O que ando a ler
Antes de mais, bom ano aos Extraordinários e obrigada aos que vierem aqui hoje. Não prometo recomeçar com o antigo ritmo, em primeiro lugar, porque me recomendam estar sempre a mudar de posição e não passar mais de quinze minutos seguidos sentada; em segundo lugar, porque tenho carradas de coisas em atraso na editora e, regressando ao trabalho na próxima segunda, calculo que não tenha tempo para escrever diariamente, até porque fui consultando o email e só na primeira semana tenho três reuniões marcadas (uma delas é a celebração da maioridade da LeYa, que faz dezoito anos dia 7, calculem!). Mas disse que voltava em Janeiro e quero, por isso, partihar convosco o livro que andei a ler ultimamente para não quebrar esta rotina de anos. Chama-se Montanha, escreveu-o José Luís Peixoto, e fala de cancro com todas as letras (sempre que aparece no livro, a palavra é escrita assim a bold); fala de uma série de doentes oncológicos (homens e mulheres, jovens e não tão jovens) com quem o narrador se reuniu depois de uma proposta do IPO do Porto, juntamente com um médico e uma psicóloga, e daquilo de que conversaram e viveram; e fala da principal personagem do primeiro livro do autor (Morreste-me), o seu pai, perdido para o cancro quando Peixoto era ainda jovem e que agora regressa como memória, com uma voz que o chama às vezes e que quer ser ouvida, lembrada (e é). Subam esta Montanha, se puderem, quais alpinistas, e leiam um romance duro, de vez em quando algo estranho, comovente, perturbador, verdadeiro, ficcional. E digam o que andam a ler, claro, todos precisamos de recomendações. Até um dia destes.
Bom Ano para todos.
ResponderEliminarInicio o ano a reler "A Insustentável leveza do Ser", M Kundera, mas já tenho A Montanha em espera.
TP
"O Louco de Deus no Fim do Mundo", de Javier Cercas.
ResponderEliminar"James" de Percival Everett, um grande livro
ResponderEliminarA reler "Stranger in a strange land" de Robert Heinlein numa edição de 1961 da Europa-América e a terminar de ler uma série de deliciosas crónicas de Dinis Machado (Dennis McShade) agrupadas (enlivradas).com o nome: "A poesia do drible".
ResponderEliminarBom regresso ao trabalho e um excelente 2026 para todas as pessoas.
Também já li, e gostei. Duro. Duro. Que tudo te corra bem. Beijs
ResponderEliminarOra viva, bom regresso e um ano Extraordinário em todas as vertentes, lhe desejo.
ResponderEliminarComo tenho estado meio recolhido também, por razões de saúde, aproveitei para ler! Ainda consegui ir um dia às perdizes para manter a tradição e o fantasma do Torga não estranhar a minha ausência, mas com um sacrifício para o qual ainda não estava preparado, terei de me habituar, são os 70 e romper mato cabeços acima custou bastante, com terreno enlameado e um frio de rachar... braços e ombros ainda se aguentaram com a caçadeira, pulmões e coração idem, mas as pernas, enfim... valeu o meu sobrinho a sua cadela "ria" para me apoiarem no levante e cobro das esquivas aves em dia de feição para elas.
Li:
- "O último avô" - do nosso estimado Afonso R. Cabral. Desilusão... não gostei, sobretudo não consegui acompanhar o Afonso, não percebi nada. A verve está lá, bem como a escrita cuidada, bonita, rica e que transmite imagens, mas as idéias? Em nada diminui o meu apreço pelo autor, mas não gostei, pronto. Fica para o próximo!
- Pior foi: Astérix na Lusitânia, que não resisti a ler. Completo fracasso. Detestei! Sem graça, sem imaginação ... no entanto serve para provar que o texto, a escrita, é fundamental! O argumentista actual é muito fraquinho, nem de perto se aproxima ao original Gosninny, que tinha um humor vivo e certeiro, imaginação, e uma inteligência sagaz para urdir tramas. Este é um zero! Por mim despedia-o...
António Mateus - Vidas quebradas. Muito bom esta colectânea de documentos e relatos dedicada aos "retornados". Desaparecidos que estão os autores da "descolonização exemplar", enterrados os prúridos e a censura, continuam a surgir documentos e relatos daquela que foi a maior mentira da história do nosso país e dos países irmãos que são hoje os que a sofrem na pele.
Vale a pena ler, entender e reflectir.
José E. Agualusa. Não gostei do seu anterior, o dos batuques, porém o novo "Tudo sobre Deus", ainda que numa onda algo espiritualista para que o autor parece ter-se virado, é muito bom e ao nível daquilo que aquele que considero um dos nossos melhores escritores actuais, me habituou. Curiosamente conheço aquela capela na estrada do Tombwa onde ele localiza a acção. Gostei muito e aconselho vivamente.
António Costa Silva, "Desconseguiram Angola", um romance incómodo para quem acredita na narrativa oficial e políticamente correcta, mas realista. Espelha bem uma realidade que se quer ignorar. Também gostei bastante.
Agora a afiar o dente e os óculos para, ou "Camilo Broca" de Mário Cláudio, para desenfastiar, ou, "África (para sempre) minha" de Marta Martins Silva. Entretanto tenho ali de lado também "A um deus desconhecido" do infalível S. Maugham, o qual nunca li.
Vamos lá à nossa actividade preferida e cada vez mais de acordo com as nossas já provectas idades e condição... eheheh!
Grande abraço a todos os Extraordinários e os melhores votos para mais um ano, cá desde o Bairro Ribatejano!
Estou a ler "Memórias Minhas" de Manuel Alegre.
ResponderEliminarNem sei o que diga... em apenas dois dias devorei quase duzentas páginas.
É sim senhor, um belo livro.
O mais curioso é sentir que as memórias de Alegre estão escritas quase em jeito de romance, lê-se e quer-se continuar a ler...
Um bom 2026 para todos e um rápido restabelecimento para a nossa bela anfitriã.
"- Pior foi: Astérix na Lusitânia, que não resisti a ler. Completo fracasso. Detestei! Sem graça, sem imaginação ... no entanto serve para provar que o texto, a escrita, é fundamental! O argumentista actual é muito fraquinho, nem de perto se aproxima ao original Gosninny, que tinha um humor vivo e certeiro, imaginação, e uma inteligência sagaz para urdir tramas. Este é um zero! Por mim despedia-o..."
ResponderEliminarO problema não é o argumento nem o argumentista é a tradução.
O livro na língua original é bastante engraçado e legível.
As tradutoras portuguesas é que "inventaram" um livro novo, pior. Como exemplo o inexplicável "ó pá" que nunca aparece na versão original e na versão portuguesa aparece em todas as páginas.
Bom dia com Alegria
ResponderEliminarA ler:
Racismos- Das Cruzadas ao Século XX, de Francisco Bethencourt
Contos Completos, de Graça Pina Morais
O registo dos livros lidos anteriormente está, parcialmente, em
https://leiturasimprovaveis.blogs.sapo.pt/tag/livros
Feliz 2026 aos Extraordinários, em especial à nossa anfitriã
Boas Leituras, Saúde e Boa Sorte
Espero que volte rapidamente,porque faz muita falta.As suas palavras e sugestões são um complemento dos meus dias e passar sem elas é uma verdadeira “amputação “.
ResponderEliminarQuanto ao livro que está a ler,acho que para começo de ano me parece pesado.Ficará para depois.
Neste momento e contra o costume,não estou a ler nada.Agradeço sugestões e a terminar desejo um ótimo 2026 para todos os nossos “compagnons de route”
“A um Deus desconhecido “é de John Steinbeck
ResponderEliminarUm bom ano a todos!
ResponderEliminarBom regresso, Maria do Rosário!
Tenho o "Montanha" na lista. Actualmente, ando a ler o "Abraço" de Anne Michaels e o "Expiação" do Ian Mcewan.
Barroca
Agradeço o esclarecimento, pois também me apercebi de que a tradução é medíocre.
ResponderEliminarMas no geral, o argumento é do mais fraco que há... tem sido sempre a decair desde o falecimento de Goscinny. Idem para o Lucky Luke, etc. Goscinny faz falta, o argumentista (escritor) suplanta neste caso o desenhador, penso eu.
Abraço e Bom Ano
Perdão! Desatenção minha que o tenho mesmo aqui na minha frente, onde é que fui buscar o outro????
ResponderEliminarNo entanto fico contente com a sua observação, sinal de que fui lido!
Steinbeck é precisamente um dos meus escritores de eleição!
Abraço e votos de Bom Ano.
Bom Ano e bom regresso!
ResponderEliminarQuanto às leituras, já não consigo ler sobre doenças terminais, holocaustos e outras coisas deprimentes. Deve ser da idade!
Este anónimo pareço eu (outro anónimo),mas não sou.Para ser mais suave no princípio do ano,já aqui escrevi antes que acho o assunto pesado.Mas estou inteiramente de acordo e já o tenho escrito varias vezes que não leio holocaustos,doenças terminais e afins.
ResponderEliminarAinda bem que alguém pensa como eu.
Procuremos o lado bom da vida,obviamente aliado a boa literatura!
Estou a ler O Romance de Camilo de Aquilino Ribeiro e também Servidão Humana de Somerset Maugham e Os Buddenbrook de Thomas Mann, dois dos dez livros que Hemingway aconselhou qualquer um a ler antes de tentar ser escritor; fica em lista de espera Antares, o último da Clara Pinto Correia.
ResponderEliminarExplicação dada? Talvez estivesse entretido com a tortura de animais, vilgo tourada
ResponderEliminarQue o regresso seja lento e seguro, é o que interessa Maria do Rosário. Faz aqui falta, sim. Mas faz ainda mais falta que se cuide para poder vir quando possa. Não tem que ser diário, só tem que ser:).
ResponderEliminarAprecio a escrita de José Luís Peixoto, tenho quase todos os seus livros, mas esse também não vou ler.
Pois eu andei a ler o livro de Maya Angelou que foi aqui recomendado "A mamã e eu e a mamã"; ficou aquém das minhas expectativas; ainda bem que não o ofereci a quem pensara, faria ainda menos o seu gosto. Entretanto, ofereceram-me "A ilustre casa de Ramires" que li quando não sabia apreciá-lo; estou ainda em trânsito. E li os contos publicados sob o título do primeiro, "A uma hora tão tardia" de Claire Keegan, escritora da minha preferência; mas gostei mais de "Acolher" e "Pequenas coisas como estas". Em espera tenho um livro de Teolinda Gersão e iniciei o último de Daniel Sampaio. O Menino Jesus é benévolo, dá-me livros.
Viva!
ResponderEliminarBom ano e boas leituras .
Ando a ler Jane Eyre de Charlotte Brontë ( quase a acabar) e a reler O Pricipesinho com o meu filho de 6 anos.
Bjjnho
Bom Ano e boa recuperação!
ResponderEliminarA primeira leitura deste ano é o "Amor & C.ª", do Julian Barnes.
Terminei o ano com um dos grandes, "As Vinhas da Ira".