Pagar bilhete
Há encontros de escritores que são feiras de vaidades, onde falsos génios deambulam de nariz arrebitado e não existem conversas que não sejam maledicentes. Há outros, demasiado profissionais, nos quais impera o academismo em excesso – e daí ao bocejo é um instantinho. Há ainda aqueles em que nos divertimos muito e ouvimos histórias que nos transformam. Mas, em qualquer encontro de escritores, há pessoas que valem a pena e nos fariam pagar bilhete só para privar com elas alguns minutos e as ouvir falar das coisas mais comezinhas. Não há muito tive um desses momentos de prazer com aquele que julgo o maior nome da cultura portuguesa – esse mesmo em que estão a pensar. Acordáramos ambos preocupados com o que se estava a passar na Líbia e, juntos, corremos à papelaria em busca de um jornal. Como já não havia aquele que compraríamos num dia normal, eu acabei por desistir (pensando que, mais tarde, recorreria à Internet para me pôr em dia), mas ele aceitou levar um outro, de que a papelaria ainda dispunha. Sentámo-nos depois num sofá lado a lado – e ele foi folheando com calma e comentando as notícias até chegar àquelas páginas de anúncios muito sugestivos, que não só oferecem serviços óbvios, como ainda os ilustram com ligas, nádegas, seios e outra iconografia do tipo. Olhou para mim e disse-me: “Já viu? Este é o maior bordel portátil da Europa!” Genial, como sempre.
Realmente, uma espécie de Pordata da luxúria!
ResponderEliminarE já agora me pergunto, como deverá sentir-se quem tenha pretensões a ser fazedor de opinião? Se apresente como consciência pública oficial e tenha no mesmo jornal onde espelha essa sua virtude, de partilhar espaço com tal publicidade?
Não que eu seja puritano, mas acho que cada coisa no seu lugar... enfim será a prostituição total? Ou o preço do papel - literalmente?
Agora ele sabe que é "o maior nome da cultura portuguesa" mas nós não. Não é justo.
ResponderEliminarNão seria possível acrescentar as iniciais do nome do maior nome da cultura portuguesa, porque quando li não pensei em quem seria...
ResponderEliminarEu li e pensei logo numa pessoa. Achei que não haveria dúvidas. Mas, agora, isto tornou-se engraçado.
ResponderEliminarnão faço a mínima ideia de quem seja
ResponderEliminarOu me engano muito ou é o Eduardo Lourenço. Quem mais podia ser?
ResponderEliminarBem, penso que podemos confiar na opinião de quem também lá esteve...
ResponderEliminarum singelo comentário, apenas para ajudar a clarificar de uma vez por todas esta divertida questão:
ResponderEliminaro citado "maior nome da cultura portuguesa"... pois bem, não sou eu.
Ena! Acordaram todos... ah!ah!ah !
ResponderEliminarTerá sido do discurso do Cavaco?
Bom, duas coisas lhes garanto:
1ª- Não faço a menor idéia de quem seja!
2ª - Foi provocação involuntária, mas mais ou menos maldosa... eh!eh!eh ! Imaginei que ia dar agitação, e afinal temos de nos agitar!
A luta é alegria... Ah!ah!ah!
Desculpem-me todos e em particular a Drª Maria do Rosário... isto foi o Carnaval.