PEN de Narrativa
Por ocasião do baptizado do filho varão, Felipe III de Espanha e II de Portugal promove festejos imperdíveis na cidade de Valladolid, sede da Corte e capital do império. E, se para aquele umbigo do mundo – onde desaguam todos os vícios, velhacarias e vilanias – concorrem nobres e ladrões, damas e rameiras, será mais do que certo que, depois de um périplo por Badajoz, Sevilha, Trujillo ou Toledo, siga também para lá Tanganho Perdigão Fogaça, conhecido por Dom Perdigote, a fim de cumprir o seu destino. Mas nem tudo se apresenta de feição a este espadachim nascido no ano em que morre Camões; claro que, entre as muitas peripécias vividas, encontra o amor da sua vida e conhece o pintor El Greco, o escritor Quevedo e até o autor do Quixote; porém, será envolvido na tentativa de assassinar um dramaturgo que integra a embaixada inglesa, enviada para ratificar a paz entre as duas nações. Quem o irá salvar? Na senda do seu romance de estreia – A Demanda de Dom Fuas Bragatela, aplaudido entusiasticamente pelo público e a crítica –, este romance pícaro irrepreensível chamado A Vida Airada de Dom Perdigote acaba de ganhar o Prémio PEN de Narrativa por unanimidade. Parabéns, Paulo Moreiras, já não era sem tempo.

"Filipe III de Espanha e Portugal"
ResponderEliminarNão existe tal personagem histórica.
Filipe III de Espanha foi II de Portugal.
Filipe III de Portugal foi IV de Espanha.
O texto não diz que é Filipe III de Portugal - refere Filipe III de Espanha, que era também rei de Portugal (Filipe III de Espanha e Portugal), pois assim foi coroado naquele reino, recebendo historicamente, por ordem numérica, o título de Filipe II de Portugal.
ResponderEliminarÉ a minha visão...
"Filipe III de Espanha e Portugal" é, obviamente, lapso ou imprecisão. Creio que a MRP queria dizer: "Filipe III de Espanha e II de Portugal". Ou "Filipe III de Espanha (II de Portugal)". Ou algo que não dê a entender que era III de ambos.
ResponderEliminarCreio que o lapso, a imprecisão é do autor Paulo Moreiras e não da nossa anfitriã MRP.
ResponderEliminarFilipe III de Espanha (1598-1621) não foi coroado em Portugal, mas sim o filho, Filipe IV de Espanha, que reinou como Filipe III de Portugal. Em Portugal foi designado Filipe II, uma vez que o primeiro Filipe, aqui, era Filipe II de Espanha.
ResponderEliminarDe resto, o texto está correto, é claro, no meu entender.
Filipes àparte, o que importa é a distinção ao Paulo Moreiras, que merece inteiramente mas sobretudo pela sua atitude, e, deixem-me destacar que escreve não só de forma invulgar mas sobretudo trata de uma maneira invulgar e muitíssimo rica e enriquecedora os temas!
ResponderEliminarMuito bem, um grande abraço com franca estima e consideração ao Paulo Moreiras, e, como digo sempre, deixa-te dessas tretas e escreve mas é outro, que já tarda!
Paulo Moreiras, é um caso sério e raro no Universo dos nossos escritores contemporâneos!
Saudações pícaras cá da Cidade Morena!
Vou já corrigir. Fui eu que fui preguiçosa e andei a retalhar o texto da contracapa e, sem querer, tirei o «e II» que lá estava, nem sei como. Bem, o que é bom é saber que os leitores deste blog não se deixam enganar. E obrigada a quem me defendeu, claro!
ResponderEliminarFilipe II tinha um colar de oiro,
ResponderEliminartinha um colar de oiro com pedras rubis.
Cingia a cintura com cinto de oiro,
com fivela de oiro,
olho de perdiz.
Comia num prato
de prata lavrada
girafa trufada,
rissóis de serpente.
O copo era um gomo
que em flor desabrocha,
de cristal de rocha
do mais transparente.
Andava nas salas
forradas de Arrás,
com panos por cima,
pela frente e por trás.
Tapetes flamengos,
combates de galos,
alões e podengos,
falcões e cavalos.
Dormia na cama
de prata maciça
com dossel de lhama
de franja roliça.
Na mesa do canto
vermelho damasco,
e a tíbia de um santo
guardada num frasco.
Foi dono da Terra,
foi senhor do Mundo,
nada lhe faltava,
Filipe Segundo.
Tinha oiro e prata,
pedras nunca vistas,
safiras, topázios,
rubis, ametistas.
Tinha tudo, tudo,
sem peso nem conta,
bragas de veludo,
peliças de lontra.
Um homem tão grande
tem tudo o que quer.
O que ele não tinha
era um fecho-éclair.
Por falar em Felipes...
Grande poema de António Gedeão.
ResponderEliminarPeço desculpa, mas não entendo alguns comentários porque o texto da MRP que me chegou é:
Por ocasião do baptizado do filho varão, Felipe III de Espanha e II de Portugal
o que está correcto, ou estou enganado?
Manuel Dias da Silva
"Por ocasião do baptizado do filho varão, Felipe III de Espanha e II de Portugal
ResponderEliminaro que está correcto, ou estou enganado?"
Caro Manuel Dias da Silva,
O texto agora está correcto, o texto original era:
"Por ocasião do baptizado do filho varão, Felipe III de Espanha e Portugal (...)"
Pois, ALP :).
ResponderEliminarPor falar em Filipes, este Filipe II do poema de António Gedeão é o Filipe I de Portugal :).