Livros e canções
Sabemos que os livros inspiram filmes e peças de teatro, mas que tenham também estado na base da composição de conhecidas canções já não é tão óbvio. E, porém, Alexis Petridis escreve sobre o assunto um interessante artigo no The Guardian que eu, apesar de perceber muito pouco de música, gostei de ler. Selecciona vinte canções e a literatura que as "provocou" mais ou menos directamente; e começa por referir que uma das músicas que ouvi muito ao longo da vida, Sympathy for the Devil, dos Rolling Stones, resulta de um conselho dado por Marianne Faithfull a Mick Jagger para que lesse Margarida e o Mestre, de Mikhail Bulgakov. Já outra pérola da minha juventude, a canção Both Sides Now, de Joni Mitchell, foi inspirada por uma passagem sobre nuvens do romance Henderson, o Rei da Chuva, de Saul Bellow, que a cantora leu durante uma viagem de avião. Parece que The Sensual World, de Kate Bush, é uma fantasia a partir de Molly Bloom de Joyce. David Bowie quis escrever um musical baseado em 1984, de Orwell, mas, como os herdeiros se opuseram, casou 1984 com sua a própria visão do Apocalipse na canção Diamong Dogs. O Perfume, de Patrick Süskind, é a obra de que partiu a canção Scentless Apprentice, dos Nirvana. Já os The Cure se inspiraram em O Estrangeiro, de Camus, para escrever Killing an Arab. A canção Firework, de Katy Perry, tem por base Pela Estrada Fora, de Jack Kerouac; e até a menina Taylor Swift se identificou com uma personagem dos romances de Nancy Mitford para a sua canção The Bolter. Enfim, músicos que lêem...
Já agora, e embora não esteja no artigo do The Guardian, é importante referir The Divine Comedy e a canção The Booklovers
ResponderEliminarEis a ligação para o artigo referido:
ResponderEliminarhttps://www.theguardian.com/music/2026/feb/12/best-songs-inspired-by-literature-ranked
Em Portugal também há casos destes, de livros que inspiraram não só canções mas até álbuns inteiros. Dois exemplos por Fausto: «Por Este Rio Acima» («Peregrinação», Fernão Mendes Pinto) e «Crónicas Da Terra Ardente» («História Trágico-Marítima», Bernardo Gomes de Brito).
Sim, creio que os músicos também lêem, sobretudo no que toca à letra.
ResponderEliminarFalou-se em Kate Bush, bom também ela se inspirou n' O Monte dos Vendavais - o qual parece ter agora a enésima versão em 2026.
Direi mesmo mais, penso que a literatura será um rico campo de inspiração musical, pois é um Mundo vasto e inesgotável sobre tudo, que desperta sensações de todo o tipo. Só Deus sabe aquilo que inspira um compositor musical e o leva a compor - para mim imaginar e compor música é um mistério Extraordinário que não alcanço entender - mas seja lá o que for, seguramente que está nos livros!
Muito bom mais este tema.
Votos de boa continuação, cá desde a Cidade Morena.
The Divine Comedy, que actuam brevemente em Portugal (8 e 9 de março), é um projecto musical com mais de trinta anos. O seu mentor, Neil Hannon, é pródigo em letras buriladas - influenciadas pela literatura, na situação política do mundo actual ou, simplesmente, como muitos escritores e letristas, na sua vida pessoal . Vejam-se estes exemplos, retirado do último LP.
ResponderEliminarhttps://thedivinecomedy.com/music/rainy-sunday-afternoon
ResponderEliminarAchilles, baseado na mitologia e tragédia grega
Mar-a-Lago by the Sea, um tributo ao grande sicofanta norte-americano, Donaldo
Invisible Thread, uma declaração de amor à sua filha
O site oficial permite acesso às letras cuidadas e a parte da excelente música.
Boas Leituras (Boa escuta)
Boa tarde!
ResponderEliminarNão é o mesmo assunto mas vale pela junção de literatura e música. Fiquei a conhecer Oscar Wilde e James Joyce pelas entrevistas de Bono Vox em que ele refere os dois autores como influência...
E depois ao ler Flores de Afonso Cruz, a personagem principal ouve Chet Baker no desenrolar da narrativa e claro como não conhecia fui pesquisar e fiquei super fã.
Sei que não é o tema do artigo mencionado mas significou muito para mim.
Bjinho e bom fim de semana.