Pagar bilhete

Há encontros de escritores que são feiras de vaidades, onde falsos génios deambulam de nariz arrebitado e não existem conversas que não sejam maledicentes. Há outros, demasiado profissionais, nos quais impera o academismo em excesso – e daí ao bocejo é um instantinho. Há ainda aqueles em que nos divertimos muito e ouvimos histórias que nos transformam. Mas, em qualquer encontro de escritores, há pessoas que valem a pena e nos fariam pagar bilhete só para privar com elas alguns minutos e as ouvir falar das coisas mais comezinhas. Não há muito tive um desses momentos de prazer com aquele que julgo o maior nome da cultura portuguesa – esse mesmo em que estão a pensar. Acordáramos ambos preocupados com o que se estava a passar na Líbia e, juntos, corremos à papelaria em busca de um jornal. Como já não havia aquele que compraríamos num dia normal, eu acabei por desistir (pensando que, mais tarde, recorreria à Internet para me pôr em dia), mas ele aceitou levar um outro, de que a papelaria ainda dispunha. Sentámo-nos depois num sofá lado a lado – e ele foi folheando com calma e comentando as notícias até chegar àquelas páginas de anúncios muito sugestivos, que não só oferecem serviços óbvios, como ainda os ilustram com ligas, nádegas, seios e outra iconografia do tipo. Olhou para mim e disse-me: “Já viu? Este é o maior bordel portátil da Europa!” Genial, como sempre.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco9 de março de 2011 às 01:42

    Realmente, uma espécie de Pordata da luxúria!

    E já agora me pergunto, como deverá sentir-se quem tenha pretensões a ser fazedor de opinião? Se apresente como consciência pública oficial e tenha no mesmo jornal onde espelha essa sua virtude, de partilhar espaço com tal publicidade?

    Não que eu seja puritano, mas acho que cada coisa no seu lugar... enfim será a prostituição total? Ou o preço do papel - literalmente?

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  2. Agora ele sabe que é "o maior nome da cultura portuguesa" mas nós não. Não é justo.

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  3. Não seria possível acrescentar as iniciais do nome do maior nome da cultura portuguesa, porque quando li não pensei em quem seria...

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  4. Eu li e pensei logo numa pessoa. Achei que não haveria dúvidas. Mas, agora, isto tornou-se engraçado.

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  5. não faço a mínima ideia de quem seja

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  6. Manuel Alberto Valente10 de março de 2011 às 03:25

    Ou me engano muito ou é o Eduardo Lourenço. Quem mais podia ser?

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  7. Bem, penso que podemos confiar na opinião de quem também lá esteve...

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  8. um singelo comentário, apenas para ajudar a clarificar de uma vez por todas esta divertida questão:
    o citado "maior nome da cultura portuguesa"... pois bem, não sou eu.

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  9. António Luiz Pacheco10 de março de 2011 às 05:56

    Ena! Acordaram todos... ah!ah!ah !
    Terá sido do discurso do Cavaco?

    Bom, duas coisas lhes garanto:

    1ª- Não faço a menor idéia de quem seja!
    2ª - Foi provocação involuntária, mas mais ou menos maldosa... eh!eh!eh ! Imaginei que ia dar agitação, e afinal temos de nos agitar!

    A luta é alegria... Ah!ah!ah!

    Desculpem-me todos e em particular a Drª Maria do Rosário... isto foi o Carnaval.

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