O que ando a ler
Ando a ler devagar, porque se trata de um texto longo e denso, o livro que foi considerado o n.º 1 pela maioria dos jornais portugueses no balanço do ano passado. Trata-se de O Que Podemos Saber, de Ian McEwan, um romance que se passa no futuro (começa em 2119) depois de uma crise nuclear de enormes proporções que provocou uma inundação à escala global; e gira em torno de um poema que Francis Blundy, um célebre poeta da nossa época, escreveu num pergaminho e ofereceu no aniversário à mulher em 2014, chamado «Uma Coroa para Vivien». O poema, lido em voz alta pelo seu autor no jantar de anos em que estavam alguns amigos presentes, mas nunca visto por mais ninguém, é o objecto de pesquisa do narrador deste romance culto e filosófico que ando a ler. Tom, que dá aulas a uns jovens universitários desinteressantes e tem uma vida afectiva bastante incerta, acaba por se apaixonar pela vida e pelas personagens do passado (um pouco como nós nos poderíamos apaixonar pela vida no tempo de Oscar Wilde), idealizando o século em que agora vivemos a partir dos arquivos do poeta Blundy e da sua entourage que vai consultando até um colega lhe dizer que uma menina genial descobriu que o poema pode ter sido enterrado num dado sítio e transformar uma investigação numa aventura detectivesca. É um livro muito sério e muito bom para ir degustando, que nos mostra como o futuro da humanidade se pode tornar insípido e ao mesmo catastrófico, e como o tempo presente está, de facto, poderosamente ameaçado. Não saímos deste livro iguais, é um facto. A tradução é de Maria do Carmo Figueira.
Se as leituras não têm sido muitas, porém vão sendo proveitosas e de qualidade!
ResponderEliminarDesde que regressei em 12 de Janeiro, trazendo na mala meia-dúzia de livros, completei um livro e dei um bom avanço noutro. Ambos excelentes.
De António Costa e Silva, “Desconseguiram Angola”. Muito bom, inesperado pois não o tinha na conta de escritor com tanta qualidade e muito menos de ser um observador tão atento e certeiro. Comparo-o ao portentoso Pepetela, com as devidas ressalvas, mas este “Desconseguiram…” é mesmo muito bom, sobretudo para quem conheça o meio onde se passa e que ele descreve, conseguindo rever as imagens e os personagens que são geniais e impagáveis, a par da crítica subtil mas justa e correcta, ao regime e aos acontecimentos que “desconseguiram” este país. Costa e Silva tem origens e um percurso político idêntico ao de Pepetela, pelo que talvez como este que é um crítico assumido do regime que se instalou e dos seus actores, tenha recebido dele eventualmente alguma influência, digo eu que não consegui deixar de fazer a ligação.
Muito bom!
Ando a ler, do incontornável Mário Cláudio, “Camilo Broca”.
O que posso dizer? Que a crítica, os analistas e quem sabe mais do que eu e é muitíssimo mais competente não tenham dito?
Só sei que estou a gostar muitíssimo!
Gosto de Camilo, sou mesmo um camiliano, portanto esta obra diz-me muito e mais além não consigo e se calhar nem devo ir, sinto que não tenho o que dizer.
Obrigado Mário Cláudio por este trabalho de fundo. São obras destas que nos fazem sentir que é um privilégio ler e haver escritores.
Votos de um Fevereiro profíquo e menos tempestuoso, cá desde a Cidade Morena.
«"O Que Podemos Saber", de Ian McEwan, um romance que se passa no futuro (começa em 2119) depois de uma crise nuclear de enormes proporções que provocou uma inundação à escala global».
ResponderEliminarPortanto... um livro de Ficção Científica! ;-)
Comecei a ler um livro sobre a História do Japão no intuito de entrar no modo dos japoneses verem o mundo, serem tranquilos, sentirem a paisagem, as cores e se relacionarem entre si e com os estrangeiros. Deparei com uma história-batalhas de que estava bastante bem inteirado através dos filmes de Korosawa. Foi um dos livros de que dá pena ter que abandonar.
ResponderEliminarMas não publicado por mim.
ResponderEliminarEste não. Mas a Maria do Rosário já publicou, pelo menos, um livro de FC.
ResponderEliminarAmalivros,pode dizer qual é esse livro sobre a história do Japão?
ResponderEliminarAndo a ler "Abelhas e Trovoada ao Longe" da japonesa Riku Onda, de editora Lua de Papel. Foi indicado pelo Clube de Leitura da Portela, tem 500 páginas mas não consigo terminá-lo a tempo da sessão de dia 11.Trata dos bastidores dos grandes concursos de piano onde se evoca a música, a competição entre os concorrentes e os patrocínios polémicos!
ResponderEliminarTrata-se de Uma Breve História do Japão, de Harding.
ResponderEliminar