Comer e dormir com Camilo (salvo seja)
A terminar o ano em que se celebra o bicentenário do nascimento de Camilo Castelo Branco, o jornal Expresso resolveu alargar a sua rubrica "Boa cama, Boa mesa" aos lugares que marcaram a vida do escritor romântico, levando-nos a passear com ele munidos de um pequeno roteiro saído com um recente número do semanário. Pretende-se que conheçamos em traços breves a história do menino que cedo foi deixado pela mãe e que dedicou a sua vida à escrita romanesca, tendo amado loucamente, tendo estado preso, tendo sofrido de tuberculose (li algures que o Dr. Sousa Martins chegou a ser seu médico) e tendo-se suicidado aos 65 anos. Em vários momentos da vida, uns mais boémios do que outros, o opúsculo transporta-nos a S. Miguel de Seide, aos sítios que Camilo frequentava no Porto (como o Teatro Nacional de S. João, o edifício da Rua de Santa Catarina onde se casou com Ana Plácido ou mesmo a Cadeia da Relação, onde escreveu Memórias do Cárcere), à cidade de Braga e também aos locais onde comeu e dormiu, para que lhe sigamos o rasto. Mas este livrinho também não esquece as suas obras maiores, proporcionando itinerários nelas baseados que serão por certo belíssimos de fazer com as palavras de Camilo no Coração, na Cabeça e no Estômago.
Uma boa idéia, a qual estimo seja estendida a outros autores!
ResponderEliminarSejam roteiros gastronómicos ou das suas passagens, viagens, estadias ou preferências.
Como é evidente, há autores cuja pessoa nos interessa e outros que nem tanto ou mesmo nada, independentemente de lhes apreciarmos a obra. Já foi anteriormente referido.
Camilo é justamente um dos meus escritores de referência e acho muito interessante a sua vida e personalidade.
Não sei se é romanesco, picaresco ou o que seja, mas aprecio sobremaneira as suas obras onde se joga o pau, varrem feiras, dão-se escopetazos de clavina ou trocam-se navalhadas, num Portugal tumultuoso e que nada tinha dos brandos costumes que o estado novo posteriormente inventou e impôs.
Da obra acima referida, lembro bem a personagem Tomásia!
"Coração, cabeça e estômago", um percursor daquele "Comer, orar, amar". Terá Isabel Gilbert lido Camilo? É que também o seu "O último homem americano" parece coincidir com o que poderia ter sido o último homem português, este seria Camiliano, sem dúvida, penso eu.
Saudações Camilianas cá da Cidade Morena.