Ler com que idade?
Haverá uma idade para ler certos livros? Já aqui comentei, julgo, que na terceira idade em que me encontro, embora há pouco tempo, tornou-se de repente mais difícil fixar o que se leu na véspera (às vezes é preciso voltar atrás umas páginas para me situar); mas, pior do que isso, é duas semanas depois de acabar um livro (e é mais ou menos irrelevante se gostei ou não da leitura) já quase não me lembrar da história (e o mesmo aocntece com certos filmes). Um dia destes aconteceu cruzar-me com alguém que estava muito entusiasmado a falar de um livro que eu lera há uns dois meses e reparei que muitas das cenas que essa pessoa evocava estavam, para mim, parcialmente obliteradas. Fiquei chateada, mas a velhice não tem remédio, pelo que, a seguir, me passou a telha. Pensei sempre guardar alguns calhamaços para a reforma, mas agora vejo que fiz mal, pois deveria tê-los lido era com a cabeça fresca para os aproveitar ao máximo. Vi que uma jovem autora minha andava a ler Steinbeck e fiquei contente, pois também eu o li com a idade dela, ou mais nova ainda, e hoje consigo lembrar-me bem de muitos dos seus romances. Foi pena não ter feito o mesmo com O Homem sem Qualidades ou A Morte de Virgílio. Mas agora que é que se há-de fazer?
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