Poeta por fim

José Carlos de Vasconcelos, opinador, jornalista, editor, advogado e POETA (entre outras coisas como apreciador de caldo-verde), dirigiu ao longo de anos e anos um jornal literário que se estreou andava eu na faculdade, sem nunca falhar um número. Chamou-se JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias. Com poucos recursos (qual é a publicação dedicada às letras em Portugal que tem dinheiro?), às vezes era o próprio José Carlos quem tirava as fotografias em festivais internacionais por não haver orçamento para o fotógrafo. Rodeado, porém, de grandes profissionais (Maria Leonor Nunes, João Ribeiro, Luís Ricardo Duarte, Manuel Halpern...), deu capas e muitas páginas a todos os que escreviam no País, esquecendo-se ao longo de décadas que também ele próprio era escritor e que, apesar de não ter tempo para publicar (chegou a deixar amarelecer em casa umas provas que nunca reviu nem devolveu ao editor),  sempre poetou e burilou continuamente poemas antigos. Ora, foi preciso que acontecesse a grande infelicidade de o JL ter chegado ao fim (e a falta que nos faz), e o José Carlos de Vasconcelos não poder mesmo mantê-lo de pé, para eu ter tido o privilégio de me sentar com ele e os seus poemas à roda da mesa e publicar agora o seu livro Os Sete Sentidos e Outros Lugares, que será hoje apresentado pelo professor Helder Macedo no El Corte Inglés, às 18h30. Vamos lá?


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Comentários

  1. António Luiz Pacheco16 de março de 2026 às 01:31

    Uma nova vida para JC Vasconcelos.
    Não foi o fim, esperemos seja um início...
    Votos de sucesso lhe desejo aqui da Cidade Morena!

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  2. Há imensos anos,era eu jovem, dei com um verso num poema seu que dizia que "a dita dura".

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  3. Fui leitor do JL desde o nº1 (memorável desenho de capa de João Abel Manta) durante vários anos. A decadência foi-se notando cada vez mais e o suicídio ficou patente com a opção pelo "dialecto acordês"
    Já nem refiro a confusão final com as caricaturas de Eça e Camilo
    Paz à sua alma!

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  4. Eu ia lá, até porque teria oportunidade, única, de cruzar-me com o Ramalho Eanes. Mas não consigo, são poetas a mais.

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  5. Lamento ver Helder Macedo envolvido. J.C. Vasconcelos será, na designação perfeita de Agustina referindo-se a Manuel Alegre, um dos « melhores poetas assim-assim »

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  6. A censura evoca a PIDE-DGS e, por arrasto, o fascismo.

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  7. Opiniões distintas não significam enlevo pela Pide. Conheci a agremiação num tempo em que andava no liceu.
    É por estas e outras que a esquerda está no lamaçal de onde dificilmente sairá!

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  8. A censura tinha uma particular atenção em “riscar” as opiniões distintas. Não me parece que seja o seu caso.

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