Sem o Artur

Há colaboradores que fazem parte da nossa vida, sobretudo aqueles que começaram a trabalhar para nós no início da nossa carreira e continuaram até ao presente. Este foi o caso de um casal de tradutores, a Cristina Rodríguez e o Artur Guerra, que julgo ter conhecido quando ainda trabalhava na Gradiva e também pela tradução de um romance de Gonzalo Torrente Ballester, Filomeno, há muito publicado na Dom Quixote. Depois, já na Temas de Debates, pude contar com a sua ajuda em muitos trabalhos e acabámos por tornar-nos mais próximos. O Artur, que também era professor, chegou a convidar-me a ir falar com alunos seus a uma escola próxima de Sesimbra. Quando comecei a trabalhar mais com autores portugueses, acabámos por ver-nos menos, mas continuei a ler sempre as suas traduções, até porque lhes devemos terem vertido para português obras de Camilo José Cela, Borges, Montalbán, Bolaño, Rosa Montero, Sepúlveda e muitos outros. Pois bem: o Artur estava doente já há bastante tempo e deixou-nos há uma semana. Tenho mesmo pena, porque, além de tudo, era uma pessoa excelente e muito delicada. Quero agradecer-lhe publicamente o seu trabalho e a sua amizade. Quero mandar um grande abraço à sua companheira de vida e trabalho, a Cristina, que agora trabalhará mais sozinha, mas que espero que continue a trabalhar, porque precisamos dela. Obrigada, Artur, por tantos trabalhos notáveis.


 

Comentários

  1. Isto de comentar aqui por vezes torna-se complicado, temos de andar às voltas até perceber o que é que esta coisa quer... enfim!

    Lamento, não conhecia o Artur mas foi um dos nossos e portanto está nos meus sentimentos.
    As pessoas assim fazem-nos falta, sem dúvida.
    Um tradutor é alguém precioso, na minha opinião de leitor.
    Triste é, à medida que envelhecemos, vermos partir cada vez mais pessoas que nos fazem falta ou fazem parte do nosso Mundo.
    Enfim, é vida, um dia destes serei eu... não sei quando, mas é garantido que vai acontecer.

    Votos de uma Extraordinária semana e saudações cá da Cidade Morena.

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  2. Tenho cá o Filomeno, foi o primeiro livro que li de Gonzalo Torrente Ballester e fiquei cliente.
    Conheço bem esta dupla de excelentes tradutores e lamento que um deles tenha partido.
    Irei reler Filomeno.
    Será a minha pequena homenagem a Artur Guerra.
    Bom dia!🌻

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    1. Adenda:
      Consegui comentar neste novo formato, mas foi às 12,39h e não às 04,39h😉

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  3. Deixe lá, eu foi às 3.24... Extraordinário! Ahahah!

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