Cronicar

A crónica é um género maior, e a Associação Portuguesa de Escritores tem até um prémio que lhe é muito justamente dedicado. Entre autores vivos, temos cronistas de excelência, como Luísa Costa Gomes e Dulce Maria Cardoso, por exemplo, mas basta abrir os jornais actuais para vermos como são bons cronistas José Tolentino de Mendonça, António Araújo, Ana Bárbara Pedrosa, Pedro Mexia ou Ricardo Araújo Pereira. Luísa Sobral, depois da sua fulgurante estreia literária com Nem Todas as Árvores Morrem de Pé, um romance que vai na 15.ª edição, atreveu-se às crónicas num livro mesmo bonito que ilustrou com aguarelas suas (incluindo a da capa). Se se quer rir com a aselhice da autora para armar uma tenda no jardim para os filhos ou indignar-se com a desfaçatez com que um médico faz perguntas inconvenientes, Da Minha Janela (assim se chama a obra) chamá-lo-á a ver uma paisagem que podia ser também a sua, porque é impossível não nos identificarmos com estes belos textos que escrevem o dia-a-dia contemporâneo de Luísa Sobral e, afinal, o de todos nós.


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Comentários

  1. António Luiz Pacheco25 de maio de 2026 às 01:38

    As crónicas são um género literário bastante rico, justamente pela diversidade que permitem.
    Até muitos de nós, inconscientemente, as fazemos também graças a esta modernidade que nos permite mandar para o Éter a nossa própria existência, ainda que isso desagrade a uns quantos intelectuais que se julgam donos dessa prerrogativa.
    Aprecio bastante ler crónicas. É curioso que ao contrário dos livros do recentemente desaparecido Lobo Antunes, gostava bastante das suas crónicas. Para dar um exemplo de quanto distingo o cronista do escritor.
    A Luísa Sobral segue portanto em graça, confesso que não tive ainda oportunidade de ler nada dela, mas está na calha... a seu tempo comentarei!

    Saudações crónicas cá da Cidade Morena, onde o cacimbo se instala suavemente, com pézinhos de algodão.

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  2. Viva!
    Quando vi esta capa e li que era de crónicas fiquei logo com o desejo de o comprar... agora sabendo que são aguarelas da autora ainda mais!
    Adoro crónicas. O 2ª livro da Madalena Sá Fernandes também foi de crónicas e recomendo muitissimo. Fala de assuntos pertinentes de agora e faz-nos rir para não chorarmos mais.
    Um bem haja à Luisa Sobral pela coragem, ousadia de publicar o que quer!
    Se ao menos tivessemos um livro de crónicas da Matilde Campilho ou da Maria Rosário... o Adeus, Futuro tem uma capa brutal mas só o titulo me faz encolher o coração.
    Bjinho.

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