Homero ilustrado

A Ilíada e A Odisseia, duas obras fascinantes atribuídas a Homero, são tidas como os livros fundadores da literatura ocidental. A tradução de Frederico Lourenço destas duas epopeias magistrais trouxe, tenho a certeza, muito mais leitores portugueses para perto delas do que antes. O tamanho não é simpático, bem sei, mas os livros estão bem encadernados e não me lembro de, mesmo deitada na cama, ter tido dificuldade em ler os grossos volumes na altura em que saíram, era ainda solteira. A leitura não é fácil (muito mais difícil do que A Sibila, diria eu), mas na semana que vem, talvez para aproximar os mais jovens da obra, a Bertrand publica uma versão d' A Odisseia em formato de romance gráfico, adaptada por Gareth Hinds, que dá uma nova vida ao épico que conta o regresso de Ulisses a casa no final da Guerra de Tróia, mas desta feita com ilustrações deslumbrantes e um texto simples mas com garantia de fidelidade ao enredo. Parece que muitos adultos que não gostam muito de poemas épicos também vão ler a obra nesta versão.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco9 de janeiro de 2026 às 01:46

    A versão "desenhada" é sempre um grande recurso à literatura "pesada", é um facto e existem diversos exemplos disso.
    Tudo depende do argumentista, creio eu, sem menosprezar o desenhador como é evidente e porque será a sua arte a atrair a atenção do leitor.
    Bom fim de semana para todos são os meus votos (ainda) cá do Bairro Ribatejano.

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  2. Eu sou um fã de graphic novels. Quanto à Odisseia, pessoalmente recomendo muito o Stephen Fry, de resto também para os anteriores livros sobre a Cultura Clássica (Mythos, Heroes, Troy). Brilhantes.

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  3. Existe uma versão da Odisseia em novela gráfica, ou melhor em banda desenhada, relativamente, recente com tradução de Pedro Cleto e ilustrações de Miguel Lalor Imbirida, de qualquer modo, fiquei curioso em conhecer esta versão da Bertrand.

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  4. Não acho que Homero seja mais difícil que a Sibila. Os meus alunos entusiasmaram-se com a Odisseia. E parece-me que não gostaram tanto de A Sibila, mas não garanto por não ter lido com eles tal romance e um saber de ouvir dizer não vale. Homero tem uma aura de magia que falta na Sibila e além disso, pensar que no séc VII/VIII a.C. alguém escrevia poesia desse modo é grato incentivo. Frederico Lourenço tem feito muito pelos gregos, nem eles sabem quanto. E por nós que colhemos os frutos que ele amadurou. Isto sem falar na bíblia que é outro assunto mas a mesma sabedoria.
    Os livros grandes só são difíceis de manobrar deitada/o se o sujeito tem problemas relacionados com ombros, braços e afins.
    Sou mesmo conservadora - amo ler sem imagens para que possa eu fazer as minhas. Mas é evidente que uma versão em banda desenhada servirá lindamente ao pessoal que não se permite imaginar.

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  5. Eu li em voz alta aos meus filhos as adaptações para jovens do Frederico Lourenço da Odisseia e da Ilíada - quando estavam no quarto e quinto anos de escolaridade. Nenhum de nós é um "sobredotado". As versōes de bolso da Penguin ou folio classique da Gallimard são maneirinhas, óptimos para serem lidas deitados. A dificuldade destas obras é muito sobrestimada.

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