Lembrar Persépolis
Como provavelmente muitos dos leitores deste blogue, conheci Marjane Satrapi através de um maravilhoso romance gráfico da sua autoria chamado Persépolis. Era um livro que contava a sua vida no Irão durante a infância e a adolescêndia e os constrangimentos criados pelo regime dos aiatolas que tomou conta do país quando ela tinha apenas dez anos e que era, em tudo, diferente daquele que a sua mãe vivera. As mulheres da sua família, que eram cultas, tiveram de se reduzir à sua insignificância e pôr o véu obrigatório na cabeça; e muitas das colegas de escola de Marjane deixaram simplesmente de estudar. A parte mais “engraçada” era quando Marjane comprava discos dos seus ídolos no mercado negro, que então estavam proibidos. A obra deu lugar a um filme co-realizado pela própria Satrapi que venceu o Prémio do Júri do Festival de Cannes em 2007 e foi candidato aos óscares. Satrapi já estava então exilada em França, onde continuou a trabalhar em cinema. Foi, de resto, em Paris que morreu no início deste mês, ao que anunciaram, de tristeza, por ter perdido há pouco o seu companheiro e nunca mais ter recuperado do desgosto. E, para a lembrar e homenagear, o seu filme Persépolis estará de volta aos cinemas portugueses a partir de dia 16, numa nova versão restaurada. Consulte a agenda e veja este filme.

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