Poetas e poesia

Reparo que, ao contrário do que acontece em muitos outros países (sobretudo no Reino Unido e nos Estados Unidos), em Portugal a poesia aparece muitas vezes na categoria de ficção. Ora, muita da poesia pode ser também ficção, é um facto, mas eu apostaria que a maioria não o é. Além disso, também há romances que não são ficções, baseando-se em histórias completamente verdadeiras. Até me lembro de As Cinzas de Ângela, que foi um êxito nos anos 1990, ser considerado não-ficção nos EUA porque se baseava na vida do autor e em Portugal ser classificado como romance. Contudo, vários jornais e revistas, ao publicarem semanalmente as listas dos títulos mais vendidos, parece que apenas separam a ficção da não-ficção, como se não houvesse mais categorias (a poesia, o teatro, a correspondência...). Também é esquisito que essas publicações nem sempre considerem os poetas escritores. Quantas vezes vejo em legendas frases do género: Fulano de tal é poeta e escritor... Ora, a escrita de poemas não faz dos autores escritores porquê? Só são escritores os ficcionistas? Mas então porque metem a poesia na categoria de ficção quando fazem aquelas listas dos melhores do ano?

Comentários

  1. Há coisas que quase nem vale a pena tentar entender!
    Quase...
    Para mim, e me incluo nelas, é mesmo desinformação e portanto ignorância. Lamentável ser difundida por quem deveria ter cultura e portanto defendê-la.
    Eu, sou ignorante nestes temas, porém compreendo perfeitamente o que diz, porque paralelamente quando leio/oiço tanta coisa de temas da minha especialidade expressas por quem não sabe mas tem audiência, sinto o mesmo! Ás vezes até me causam agasturas... no entanto persistem e são repetidas. Devem lembrar-se por exemplo, da famosa frase de que as barragens evaporam a água, proferida por uma política com formação em teatro a comentar um assunto de interesse nacional da área da hidráulica. E dito com a convicção encenada de quem diz algo sábio!
    São coisas que todos fazemos inconscientemente, só notadas por quem sabe, como é o caso presente.
    Diz muito bem que o poeta é um escritor. Lembro a polémica do Nobel atribuído a Bob Dylan, sendo eu dos que o entendem como justo. Os poetas/letristas são escritores, Carlos T escreve histórias nas suas letras, como Fausto, Sérgio Godinho, Jorge Palma ou escreveram António Gedeão, Luiz de Camões.
    Dentro da literatura há géneros, tenho a noção embora não o conhecimento de um académico ou profissional, nem nunca estudei a fundo o assunto, porém tenho a sensibilidade ou intuição para ter a minha biblioteca organizada e separada por temas, à minha maneira pois outro conhecimento não tenho, com os livros nas respectivas estantes e prateleiras, também num catálogo que me os localiza precisamente desse modo: tema - título e autor - número de ordem - prateleira - estante.
    Poderão dizer que é preciosismo ou mesmo tontice, porém em 5.000 volumes, jamais encontraria o que pretendo se assim não fosse.
    Sinceramente, acho muitíssimo interessante este tema de hoje, só tenho pena de não o poder aprofundar e poder melhor identificar os géneros de uma forma menos simplista que poesia-ficção- ensaio... como parece ser o mais corrente.

    Saudações livrescas cá da Cidade Morena.

    Nota: Outro dia noticiei a Feira do Livro em Benguela. Desilusão total... era uma exposição de livros de auto-ajuda e pseudo-manuais técnicos sobretudo dedicados ao direito e polítca. Na terra de Pepetela e Ernesto Lara, é de uma tristeza absoluta a não presença de escritores ou autores angolanos dignos desse nome. No entanto cá, como aí, a propaganda impera...
    Tal tristeza, como se diz na Terceira!

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  2. E quantas e quantas vezes (milhões de vezes?) vemos escrito assim : a poesia e a literatura ...

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