E se?
Às vezes é engraçado pensar que certos livros, hoje considerados inescapáveis e importantíssimos na história da literatura universal, poderiam nunca ter sido publicados e lidos. Lembrei-me disto a propósito de um vídeo que encontrei no qual Gabriel García Márquez conta que em jovem devorava livros e que, quando lhe foi parar às mãos A Metamorfose, de Kafka, parou a reflectir que estava perante algo muito diferente do que lera até ali, algo que ficaria para sempre com ele. E, porém, a história do homem que acordou transformado em insecto, virado de pernas para o ar, e que mesmo assim a estuporada família espera que vá trabalhar para a sustentar, poderia não ter chegado aos nossos dias. Kafka era demasiado discreto e tímido para falar com editores, e até deixou dito que não queria que lhe publicassem os livros (muito mais do que esse que fala da tragédia do homem-barata) quando morresse. No caso, valeu-nos a desobediência de um amigo, que percebeu certamente o alcance que o autor poderia vir a ter, mesmo morto. Mas há outros casos, em que obras-primas foram recusadas por editores (Em busca do Tempo Perdido, de Proust, por exemplo, ou mais recentemente o romance de David Uclés, A Península das Casas Vazias, que venceu uma data de prémios e se vendeu em muitos países) e talvez não tivessem chegado a ser dadas à estampa se os seus autores não tivessem insistido em vê-las nos escaparates. E se Os Lusíadas se tivessem mesmo perdido ao largo de Macau, já imaginaram?
Há livros antigos, que são inimigos temíveis, do "politicamente correcto" ou do "pague 800000 euros para receber formação 300% especializada".
ResponderEliminarNo milénio passado, num alfarrabista, da Rua da Trindade, Lisboa, estava a ver livros, da Livros do Brasil, quando me cruzo com 2 livros, de ficção científica: O projecto Oort (Frederik Pohl). Como estudante, da área económica, nunca tinha ouvido falar dele. Ao ler, ambos, eis que, aquela teoria, dos mercados, da manipulação e de como fazer discursos motivadores, para nos comprarem algo, logo a seguir a termos assinado contratos, que vão reduzir, a quantidade, de produto disponível e nos vai dar lucros fabuloso, sem que ninguém note, pois a culpa é, sempre, de algo abstracto, que ninguém sabe o que é.
Hoje, ainda peço a alunos, que leiam, os livros, maioria acaba por só perceber, a mensagem, quando vão reler, ignorando, a ficção científica e aplicando conceitos, básico, de matemática, estatística e lógica. Quando percebem, descobrem que, aqueles livros de 600 páginas, que precisam de estudar 8 diferentes, afinal não passam de gelo, que se transforma, em água e uma nave, é um camião, conduzido por empresário, que decide se pode vender, por 10 ou 300000, conforme lhe apetecer. Basta controlar, o mercado produtor, sem que possam saber, que o faz.
Escritores novos querem vender 100000000000 de livros, por ano, alguns chegam a colocar 6 livros, no mercado, por ano!!! Lendo algum livro, que os avôs deles leram, eram capazes de perceber, que são a água... ou o gelo.
Pois é, minha Cara e Extraordinária Anfitriã, é o que gosto de pensar em relação a mim próprio... ahahahah!
ResponderEliminarQue oportunidade perdida para as editoras e distribuidoras... eheheh!
Quem sabe? Nunca fui avaliado, e, se fosse mesmo uma obra de sucesso?
Bom, consegui vender 1.200 exemplares eu mesmo, num caso e 600 noutro. Se fosse mesmo distribuído, divulgado, promovido com merchandising adequado quem sabe?
Enfim, gaba-te cesto... e sonhar ainda é de borla.
Desculpem lá este devaneio, mas foi a propósito, acho eu.
Saudações frustradas cá da Morena Cidade.
Bem bom!
ResponderEliminarConheco pessoas que apresentam livros em publico e venderam 6ou7 a família