Ler com que idade?
Haverá uma idade para ler certos livros? Já aqui comentei, julgo, que na terceira idade em que me encontro, embora há pouco tempo, tornou-se de repente mais difícil fixar o que se leu na véspera (às vezes é preciso voltar atrás umas páginas para me situar); mas pior do que isso é duas semanas depois de acabar um livro (e é mais ou menos irrelevante se gostei ou não da leitura) já quase não me lembrar da história (e o mesmo acontece com certos filmes). Um dia destes aconteceu cruzar-me com alguém que estava muito entusiasmado a falar de um livro que eu lera há uns dois meses e reparei que muitas das cenas que essa pessoa evocava estavam, para mim, parcialmente obliteradas. Fiquei chateada, mas a velhice não tem remédio, pelo que, a seguir, me passou a telha. Pensei sempre guardar alguns calhamaços para a reforma, mas agora vejo que fiz mal, pois deveria tê-los lido era com a cabeça fresca para os aproveitar ao máximo. Vi que uma jovem autora minha andava a ler Steinbeck e fiquei contente, pois também eu o li com a idade dela, ou mais nova ainda, e hoje consigo lembrar-me bem de muitos dos seus romances. Foi pena não ter feito o mesmo com O Homem sem Qualidades ou A Morte de Virgílio. Mas agora que é que se há-de fazer?
Tenho 39 e algo de parecido vai acontecendo com um ou outro livro/filme. Julgo que não será da idade, mas do momento da leitura.
ResponderEliminarQue problema, sem dúvida.
ResponderEliminarJá me aconteceu ter a ideia de ter gostado de um livro, mas a memória só retinha o título, por isso fui lê-lo outra vez. E foi uma leitura diferente pois fui descobrindo aos poucos coisas que afinal já conhecia.
Tenho 56 anos e ando a reler tanta coisa de que, pura e simplesmente não me recordo... Javier Marías, Sándor Marai, o Stoner de John Williams, Arundhati Roy, Eça de Queirós. A cabeça faz-nos destas...
ResponderEliminarComo a compreendo, Maria do Rosário, está-me a acontecer o mesmo.
ResponderEliminarE ninguém me avisou que iria ser assim, ou seja, a idade traz mais sabedoria e conhecimento, mas também o esquecimento...
Talvez por isso, muitos tijolos vão ficar por ler.
Boas leituras📚
E
Olá bom dia:
ResponderEliminarTenho precisamente a sua idade. E desde há 30 anos, ou seja, desde os meus 26 anos que escrevo um resumo do que leio. Porque lá está, desde essa altura eu sentia que muitas "das recordações" minhas leitura "me fugiam como areias por entre os dedos". E olhe, escrever sobre os livros, e do que os mesmo contêm transformou-se num Excelente Exercício. Mais informo que sou uma das pessoas mais desorganizadas que existe. Menos com as leituras e do que delas registo.
Acho que a minha memória deve deve ter sido sempre similar à da Dory, mas confesso, à conta da mesma, ou da falta da mesma, arranjei um hobbie muitíssimo compensador. Acredite!
Excelentes Leituras para Tod@s!
Celeste Silveira
Quem é a Dory?
ResponderEliminarA personagem "peixe" de um belo filme da Pixar. A coadjuvante do Nemo. E você é quem?
ResponderEliminarÉ uma personagem "peixe" de um belo filme dos estúdios Pixar. Coadjuvante de um peixe perdido que tinha uma pai muito preocupado.
ResponderEliminarE com todo o respeito, o senhor é quem?
Celeste Silveira
Já cá faltava o « Tod@s »!
ResponderEliminarDepois não se queixem…
Não só mas também.
ResponderEliminarPor essa questão levantada, a falta, ou as partidas, da memória, começei, em papel, a guardar dois tipos registos: os livros lidos (título e autor), passagens consideradas interessantes ou dignas de registo (subjectivas, portanto).
Um dia, sem nada melhor para fazer, tornei o registo digital, aqui no SAPO.
Agora a brincadeira tomou outro rumo, fruto do encerramento do SAPO Blogs, com um cariz auto-formativo na programação e na IA. Primeiro no WordPress, com PHP e JavaScript qb, depois em Android Studio e Kotlin, qualquer dia em Swift no mundo Apple. É como aprender Alemão ou Chinês.
Tecnologias à parte, chego a duas conclusões:
i) sim, guardar um registo faz avivar a memória, uma espécie de músculo a exercitar
ii) quando mais embrenhado na tecnologia leio muito menos, ou nada
Infelizmente, algo que já desconfiava, a tecnologia - pelo menos lá em casa - não desperta ninguém para a leitura.
O Kobo do Natal passado está na mesma prateleira há meses. Em formato blog, app - no telemóvel ou mesmo na televisão, leituras improváveis não suscitam interesse nenhum. Ler dá trabalho, seja lá onde fôr, logo não é apelativo, já bastam os Saramagos e os Camões a torrarem-lhes a paciência na escola.
Donde, em conclusão, apesar das partidas da memória, arranjei um ginásio para exercitar a massa cinzenta. Mesmo com o desdém da prole.
Boas Leituras
PS: Uma dúvida para a autora do blog: após 30 de Junho, onde iremos ler as Horas Extraordinárias?
Queixem-se de quê? E o Senhor? É o mesmo Senhor de ainda há bocado?
ResponderEliminarCeleste Silveira
Responderei muito em breve sobre a matéria. Amanhã mesmo terei uma reunião com uma sobrinha que já conseguiu pelos vistos migrar o passado do Horas para outro endereço.
ResponderEliminarPois... dos livros de que gostei muito, não me esqueço!
ResponderEliminarDos outros, enfim uns sim outros não, depende... até me recordo bem daqueles de que não gostei mesmo nada e mais ainda daqueles que detestei!
O que acontece é que de vez em quando vou reler passagens dos livros de que gostei ou e impressionaram, talvez por isso me vá lembrando deles.
Saudações cá da Cidade Morena.
Não faz nada, só continua a ler e basta. Ou seja, faz o mesmo de sempre. Não se esvaiu o prazer da leitura pois não?! É o que interessa.
ResponderEliminarEstúdios Pixar? Dory? Ainda há gente culta. E com memória. Não têm é nada para dizer. Mas isso não interessa.
ResponderEliminar"Queixem-se de quê?"
ResponderEliminarDe inventarem palavras absurdas. Do que aliás não vem mal ao mundo. Cada um inventa o que quiser. Eu próprio já inventei palavras e sons como a imitação do zurro e outras sem sentido (a não ser para mim). É claro que palavras com o símbolo @ pelo meio não existem em português. Há muitos anos não existia a expressão "dar barraca" mas agora existe. O disparate é livre. Para todos e mesmo para mim (e uso essa liberdade).
"mas também o esquecimento..." E a morte.
ResponderEliminar"o prazer da leitura" Prazer? E?
ResponderEliminarA morte pode chegar muito cedo, sem termos sequer tempo para ganharmos alguma sabedoria ou conhecimento através das leituras...
ResponderEliminarAh, e a expressão dar barraca já é bem antiga.
Bom dia!
E sua excelência? Já disse alguma coisa que jeito tenha? E culto. Ou não é culto? Uma coisa sei que é! É um granda chatarrao, credo!
ResponderEliminarCeleste Silveira
"Granda". É assim mesmo! Acabei de inventar.
ResponderEliminarCeleste Silveira
Ainda bem que nos dá 'essa liberdade"! Ufa! Assim estou muito mais descansada!
ResponderEliminarCeleste Silveira
"Ainda bem que nos dá 'essa liberdade"! " Eu não dou nada.
ResponderEliminarIsso nem é inventar. Só meteu um r numa palavra há muito utilizada: ganda.
ResponderEliminar"o prazer da leitura" Prazer? E?
ResponderEliminarA esta ninguém responde de. Nem é fácil.
"Eu não dou nada."
ResponderEliminarE faz muito bem. A liberdade dá-se?