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A mostrar mensagens de novembro, 2026

Bibliotecas nocturas

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O meu irmão deu aulas por duas vezes na Brown University, nos Estados Unidos, e dizia que, ao contrário do que acontecia em Portugal, os estudantes não saíam  à noite, sobretudo durante a semana, porque não podiam de modo algum correr o risco de chumbar nos exames, já que a educação superior era caríssima e os que estudavam com bolsa não a podiam de modo nenhum perder por faltas ou más notas. Lembro-me de uma das minhas sobrinhas, que estudou Direito, ir estudar à noite para a biblioteca da sua universidade, que se mantinha aberta noite fora, e não sei se isso acontece noutras universidades do País. Mas li com surpresa o anúncio de que a Biblioteca do Palácio Galveias, sita no campo Pequeno em Lisboa, vai passar a ter três salas abertas até às 00h00, horário pensado especialmente para os estudantes que precisam de prolongar o seu dia de estudo depois de jantar ou para aqueles que tendo trabalhado até ao fim da tarde têm finalmente tempo para as suas pesquisas e leituras. Saúdo esta iniciativa e divulgo-a para quem precisar de um poiso. E, se o frio apertar e os sem-abrigo quiserem começar a ler para se acoitarem, pode ser que se tornem leitores, nunca se sabe.


 

O que ando a ler

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Uma das maiores escritoras de ficção literária da América Latina, Samanta  Schweblin, é contista. Penso que, até agora, a autora argentina escreveu apenas dois romances (Distância de Segurança, finalista do International Booker Prize, e Kentukis), mas foi curiosamente com os seus incríveis livros de contos que ganhou os principais prémios e distinções:  Pássaros na Boca, com que se estreou, ganhou o Prémio Casa das Américas; Sete Casas Vazias (de que já aqui falei) ganhou o National Book Award na categoria de Literatura Traduzida; e no ano passado o seu livro de narrativas curtas O Bom Mal, que estou a ler neste momento, valeu-lhe um prémio chorudo, de um milhão de euros (a primeira edição do prémio Aena para literatura hispano-americana), sobrepondo-se a dezenas de romances. O livro abre com um conto realmente único sobre uma mulher que pensa acabar com a vida, e tem várias histórias profundamente originais, como a de uma escritora que gosta mais do gato do que do marido, a de um menino que não fala e fica perdido numa estação de serviço a meio de uma auto-estrada, ou ainda a de duas irmãs de dez e treze anos que cuidam de uma poeta deprimida durante um Verão com consequências tremendas. A escrita não é especialmente trabalhada, mas como sempre as personagens são fortes e perturbadoras, e o enredo muito imaginativo, mantendo-nos agarrados a cada página desta excepcional colectânea, elogiada pelo grande Vila-Matas, que acaba de ganhar o Prémio das Letras de Espanha. E agora vou para a última narrativa.