Demasiado afins?
Já me recomendaram o autor há bastante tempo, mas ainda não tinha conseguido chegar aos seus livros. Um dia destes, estava numa livraria a comprar presentes para oferecer a dois amigos que fazem anos com apenas três dias de intervalo, e os meus olhos pousaram numa capa que dizia Quem Matou o Meu Pai, de um livro de Édouard Louis. Comprei-o também (os outros, para quem esteja curioso, eram de Svetlana Alexievich e John Banville). É um livrinho para uma noite, uma coisa mesmo pequena; e, quando o comecei a ler, pensei que afinal já o tinha lido, de tal modo me era completamente familiar; mas percebi essa sensação umas páginas mais adiante, quando o autor menciona Didier Eribon e diz que teria sido impossível escrever sem antes ter lido Didier. Claro! Quem Matou o Meu Pai lembrou-me (demasiado) Regresso a Reims, no qual também é mencionada essa relação difícil entre um pai bastante bruto e o seu filho homossexual, que começa por ser silenciosa (e até por isso violenta, de dentes a ranger) e, quando o filho se torna um autor conhecido, o pai orgulhoso já só quer falar dele aos amigos. Talvez devesse ter começado por outro livro de Édouard Louis, porque este tem a mesma temática de Regresso a Reims mas não é tão bom, já que o livro de Édouard Louis não foge à política, mas aborda-a de forma mais vingativa, pelo que os políticos fizeram e não fizeram ao pai, enquanto Eribon parte da família para desenvolver toda uma teoria sobre como o seu pai, que fora sempre comunista, se voltou para a Extrema-Direita. Tenho de ler agora outro dos livrinhos de Édouard Louis, esperando que não me lembre mais ninguém.
Confesso que nunca li nada desse autor, aliás nem de um nem do outro!
ResponderEliminarNão leio muito os autores franceses, enfim, li em tempos os clássicos, mas depois desses poucos mais me despertaram a atenção. Manifestamente sou sobretudo leitor dos anglos, dos latino-americanos, e, dos portugueses claro... Ó Paulo Moreiras já começastes a trabalhar no próximo????
Votos de uma Extraordinária semana, cá desde a Cidade Morena.
Qui a tué mon père | Quem matou o meu pai
ResponderEliminarÉdouard Louis narra com grande empatia sobre o seu pai e a sua ira contra uma sociedade, na qual os mais frágeis não têm lugar. Uma homenagem profundamente comovente ao seu pai e aos seus sonhos fracassados. Louis compreende agora os repentinos ataques de cólera e de desespero do seu progenitor.
Nem de propósito, encontro-me a ler Vie, vieillesse et mort d'une femme du peuple, de Dider Eribon (Champs Essais)
ResponderEliminarEste livro versa sobre a mãe do autor. Tem tradução portuguesa pela Zigurate.
Boas Leituras
Bom, "Porque comi o meu pai", de Roy Lewis vem nesta senda... é um romance mais antropológico e satírico, mas que também refere as relações entre filho e um pai que joga fora do baralho.
ResponderEliminarGostaria de receber sugestões sobre livros que foquem a relação entre mães e filhas?
ResponderEliminarRecordo O Baile de Irene Nemirovski.