O estilo
Muitas vezes recebo textos para apreciação que não têm voz, iguais a recados que colássemos na porta a pedir ao carteiro que deixasse a nossa correspondência com a porteira. O que um editor procura acima de tudo é uma voz, um estilo próprio, algo que identifique e distinga um autor dos outros e dos não-autores (pegando na etimologia, os que não acrescentam nada ao que já existe). Uma das formas de entender o que é esse estilo diferenciador é ler um notável livrinho de Raymond Queneau chamado Exercícios de Estilo que descobri, creio, ainda na faculdade e no qual a mesmíssima situação é abordada de uma profusão de pontos de vista: desde o texto publicitário ao tom de surpresa, da descrição antiquada à narração hesitante, numa abordagem botânica ou gastronómica, num texto telegráfico ou sob a forma de ode ou soneto, o homem que o narrador encontra no autocarro que tem pescoço comprido e chapéu na cabeça aparecerá 99 vezes e nunca será o mesmo por causa dos variadíssimos estilos. Um excelente exercício que ajuda a compreender que o «como» é o que interessa mais em literatura. Ou seja, uma história maravilhosa pode ser deitada a perder se não a soubermos contar. Uma história banal pode ser salva por um poderoso estilo.
Ora bem, que Extraordinária proposta nos dá aqui hoje!
ResponderEliminarVou procurar esse livrinho... recordo que fiz em tempos uma cadeira de Estilística Prática que me foi muitíssimo útil, aliás ainda é, no tocante a fazer relatórios. Posteriormente nas formações que fui fazendo, também me foi dada essa matéria pela qual sempre me interessei particularmente pois entendo o valor acrescentado de uma boa comunicação.
Estou no final da minha vida profissional e não irei já aplicar ou evoluir muito mais, aliás até já estiquei o prazo para lá da validade uma vez que estou reformado apesar de me manter a trabalhar. Agora dedicado ao tema do cultivo do café e banana, e, a reformular o plano de negócios para a fileira do peixe processado.
Assumo a pena de nunca ter conseguido ser escritor de mais do que artigos temáticos em revistas de especialidade, fora dois romances em auto-publicação que não contam senão pela satisfação que me deram ao escrevê-los. Quem os leu? Não representam nada.
Tenho projectos para a minha retirada, sim, aliás no meu meio muita gente me fala constantemente disso pois tive uma vida cheia e variada enquanto caçador e pescador submarino, o que está longe do horizonte dos nossos Extraordinários, mas me proporcionou experiências e tanta coisa que conto pôr no papel. Talvez não saibam mas existe um mercado livreiro nesta área, menos em Portugal, mas que em Espanha, França, Reino Unido e EUA é pujante.
Isto leva-me a reflectir ainda sobre o que é dito, quanto ao Editor buscar quem faça a diferença e seja uma outra voz. Trazer algo de novo. Isto porque a mim parece-me exactamente o contrário... talvez o Editor procure isso, mas e a Empresa Editora é isso que quer? Ou pretende mais do mesmo, repetir as fórmulas que vendem e portanto dão lucro?
Não sei, não sou nem uma coisa nem outra, escritor nem Editor, mas sei o que sinto e aquilo que me foi dito quando apresentei os meus projectos -" Largueza" e "Não tem Domingo na Equimina" , nunca me disseram que estavam mal escritos mas sim que não se enquadrava nas linhas editoriais do momento ou que eram temas menos interessantes, etc.
Isto dá que pensar, pois dá... claro que ainda por cima o meu nome não era de celebridade.
Enfim, cada qual na sua quinta e sem dúvida que o Mundo da escrita é composto de quintas, pelo que tendo a discordar, mui respeitosamente, da Nossa Extraordinária Anfitriã.
Mas que o tema é interessante para nos debruçarmos, isso é!
Saudações cá da Cidade Morena, onde já caíram umas boas pancadas de água lá para a zona do interland, a mitigar a seca, revigorar o capim dongússi e alimentar o gado.
Um dia caiu-me nas mãos o Pierrot Meu Amigo, de Raymond Queneau, autor que não conhecia de lado nenhum. Gostei imenso e procurei mais, tendo lido Zazie no Metro igualmente com muito gosto. Fiquei agora a saber que também existem uns Exercícios de Estilo que não são os de Luiz Pacheco, que vou procurar porque, pela amostra, são muito interessantes.
ResponderEliminarComo interessa em literatura mas também é importante como destino turístico.
ResponderEliminarConsta que Mark Twain ficou deslumbrado com o lago de Como.
Actualmente Como é conhecido dos amantes de futebol pela fantástica época que o Como 1907 está a realizar. Treinado pelo catalão Cesc Fàbregas o clube de futebol da cidade está no quarto lugar do campeonato italiano e como é que chegou a essa posição?
Jogando quase, exclusivamente, com jogadores não italianos, foi, apenas, utilizado um jogador italiano deste o início da competição e durante um minuto.
(penso que isto pode ser considerado um estilo de escrita, chama-se: desconversar )
Como?
ResponderEliminarHum... desconversar, então e descrever? Ahahahah!
Seria desescrever, digo eu. Um pouco como as antigas lousas, onde escrevíamos, apagávamos e voltávamos a escrever com giz branco. Agora "descobriram" uns cadernos especiais de escrita infinita como se Nobel tivesse voltado à Terra e tivesse voltado a descobrir a dinamite.
ResponderEliminarEnfim, é o eterno retorno do estilo como diria a nossa anfitriã.
Nihil novi sub sole?
ResponderEliminarTambém fiquei deslumbrado com o Lago de Como. Só o percorri até Bellagio e volta, mas mesmo assim encantou-me.
ResponderEliminar‘Como’ desprender a forma do conteúdo? O “poderoso estilo” marimba-se naturalmente para isso e alastra nos comentários.
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