Overdose

Vim de Penafiel há cerca de uma semana e tinha tanto trabalho à minha espera que ainda não consegui agradecer publicamente a homenagem que me foi feita pela Escritaria. (Faço-o aqui, desculpem.) Já lá tinha estado duas vezes enquanto editora: uma delas quando João Tordo recebeu o Prémio Literário José Saramago pelo romance As Três Vidas, a outra quando Mário Cláudio foi o escritor homenageado. E é a este último que roubo a palavra que titula este post e que está num balão de fala saindo da sua boca (trata-se de uma ilustração) numa exposição que se encontra na Biblioteca Municipal de Penafiel. E Mário Cláudio tem toda a razão, porque quem é homenageado na Escritaria sente uma overdose de si próprio: a cidade cheia das suas frases (ditas em entrevistas ou escritas em livros) esvoaçando em faixas pelas ruas e penduradas em fachadas de prédios; cheia também da nossa cara, com que estamos sempre a topar em variadíssimos materiais (até numa farmácia, numa caixa de medicamentos que tem escrita a expressão «remédio para a alma» e sugere a leitura de poemas nossos como terapêutica). Mas, melhor do que o busto, a árvore que é baptizada com o nosso nome, a escultura do livro aberto que inaugurámos no jardim (e que se acrescentam aos outros dos homenageados que já lá moram) e o quadro desvelado no Ponto C (um espaço cultural novo e excepcional) ou uma exposição inteirinha sobre a nossa vida nos livros, é conhecer as pessoas: não só os políticos, não só os programadores e a fantástica bibliotecária, não só artistas que deram conta da parte estética, não só os amigos que se juntam em conversas sobre nós e concertos em que se cantam palavras nossas, mas sobretudo aqueles que não conhecemos mas estão sempre ao nosso lado, que nos levam de carro de escola em escola, que nos apoiam nas entrevistas de bastidores, que nos trazem tostas mistas quando já desfalecemos de fome num dia que começa com actividades logo de manhã e vai até às 23h00. Gostei mesmo muito dos penafidelenses! Obrigada a todos todos os que fizeram esta Escritaria. Agora é preciso curarmo-nos deste excesso de admiração e amor e, pois claro, descer à terra. 

Comentários

  1. António Luiz Pacheco4 de novembro de 2025 às 01:39

    Fico feliz pela sua felicidade!
    Creia, eu sou dos que gostam de ver sucesso e reconhecimento a quem o merece.
    Portanto se me congratulei com a homenagem, mais o faço porque lhe fez bem.
    Estimo que continue a fazer aquilo de que gosta e a ter sucesso.

    Votos felizes, partilhados cá da Cidade Morena.

    ResponderEliminar
  2. Bonita homenagem a uma vida dedicada aos livros. Ainda bem que assim aconteceu!

    ResponderEliminar
  3. Lindo, lindo.
    Cansada mas feliz, um pedaço de existência perfeito. Muitos parabéns mais uma vez.

    ResponderEliminar
  4. Parabéns pela merecida homenagem!

    ResponderEliminar
  5. Muitos parabéns e elencou uma razão pertinente para se fazerem homenagens aos vivos e às vivas.
    As pessoas mortas não apreciam tostas mistas.

    ResponderEliminar
  6. Boa tarde a todos os Extraordinários.

    Muitos parabéns, Rosário! A Homenagem é merecidíssima. Que continue por muitos anos a ajudar-nos nas escolhas, a dar-nos excelentes sugestões não só de livros como outros assuntos/eventos relacionados com a cultura. E que continue a ser Poeta de Corpo e
    Alma. (Também gosto muito de ler os seus contos!)
    Mais uma vez os meus PARABÉNS!

    Celeste Silveira

    ResponderEliminar

Enviar um comentário