Três futuros

A saudosa poeta Ana Luísa Amaral tem um livro muito bonito chamado What's in a Name, e a Alice de Lewis Carroll pergunta a dado momento no País das Maravilhas se um nome tem de significar alguma coisa. No livro Os Nomes, de Florence Knapp, os nomes são o motor para três vidas diferentes da mesma personagem, um rapaz que nasce nove anos depois da irmã e que é filho de uma mãe vítima de violência doméstica que o pai trata de forma tenebrosa, um pai médico que os doentes adoram e de quem nunca ninguém desconfiaria. O romance começa com a ida de Cora, a agredida, com o filho na cadeirinha e a irmã pela mão, ao Cartório para registar o nome do filho. A pequena Maia gostaria que o maninho se chamasse Bear, a mãe preferia que fosse Julian (que quer dizer «Pai do Céu») e o agressor não põe outra hipótese senão que o filho varão tenha o seu nome, Gordon. Ora, será como Bear, Julian e Gordon que vamos assistir a três futuros distintos deste bebé, aos seus estudos e brincadeiras, às suas paixões e romances, aos seus medos e tragédias, às suas escavações e criações artísticas, sempre com um background semelhante na casa da família e sempre esperando que um destes rapazes acabe por salvar a mãe, a quem o pai conseguiu retirar o poder paternal alegando que a mulher tem distúrbios mentais (os médicos podem muita coisa) e que mantém fechada há séculos em casa. Vale a pena ler, sobretudo como exercício literário. 


 


P. S. Para quem se interesse pela escrita de canções, hoje ao fim da tarde vou estar com o João Gobern a falar da minha actividade como letrista em Coimbra, na Casa da Escrita. Apareçam.

Comentários

  1. Interesso-me por escrita de canções.
    A escrita de canções (para mim) é poesia, é literatura.
    Escritores como Carlos T, Chico Buarque, Sérgio Godinho ou a Garota Não, são escritores, são pessoas que contam histórias. Há quem tente (como uma calçadeira) obrigar Luísa Sobral a entrar nesse grupo que referi.
    Na minha opinião, falta à Luísa muita experiência de vida, para poder documentar a vida num mundo real.
    Viver não é estar à conta nos Estados Unidos da América, dedilhar umas baladas e conseguir através das amizades publicar uns livros.
    Viver (para mim) é lutar, é batalhar, é saber que não saímos sempre vencedores das lutas e das batalhas mas que algumas vezes, apesar disso, conseguimos vencer a guerra.

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  4. Fatima strikes again
    Não há pachorra!
    Nem a Rosário nem nós merecemos isto, penso eu de que... além disso, somos todos milionários

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  5. António Luiz Pacheco22 de maio de 2026 às 01:49

    Ahahahah!
    Já perguntei à Fátima se empresta dinheiro para projectos de escrita... não respondeu.
    Agora pergunto se financiam a compra de livros e remodelação de biblioteca?
    Esta malta ataca em qualquer lugar e circunstância, dava até para escrever um romance!
    Imaginem um Extraordinário financeiramente apertado mas com um projecto salvador que o lança nas mãos destas máfias dos créditos, onde existe um cobrador que adora ler, quem percebendo o valor do livro pretende controlar o autor e conduzir a escrita do mesmo a seu gosto... o Extraordinário vai conseguir esquivar-se e contornar a pressão do bandido amante da literatura, até chegar a um final Extraordinário com a inesperada ajuda do mesmo!
    Ahahah!

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  6. Boa tarde,
    Tanto quanto sei o feminino de "poeta" é "poetisa", assim como o feminino de "escritor" é "escritora", e de notar que o masculino de "pessoa" é "pessoa".
    Cumprimentos
    Jorge Ferreira

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