Manuel Alegre

Ontem fez 90 anos o poeta Manuel Alegre. Chamo-lhe poeta, claro, até porque este é um blogue sobre livros e literatura; mas, além do poeta, foi um combatente pela liberdade, um lutador que teve de se exilar na Argélia durante o antigo regime, um resistente que inspirou muitos dos seus contemporâneos a rebelarem-se contra o fascismo que mantinha o País cheio de fome, embora ainda haja gente a dizer que nesse tempo é que era bom. Manuel Alegre foi um político de nomeada (ainda hoje é chamado a colorir algumas campanhas do Partido Socialista) e, curiosamente, embora tenha escrito muita poesia amorosa, tem uma boa quantidade de poemas que podemos considerar também políticos, escritos sobretudo antes do 25 de Abril. É também autor de letras de fado (algumas das quais cantadas por Amália Rodrigues, muitas por João Braga), uma espécie de Teoria do Fado. Já que não podemos desejar-lhe longa vida aos noventa, desejemos-lhe que continue a escrever e a viver envolvido e sempre militando pela democracia. Parabéns!

Comentários

  1. António Luiz Pacheco13 de maio de 2026 às 03:54

    Manuel Alegre é uma figura, goste-se ou não dele!
    É um poeta sim, penso eu, na acepção da palavra, truculento, corajoso, combativo, emotivo! É um homem determinado, com ideais, capaz de assumir e porfiar por eles, como sobejamente o demonstrou.
    Confesso que embora não sendo do seu espectro político (seja lá isso o que for mas acho que soa bem) votei nele para nas presidenciais. Justamente por me rever em tantas das suas características se bem que não comungando de idéias ou acções, mas acredito que é isso que corresponde ao respeito, e, à liberdade de sermos o que somos, cada um de nós.
    Portanto é daqueles que das leis da morte se libertaram, pois deixa um legado e o seu nome será recordado pelos que o apreciam como pelos que o odeiam.

    Parabéns ao Vate, cá desde a Cidade Morena.

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  2. Claro que é um poeta! Talvez na definição perfeita da Agustina Bessa-Luís, m dos melhores « assim, assim »

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  3. Parabéns a quem contribuiu qb para instaurar a democracia; para quem sempre defendeu os seus ideais - e só por tê-los e neles perseverar tem a minha admiração. É certo, é poeta. Mas também um homem dos que estão em extinção, não sei que se passa, mas os tempos vão adversos à vida de outros como ele; não nascem, talvez. E também um prosador que admiro, li há muitos anos o livro "A terceira rosa" e foi um prazer. Os poetas escrevem em prosa, mas continuam poetas.
    E que só a danada da foice o pare de ser quem e como é.

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