Educação sexual

Curiosamente, muitos foram os pais que no ano passado solicitaram às escolas que os seus filhos não frequentassem aulas de Educação Sexual. A Educação Física, de Rosário Villajos, romance vencedor do Prémio Biblioteca Breve, explica como muitas vezes a ignorância sobre sexo contribui para enormes equívocos e põe em risco a vida dos adolescentes. Catalina, com dezasseis anos acabados de fazer, foge de casa da sua melhor amiga, nos arredores da cidade onde vive, depois de ter passado por uma experiência traumática. Sem forma de voltar para casa e profundamente abalada, conclui que só lhe resta pedir boleia; ora, como todas as raparigas da sua idade, tem horror a entrar no carro de um desconhecido, mas não tanto como o que imagina que a espera se não cumprir o horário imposto pelos pais, que são incrivelmente autoritários. Enquanto aguarda na estrada, Catalina tenta compreender o que acabou de acontecer-lhe e, ao mesmo tempo, recorda uma vida marcada desde cedo por uma relação difícil com o próprio corpo, pela ignorância de tudo o que diga respeito a sexo e pela raiva em relação a um mundo que parece empenhado em culpá-la só por ser mulher. Vale mesmo a pena ler este livro e oferecê-lo aos pais de raparigas adolescentes (e às própria), especialmente se forem bota-de-elástico.


_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_DQUIXOT

Comentários

  1. António Luiz Pacheco26 de janeiro de 2026 às 01:51

    Conheço demasiados casos destes, que serviu de tema ao livro, para não precisar de o ler.
    Entende-se que as famílias fiquem preocupadas com a educação sexual dada na escola... como devem ficar preocupadas com a forma como outras disciplinas o são, pois há professores de toda a qualidade e isso deve ser preocupante a todos os níveis.
    Há professores que fazem interpretação político-partidária de temas como a história ou a literatura, até da biologia, não deviam fazê-lo!
    A educação sexual é ainda um tabu e por isso assume mais relevância, compreende-se, no entanto se ministrada por especialistas (não por quem pretenda formatar os jovens) creio que será da maior utilidade e um descanso para as famílias.
    Sou de um tempo em que educação sexual não existia, na acepção do termo... era feita pelos mais velhos ou experientes e uns aos outros, com tantas repercussões menos boas.
    Acompanhei o meu filho, por não ter sido eu acompanhado e fui explicando algumas coisas, sobretudo esclarecendo e desfazendo mitos próprios da idade. Não me parece que tenha corrido mal...
    Posso acrescentar que, no meu caso, a literatura teve um papel muito importante, se bem que quando na idade própria o acesso a este tipo de livros era algo difícil ou mesmo interdito pela censura que vigorava, nas escolas e fora delas.
    Hoje os jovens têm acesso a todo o tipo de informação, sem que o tema deixe de ser interessante para tema de livros. Não conto ler, mas não deixo de reconhecer-lhe a oportunidade.

    Aqui por África a educação sexual e a iniciação ainda são coisas que se fazem tradicionalmente, o que me parece acertado pelo pouco que conheço do tema e vou ouvindo por parte dos colaboradores ou pessoas que conheço. Mas é outra realidade e outro continente, são outras pessoas.

    Votos de uma Extraordinária semana cá desde a Cidade Morena, e lembrem-se, com um tempo desses: abafem-se, abifem-se e avinhem-se!

    ResponderEliminar
  2. Não sei, mas não me parece um tema difícil de ser dado nas aulas; e nem precisariam ser aulas de educação sexual com horário estipulado. Em meus tempos lembro-me do tema ser abordado até com muito interesse por parte dos alunos e de pais. Houve professores, médicos que trabalhavam com jovens, enfermeiros, a psicóloga. E também recordo que houve muitas questões que os alunos colocaram (por escrito e que foram lidas sem identificação). Em educação, seja ou não sexual, não há receita fixa. Mas se formos sinceros e honestos, tudo me leva a crer que os alunos se interessam. Dos pais actuais não posso falar porque lhes desconheço o perfil.
    Contudo, apesar do tema ter sido explorado em várias vertentes, duas das minhas alunas engravidaram. Casaram. E separaram. Hoje têm casamentos diferentes e parecem-me pessoas realizadas. A adolescência é um mundo misterioso qb. Uma travessia no arame. Parece-me.

    ResponderEliminar
  3. “A adolescência é um mundo misterioso qb.Uma travessia no arame”.
    Gostei deste excerto do comentário anterior.Um manancial de descobertas e desiquilibrios,de falsas certezas e enormes inseguranças,de encontros e desencontros,mas sempre marcante e que recordamos por bons ou maus motivos

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório