Babell
Há muitas razões para não se simpatizar com certas pessoas e empresas, e já sabemos que em Portugal somos peritos em detestar quem tem dinheiro e quem tem sucesso. Não surpreende, por isso, que ao primeiro desaire do festival Babell (o atraso do conferencista inaugural e a falta de auriculares para todos os membros do público ouvirem a tradução simultânea), caísse tudo em cima a martirizar os responsáveis. Foi chato, calculo, ficar duas horas ao sol à espera da vedeta (apesar de a organização do festival ter oferecido chapéus, no que esteve bem); e, segundo percebi, pior foi não se ter apercebido logo de que o alemão seria a língua de comunicação da estrela do Oriente e usar a IA para a tradução, o que provocou risadas em certos casos. Porém, sendo a primeira vez de um festival destas proporções, vá lá, podiam perdoar estas falhas, tanto mais que, ao que leio por todo o lado, o resto foi um absoluto sucesso e encheu as medidas de todos os que puderam assistir às conversas de grandes escritores (e não tão grandes, mas igualmente interessantes). Eu, que não fui a nada porque me encontrava de férias, mas já estive na organização do evento de Portugal como país convidado na Feira do Livro de Frankfurt em 1997, sob a batuta de António Mega Ferreira, sei bem que no melhor pano cai a nódoa – e lembro-me de o microfone ter pifado ao ministro da Cultura no discurso de abertura e de um importante painel pintado do pavilhão de Portugal ter ido para o lixo na véspera da montagem porque os Portugueses o deixaram pousado num corredor, e veio o bate-escove-aspira alemão de madrugada, que com a sua sanha organizadora não distinguiu aquilo de um resto qualquer de cartolina fora do lugar. Enfim, o que quero dizer é que errar é humano, que sem erros não se aprende nada, e que ainda bem que se fazem festivais assim, com escritores que contam, pois de outro modo só uma meia dúzia de afortunados poderia ouvir o tanto que têm para nos dizer. Parabéns, Babell! Os mesmos que criticaram ainda vão pedir que regresses...
Apoiado! Quem faz é sempre criticado, é fatal e é nacional... mas temos o ditado que refere os cães ladrarem mas a caravana passa!
ResponderEliminarSaudações cá da Cidade Morena, faça-se, acrescento eu.
Também não estive lá. Mas gosto do Porto cidade, acho que tem espírito. E parece que correu bastante bem e foi um evento como não se faz em Portugal (não com tanta gente). A Fundação Lello ( será este o nome, e quem será essa entidade para mim abstracta?!) conseguiu os seus propósitos, pôs os autores (alguns dos ditos grandes) a conversarem entre si, directamente para os ouvidos de milhares de pessoas. É mérito. A ideia da compra de um livro como senha de entrada também não destoa. Mas do que gostei mesmo foi de ver a Lello ao pormenor no programa "E agora?" de Nuno Artur Silva. Que me desculpem os ditos milhares que estiveram ao vivo a ouvir as celebridades, a Fundação e o mérito que lhe cabe e é grande, mas prefiro-lhes as conversas deste programa. Os convidados são, no seu todo, excelentes e é um prazer ouvi-los tecer as suas considerações, discorrer. O programa gravado na Lello era constituído por um escritor - Valter Hugo Mãe -, e um músico - Pedro Abrunhosa -, ambos do Porto; e ainda um escritor Brasileiro - Milton Hatoum - e Lídia Jorge que, se me não engano é alentejana. Se as conversas de Babell tiverem sido assim...ficou toda a gente a ganhar.
ResponderEliminarÉ algarvia, se me permite, aliás de Boliqueime que parece ser terra para gente que se distinga em algo, eheheh! O programa que refere passa onde? Talvez dê para ouvir em podcast ou lá o que é e eu consiga que um dos meus jovens colegas digitais me ajudem nesse sentido. Cumprimentos.
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