Ler, escrever, falar

Recentemente, alguns países proibiram o uso das redes sociais por menores de dezasseis anos. Antes de todos, a Suécia (que inclusivamente apagou os murais desses utilizadores e o uso de telemóvel na escola), mas agora vários países estão a seguir-lhe as pisadas: a França, que já tomou medidas, e mesmo nós, que depois de proibirmos os telemóveis na escola, estamos a considerar não deixar as crianças e adolescentes usarem as redes sociais, mesmo aquelas que são tipicamente para a miudagem. Há estudos que mostram que de facto a aprendizagem decaiu desde que os miúdos passam os dias mergulhados nos ecrãs, constribuindo para uma dificuldade acrescida na leitura e na escrita, sendo que nesta última o teclar substituiu claramente a caligrafia, quando (já disse isso aqui muitas vezes) escrever ajuda a pensar e fixar. Lembro, assim o apelo de Christophe Clavé:


«Caros pais e professores: Façamos com que os nossos filhos, os nossos alunos falem, leiam e escrevam. Ensinemos e pratiquemos o idioma nas suas mais diversas formas. Mesmo que pareça complicado. Principalmente se for complicado. Porque nesse esforço existe liberdade. Aqueles que afirmam a necessidade de simplificar a grafia, descartar a linguagem dos seus "defeitos", abolir géneros, tempos, nuances, tudo que cria complexidade, são os verdadeiros arquitetos do empobrecimento da mente humana. Não há liberdade sem necessidade. Não há beleza sem o pensamento da beleza.» 


Atentem nisto.

Comentários

  1. Destaco: Aqueles que afirmam a necessidade de simplificar a grafia, descartar a linguagem dos seus "defeitos", abolir géneros, tempos, nuances, tudo que cria complexidade, são os verdadeiros arquitetos do empobrecimento da mente humana.
    Não podia estar mais de acordo.
    Falar é como desenhar, temos de exprimir com clareza a nossa idéia.
    Diria que um discurso fluente, rico e claro, é como uma pintura de Silva Porto por oposição a um Pollock (de quem gosto bastante aliás). Olha-se para o quadro e é o que ali está.

    Não me sinto à vontade para comentar sobre a limitação no acesso às redes sociais, se bem que concorde que não seja saudável para os jovens. Segundo Miguel Sousa Tavares, o acesso às redes sociais deveria ser limitado para todos, e é isso que me assusta, a possibilidade de vir a haver uma censura, começando nos mais novos e depois por aí acima.
    Não sei. Aguardo opiniões de quem seja mais esclarecido do que eu, professores sobretudo, porque nos "estudos", nesses eu também não me fio lá muito, dizem o que se quer, precisa ou pretende e nem sempre são isentos e honestos.

    Aguardemos pelos próximos capítulos!
    Votos de uma semana Extraordinária com melhor tempo e muito ânimo para todos, cá desde a Cidade Morena.

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  2. Se as redes sociais não são recomendáveis para crianças, porque é que o são para adultos?
    De outra forma, porque é que algo que faz parte do universo dos adultos, sendo socialmente admitido e, até, cultivado, não é recomendável para crianças?

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  3. Pergunte isso a quem pretende interditar touradas a menores... por exemplo.
    Já agora, o sexo que faz parte do universo de adultos, ou o consumo de álcool, fumar... serão recomendáveis para crianças mesmo que socialmente tolerados?
    Como eu disse, não me sinto suficientemente esclarecido, pelo que não tenho respostas e nem opinião formada.

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  4. As touradas? Essas deviam ser interditas, pura e simplesmente. De resto, só me lembro de um expressão: alhos e bugalhos.

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