma letra a outra, ou uma palavra à próxima (mais que forças físicas, mais que o esforço da língua, mais que o que é comum e vulgar), a ideia do estranho também a absorvi.
      M.

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    3. Oh camarada Pacheco, não me diga que acha que cá em Portugal ainda precisamos de mais uma parvo com a mania que é perito em tudo? Isto no nosso país atiramos uma pedra e há grandes probabilidades de partirmos um dente a um comentador. Eu gosto é de contar histórias! Um abraço

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    4. Ora por isso mesmo! Precisamos de menos comentadores e que sejam menos parvos!

      Bom fim de semana

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  7. Detesto quando o blog se transforma num debate sem moderador
    Bah
    :(

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