Ler para ser livre

A semana passada e parte desta semana passei-as com Itamar Vieira Junior em muitas atividades bonitas e concorridas ligadas à leitura: no festival Correntes d'Escritas, em comunidades de leitores na Maia e em Perosinho, em Santarém numa escola profissional onde me admirei com (e admirei) o silêncio de 400 jovens enquanto ouviam o escritor brasileiro, e também em Cascais. Foi nesta última cidade que, numa sessão com cerca de cem pessoas, aprendi uma coisa maravilhosa relativa a um programa que envolve pessoas que estão presas no Brasil. Sabendo como a leitura é muitas vezes salvífica e cria empatia, no Sistema Prisional brasileiro existe um projecto que permite aos reclusos a diminuição da pena através da leitura. Chama-se, creio, Remissão em Rede e, além de formar leitores, faz com que todos os reclusos que completam um livro e sobre ele escrevem, digamos assim, uma recensão ou um resumo possam beneficiar de uma diminuição de x dias da pena a que foram sentenciados. O programa está há quatro anos a ser pensado para Portugal e em breve vos darei notícias sobre o assunto. Hoje é só para dizer que sempre acreditei que os livros nos tornam mais livres e que por isso gostei mesmo desta ideia. 

Comentários

  1. Temos penitência?
    Nunca achei lá muito "católico" que uma vez confessados os pecados e cumprida a penitência de rezar 4 Pai-nossos e 2 Ave-Marias, fosse como se não tivesse havido nada. Pior ainda as bulas, em que o perdão é comprado!
    O que está feito, feito está, apesar de católico não concordo com isto.
    Diminuição da pena por ler livros? Não me parece também ser coisa de apoiar... Enfim penso eu.
    No resto sim, a leitura liberta sem dúvida mas não nesse sentido e nem dessa forma.

    Votos de boas leituras em justa liberdade, cá desde a Cidade Morena.

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  2. Não na Maia não esteve .
    Essa é uma óptima ideia um programa humanizador .
    M.A.

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  3. Pois não, é o que se chama «fugir-me a boca para a mentira»; estava a elencar as actividades do Itamar e pus Maia também, mas foi a querida Madalena que lá foi... Obrigada por chamar a atenção. Vou da próxima vez, prometo.

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  4. Vou partilhar isto com uns adolescentes que eu conheço...
    Boas Leituras

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  5. "No resto sim, a leitura liberta sem dúvida mas não nesse sentido e nem dessa forma".

    Ler dá trabalho e o trabalho liberta.
    Tentativa de humor com um período sombrio da História da Europa e que, infelizmente, com os "neos" pode vir a repetir-se.
    Quanto à ideia da diminuição da pena pela leitura parece-me que os colarinhos brancos beneficiarão mais que os colarinhos azuis. Quantos presos não serão analfabetos funcionais? Incapazes de ler e interpretar um livro?

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