Língua e pátria
No mesmo jornal que abre com a notícia de que não há vagas nos cursos de Português para quem os procura com vista à obtenção da nacionalidade, leio um artigo excepcional de José Pacheco Pereira que mostra como obrigar os imigrantes a falarem bem a nossa língua pode, na verdade, ser irónico, sobretudo vindo de quem vem. Mostrando em letras garrafais a maravilhosa frase de Pessoa sobre o seu "alto sentido patriótico", "a minha pátria é a língua portuguesa", o autor da crónica defende o respeito à língua-materna como uma das mais altas formas de patriotismo, e assume-se patriota porque foi Portugal quem o moldou e, sempre que está a viver noutro sítio, lhe falta alguma coisa, que também pode ser a sua língua. E a seguir põe o dedo na ferida e diz que os mesmos políticos que agora vêm impor o conhecimento da língua portuguesa aos estrangeiros que aqui querem ficar são, curiosamente, os que pior a tratam; e, o que é mais grave, os que pior a tratam publicamente, nas redes sociais, onde dão constantemente erros gramaticais e de ortografia, onde usam um vocabulário ínfimo e dominado pelos insultos, e onde substituem as palavras por bonequinhos, formando a população mais jovem no uso de num português a que vou chamar, palavras minhas, totalmente ranhoso. Depois, o cronista deixa o exemplo de uma caixa de comentários na página de Facebook do Chega que aqui reproduzo. E diz-nos com toda a razão que quem assim se exprime (nem "cuecas", caramba, sabe escrever) não pode ser patriota, já que um patriota não despreza a língua desta maneira. E atalha que, pelo contrário, muitos dos imigrantes que já sabem falar português procuram falá-lo com a maior correcção, em suma, bastante melhor do que os que os querem obrigar a fazer cursos nos quais, claro, acabaram as vagas. Tenho dito.

Sem comentários... discordo muitas vezes do meu caro parente, apesar de lhe reconhecer a erudição. Mas também é dos que vivem na bolha... lá porque há portugueses que falam mal a sua própria língua, isso é motivo para que os estrangeiros que queiram nacionalizar-se, a não tenham de falar?
ResponderEliminarNão concordo com essa globalização feita â medida das simpatias políticas.
Ensine-se bem português nas escolas, através de professores de português!
Lembro-me da minha passagem pelo ensino secundário como professor, onde quem leccionava português era o pessoal da histórica-filosóficas, ou seja os Lusíadas eram dados numa perspectiva política (a da época) e os textos de Pero Vaz de Caminha analisados como conteúdo colonialista e fascista. Português? Isso nada, era preciso divulgar a mensagem revolucionária!
Felizmente tive bons professores de português, creio que aprendi o bastante para me exprimir falando ou por escrito, com correcção. Não é o que aconteceu depois e nem sei se é o que acontece agora, pois e aí dou-lhe razão, campeia o mau uso da nossa língua não apenas entre os políticos mas nos media, o que para mim é bem mais grave!
Se o José Pacheco fosse menos político e mais atento, veria as notas de rodapé que passam enquanto ele fala... talvez se engasgasse!
Quanto às coecas, talvez seja alguém muito educado que não quer usar "cu". Aliás já em tempos no saudoso Pão com Manteiga, se propunha em nome da decência que o termo "cuecas" fosse substituído pelo mais educado "rabinhoecas"...
Saudações cá da Cidade Morena tranquila em ponte para o feriado de amanhã.
Nada disto acontece no vácuo, como alguém disse em Nova Iorque.
ResponderEliminarVejamos:
i) Quatro em cada cinco jovens não querem livros nem dados - tal como ficou demonstrada pela execução do programa cheque livro
ii) Menos de 5% da população requisita efectivamente livros nas bibliotecas municipais (ir para a biblioteca navegar na web ou ler A Bola não conta)
iii) Ainda estou para saber da utilização da oferta da subscrição anual de um jornal, entre os quinze e dezoito anos
iv) Junte-se a oferta audiovisual existente, mais redes sociais
v) Coloque num shaker e agite bem
vi) Chegaremos mais ou menos aqui: https://leiturasimprovaveis.blogs.sapo.pt/democracia-mediocracia-tecnocracia-189922
Boas Leituras
Eu cá votava no José Pacheco Pereira para presidente
ResponderEliminarEntão ele começou a sua apresentação:
ResponderEliminar“Última flor do lácio, inculta e bela”. Segundo Olavo Bilac, assim é a Língua Portuguesa. Primeira linha de um famoso poema daquele distinto poeta brasileiro, designa com admiração e tristeza a maneira como tratamos nosso idioma: a “última flor” é a própria Língua Portuguesa, considerada a última linguagem com raízes latinas. O termo “inculta” é considerado aos cidadãos que a maltratam, falando e escrevendo de maneira incorreta. O “bela” é realmente isso: apesar de tudo, nossa Língua-Mãe é distinta. Quando bem tratada, temperada maneira singular o veludo da voz. Não é formidável? Não, não é. Ou deveria ser, pois a raiz latina da palavra “formidável” significa “medo, terror, pavor”. E então, seu dia está sendo formidável?…
… para que os colaboradores conheçam e entendam um pouco mais da origem, o significado é a correta aplicação das palavras e termos que estruturam a comunicação diária dos tupiniquins…
Bem, penso que alguns detalhes são um marco inclusive independentemente da nacionalidade plausíveis de especulação e até, para minha satisfação e honestidade que pela experiência dessas algumas linhas da apresentação do livro “Nossa Curiosa Língua” do professor Pasquale Cipro Neto edição da Publifolha, me fazem amar a história da escrita.
Há dias à porta de um instituto superior não integrado na Universidade um jovem de trinta e alguns anos falava ao telemóvel, alto e bom som, e como proferia um palavrão grosso em cada três palavras, conversando fluentemente, alguns dos que ouviam estavam siderados. E mais ficamos quando ele entrou e ao entrar encerrou a conversação dizendo " vou dar um teste". Não ia fazer um teste, ia dar!
ResponderEliminarOlhe lá, o voto é secreto!!!!!
ResponderEliminarAhahah!
Abraço
Olhe lá, o voto é secreto!!!!
ResponderEliminarAhahah!
Abraço
Era, quase certamente, o professor
ResponderEliminarJosé Pacheco Pereira, com este artigo que é citado, e cuja versão original pode ser encontrada aqui...
ResponderEliminarhttps://www.publico.pt/2025/11/01/opiniao/opiniao/desprezo-patria-via-desprezo-lingua-2152971#
... Faz mais uma vez, e infelizmente, um exercício de hipocrisia e de desonestidade intelectual. O seu asco pelo Chega e por André Ventura levam-no a apresentar os apoiantes de um e de outro quase como que os únicos que escrevem mal, incorrectamente, a nossa língua. O seu atrevimento vai ao ponto de acusar os militantes e simpatizantes do segundo maior partido nacional de falarem «o português bastardo do AO90», parecendo esquecer que foi o seu partido, o PSD, com Cavaco Silva, que deu início ao processo de criação daquele «monstro», sendo este «reanimado» posteriormente, com as consequências desastrosas que se conhecem, pela «dupla» José Sócrates e Lula da Silva.
Curiosamente, o Chega viu aprovada, em convenção (congresso), uma moção intitulada «Pelo fim definitivo do AO e pelo resgate da Língua Portuguesa», que, é certo, tarda em ser concretizada. Porém, é mais do que os integrantes do «Bloco Central» (não) têm feito, neste âmbito, nos últimos anos.
Essa das coécas mulhadas deve ter sido chalaça. Uma brincadeirinha mordaz ou maliciosa. Só pode ter sido.
ResponderEliminarentão o senhor das "coecas" (côecas ou cóecas?) deve ser aquele senhor professor que nos explicava, sempre muito educadamente, que os dados mostravam uma boa "córrelação". Ou como o português se revela uma língua nojenta!... (suspiro)
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