Lavagante

Se ainda não viram o filme de Mário Barroso chamado Lavagante, baseado numa pequena novela homónima de José Cardoso Pires, por favor vão ver. Se tiverem filhos adolescentes ou até mais velhos, mas que não façam a mais pequena ideia do que foi viver neste país à beira-mar plantado nos anos da ditadura, levem-nos convosco. É um belíssimo objecto artístico (o filme é a preto e branco, o que foi uma opção de tornar as cenas ainda mais realistas, porque tudo se passa durante o "reinado" de Salazar), com uma fotografia excelente, um bom gosto que é pouco comum entre os nossos realizadores, grandíssimos intérpretes, um guião realmente muito bem escrito (o cinema português está cheio de diálogos inverosímeis) e uma história de base que nos fala ao ouvido (às mulheres, especialmente) e nos recorda tempos em que o amor também podia ser censurado para sempre, separando-se dois amantes que iriam quase de certeza ser felizes. Numa altura como a que vivemos, de falsos moralismos e tentativa de regresso ao passado, em que certos políticos são realmente salazarentos, revisite-se a prosa de Cardoso Pires, e este Lavagante também, lido ou, pelo menos, visto. Vale a pena.

Comentários

  1. Ora aí está uma excelente recomendação para os mais jovens e não só, tergiversação das redes ditas sociais, promotora do bem estar da coluna vertebral, literal e figurativamente, ao encarar olhos nos olhos o grande écran, ao invés do debruçar sobre o pequeno.

    Não nos iludamos, porém. Esta não é uma solução miraculosa e rápida. (Tal como esta não é https://leiturasimprovaveis.blogs.sapo.pt/como-resolver-rapidamente-o-problema-da-218358 )

    Apenas a força do hábito garantirá a liberdade futura.


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  2. Vale muito a pena ver o filme, sim. Tem qualidade superior à do costume nos filmes portugueses. Encantou-me. E lembrar Cardoso Pires através dele, neste final de ano em que faria 100 anos, foi excelente ideia. E também não será demais lembrar que foi o último argumento de António-Pedro Vasconcelos. Por fim, talvez incentive algumas pessoas a ler "Lavagante".

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  3. «Numa altura como a que vivemos, de falsos moralismos e tentativa de regresso ao passado, em que certos políticos são realmente salazarentos»...

    Sem dúvida. Como todos aqueles deputados - e deputadas! - dos partidos de esquerda na Assembleia da República que, recentemente, votaram contra a proibição da burqa e do niqab em Portugal. Porém, «felizmente» que há «heroínas» como a muito «feminista» e «progressista» Raquel Varela, que logo convocou uma manifestação para protestar contra a decisão! ;-)

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  4. Há um enorme risco em ouvir Raquel Varela, apetece logo ir votar no Chega!

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  5. Corro a pesquisar as salas: quero ver o Lavagante.
    Que decepção, parece não haver previsão de projecção fora da capital.
    Aguardarei com impaciência que alguma biblioteca ou videoclube o apresente.
    Grato pela dica.

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