O que ando a ler
Aqui há tempos pediram-me que prefaciasse as histórias infantis de Clarice Lispector, que vão sair na editora Fábula. São incríveis, claro, e sobretudo muito diferentes do que geralmente são os textos para crianças. Nestas histórias, quase todas com animais, a grande escritora brasileira interpela os seus leitores constantemente e até pede desculpa às crianças por ter deixado morrer os peixinhos de aquário do filho, por se ter esquecido de os alimentar. Clarice conta ter escrito literatura para a infância apenas porque o filho mais velho achou que, se ela escrevia para os outros, teria de escrever também para ele; e, de facto, se lermos Perto do Coração Selvagem ou A Paixão segundo G.H., não imaginamos Lispector a escrever para a pequenada. Mas claro que ela sabe o que faz. Foi talvez o tal prefácio a levar-me ao último romance da autora, A Hora da Estrela, que ainda não tinha lido e que foi escrito pouco antes da sua morte. A obra cruza duas personagens: um escritor chamado Rodrigo e Macabéa, uma dactilógrafa provinciana, feia e sem graça que vai para o Rio de Janeiro trabalhar, mas passa os dias sozinha porque nunca se adapta à vida na cidade. O mais engraçado é que quem conta a história de Macabéa é Rodrigo, o escritor que inveja até certo ponto a liberdade da sua personagem. A edição, muito bonita, é da Companhia das Letras, que publicou mais uns quantos romances desta autora.
Ainda de volta do Extraordinário "Camilo Broca", ao qual não me consigo dedicar tanto quanto merece.
ResponderEliminarTenho entretanto lido muita publicação por razões profissionais, concretamente para um projecto de café que temos em mãos. Logo eu que nem café bebo... ehehe! Mas há muita coisa para analisar e leituras a fazer.
Entretanto ocorreu-me algo de Extraordinário, que foi o Karma, Deus, o Astral ou quem quiserem - sou dos que não acreditam no acaso -, ter-me dado na devida altura tanto professor e informação sobre agropecuária de Angola, na Universidade de Évora, através de professores e investigadores idos aqui de Angola para aquele então Instituto Universitário, cujo espólio de publicações acerca do tema é vasto! Tem-me sido da maior utilidade.
É que por cá, hoje, muito pouco se sabe ou existe, no entanto tenho essa fonte preciosa que tão útil me tem sido.
Ainda bem que há papel, ainda bem que se escreveu, escrevia e escreve!
Votos de uma Extraordinária semana cá desde a Cidade Morena.
Ando na luta do "Uma pequena vida". Não sei se luta é a palavra correcta.
ResponderEliminarViva! Bom dia Maria :)
ResponderEliminarMuito me satisfaz saber que gosta de ler Clarice. Ela era genial, é genial enquanto a lermos permanecerá sempre viva. Nem tudo percebo mas tudo ou quase tudo sinto ao ler as suas obras. Já li dois livros infantis dela e não percebi nada mas a cadência e o insólito estão lá e chamam a atenção da pequenada e de quem está a ler.
A minha obra preferida até agora foi "Àgua viva" que montanha russa de palavras que suscitam todo um rol de sentimentos.
Nunca li ninguém como ela escreve e ainda bem pois não tenho capacidade para aguentar tanto numa só vida.
As edições da Companhia das Letras são soberbas! Tenho-as a todas e falta me ler a Hora da Estrela. Aqui está o meu sinal para lhe dar prioridade.
Bjinho.
Volte sempre.
P.S para quando um livro seu com estas passagens ?
Espero vê-la na Feira do Livro do Porto ou por aí num passeio qualquer.
Outro bjinho. :)