Ver para crer

O Manel mostrou-me um dia destes um vídeo divertido no qual Mariana Mortágua e André Ventura pareciam colegas cordatos e até amigalhaços. Era, está bem de ver, um desses numerosos filmes produzidos por inteligência artificial para, à primeira vista, ver se caímos na esparrela de acreditar e, logo a seguir, nos fazer rir. Leio num jornal espanhol (provavelmente o El País, que assinei numa altura em que houve uma campanha para ajudar os jornais) que hoje em dia a frase de S. Tomé «ver para crer» perdeu o sentido, já que podemos estar a ver duas pessoas falar, rir, dar a mão, jurar que se portam bem, mas tudo não passar de uma encomenda a essa coisa que hoje enche o nosso quotidiano chamada Inteligência Artificial. Como dizer, porém, a crianças e adolescentes que vão à Internet que aquilo que elas estão a ver e a ouvir não aconteceu se parece estar ali a prova do contrário? A capacidade de distinguir entre realidade e construção virtual têm-na os adultos (e não todos, daí que haja tantas notícias falsas e manipuladoras nas campanhas eleitorais), mas, neste artigo do El País de que falo, o seu autor, Pablo Lafuente Cordero, diz que, em tempos de Inteligência Artificial, é forçoso que a educação, seja na escola seja em casa, avance ao mesmo ritmo da tecnologia e evitar que os menores naveguem na Internet sem acompanhamento; é também necessário propor aos jovens exercícios simples que fomentem o desenvolvimento do pensamento crítico e que os levem a fazer perguntas antes de acreditarem em tudo o que vêem e reenviarem para todos os amigos um vídeo, uma fotografia ou uma história falsa. Concordo, claro.

Comentários

  1. Algumas ligações para os mais (ou menos) jovens

    https://www.cncs.gov.pt/ aqui podem fazer alguns cursos gratuitos sobre literacia informática

    https://euvsdisinfo.eu/ aqui podem ver que a guerra da informação é real

    Boas Leituras

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  2. Concordo, evidentemente!
    No entanto direi que não são apenas os jovens, mas toda a gente, pois assisto diáriamente a situações em que não se sabe já distinguir.
    Não sei como se irão formar as pessoas para terem essa capacidade crítica, o discernimento ou os meios. Suponho que humanidade terá de viver com essa dualidade.
    Será que no futuro haverá mais guerras e intolerância, proibições, más decisões, influenciadas por esses meios? Pessoas manipuladas, mais do que já são, porque haverá forma de fabricar "provas"?
    A manipulação é um velho anseio de políticos, governantes, líderes de todo o tipo, religiões, seitas, até de interesses económicos, etc. Hoje está à disposição plena dos que queiram reescrever o passado, iludir o presente ou compôr o futuro a seu bel-prazer e pelos ou para os mais variados fins.
    As pessoas vão perdendo o espírito crítico e nem é preciso a IA para isso, basta a xico-espertice parola dos que querem influenciar ou divulgar determinadas idéias para parecerem bem, para serem política e ecológicamente correctos, para se posicionarem em proveito próprio ou de ideologias.
    Dou um exemplo: o secretário geral da ONU, António Guterres, foi ao pólo e manifestou-se impressionado com a extensão do degelo que viu...
    Pergunto eu, e, quando é que ele tinha lá ido antes para poder fazer essa comparação?
    Portanto, toda a gente aceitou a sua impressão, sem pensarem sequer... e repetiram-no.
    A afirmação é ridícula e pouco credível, no entanto o grau de aceitação foi elevado porque ninguém pensou numa coisa tão simples. Isso é política e é manipulação!
    Os media fazem-no constantemente, não ao noticiarem mas ao substituirem-se ao público analisando e julgando a notícia de modo a influenciar o juízo de quem os leia/oiça. Ou seja, contribuem para a perda da capacidade de análise, para o juízo e a capacidade crítica de cada um.
    O desaparecido Fernando Pessa ainda terminava com o seu "e esta, hein!". Os actuais já nem isso, apresentam logo a (sua) conclusão.
    Imaginem quando a IA começar a divulgar imagens do D. Afonso Henriques a bater na mãe, ou coisa que o valha.
    Não sei onde irá parar, ou, como o evitar, não mesmo, pois a IA estará ao alcance de todos e se a comunicação social já faz o trabalho de manipulação que faz, imagine-se o que virá a seguir...
    Será que o "Exterminador Implacável" vai verificar-se afinal?
    Valha-nos que o tema será fértil para romances!

    Saudações críticas cá da Cidade Morena.

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  3. Acho infeliz a alusão a António Guterres. Obviamente que o Secretário-Geral da ONU foi assessorado e devidamente informado sobre a extensão do degelo em curso no polo norte e que assim teve oportunidade de verificar in loco esses dados....Exatamente o inverso da posição em que a IA nos coloca!

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