Os Poemas de António
Quando entrei na LeYa, há cerca de quinze anos, António Lobo Antunes ainda era uma visita regular e aparecia sempre que saía um dos seus livros para autografar exemplares para a comunicação social. Sentava-se rodeado de caixotes numa salinha com o meu colega da comunicação e, enquanto dava ao dedo com as assinaturas, parece que ia recitando poemas que sabia surpreendentemente de cor, de várias épocas e línguas e de autores variados. Era um grande leitor de poesia, género a que se atrevia de vez em quando, embora sem lhe atribuir a importância que dava à ficção de que era autor. Mas algumas dessas tentativas poéticas despretensiosas acabaram por valorizar-se em fados cantados por Kátia Guerreiro, Vitorino e outros, ou em textos cheios de humor como aquele que fala dos homens quando estão doentes. A Dom Quixote, com a ajuda da família, resolveu publicar estes poemas e versos de António Lobo Antunes para o homenagear na Feira do Livro deste ano e o pequeno volume de capa vermelhinha chamado apenas Livro de Poemas (título que consta apenas da contracapa) está aí. Se não conhece esta faceta do génio, leve e divertida, atreva-se e não se arrependerá.

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