Uma despedida

As artes performativas são as que mais visibilidade dão aos seus autores: estar em cima de um palco a cantar, dançar ou representar trá-los necessariamente a um conhecimento físico do público que não acontece aos praticantes de artes visuais (como a fotografia, a arquitectura, a escultura e a pintura) ou literárias (um escritor nunca é tão famoso como um actor, até porque há menos gente a ler do que a ver filmes). Mas geralmente estes artistas populares têm de se retirar de cena quando envelhecem, tristemente substituídos por novas estrelas. Lembro-me de que, no fim da vida de Amália Rodrigues, já ninguém entendia o que ela cantava, a dicção nunca fora boa e piorou com a idade; e que Carlos do Carmo se despediu do público num concerto magistral no Coliseu aos oitenta anos. O que eu não esperava era que um escritor de ficção também quisesse dizer adeus aos seus leitores; mas foi o que aconteceu ao fantástico Julian Barnes: escreveu um livro chamado Partida (está a sair ao mesmo tempo em todo o mundo e o original é Departures) e será o último, diz ele. Para mim, será uma despedida muito difícil, mas terei sempre alguns títulos antigos para ler e reler.

Comentários

  1. Como vai fazer com o fim do sapo blogs?

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  2. António Luiz Pacheco13 de janeiro de 2026 às 01:00

    Como tudo ou todos, também a actividade do escritor terá o seu fim.
    Não será igual para todos, nalguns sentiremos mais do que noutros.
    Ainda há dias reflectia sobre o percurso de um autor (Agualusa) que me parece evidente. Penso que todos evoluem, amadurecem e mudam até radicalmente a sua postura, ou forma de escrever, nem sempre para melhor aliás.
    Há degradação certamente, noutros parece haver sublimação (Mário Cláudio...).
    Enfim, que continuem e nós leitores cá estaremos à espera... lendo!

    Saudações calorosas, literalmente, já da Cidade Morena!

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  3. Estou a ler o Amor & C.ª, e, de seguida, vou para a sequela. Não fico triste por esta decisão. Que seja sempre assim, ponderada.

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  4. A decisão deste tipo de coisas, claro.

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  5. Um autor que admiro profundamente pela escrita e pelo que da sua vida vou sabendo. Leio-o sempre na certeza do gosto, com prazer.
    Decidiu, está decidido.
    Fica-nos a obra. Ainda não li todos os livros, mas hei-de.

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  6. Felizmente ainda tenho muita coisa para ler de Julian Barnes.

    De resto, a vida é isto mesmo: há sempre um ocaso, algures, o que pode ter o seu quê de estranhamente reconfortante. Ou não.

    Relacionado com fim, não deixa de ser igualmente triste a notícia do encerramento previsto do SAPO Blogs.

    Espero que Maria do Rosário Pedreira não deixe de escrever algures, noutra plantaforma à sua escolha.

    Boas Leituras

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  7. Viva!
    Nunca li nada deste autor... que inovador em fazer a sua despedida com um livro e com esse título.Sem dúvida que é uma estratégia para vender mais pois aqui deste lado já fiquei mais interessada em ler a sua obra :)

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  8. Arquitectura, arte visual !!!??

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