O fado do fado

Leio quase tudo o que encontro sobre fado. Não só é um assunto que me interessa desde há muito, mas também escrevo uma crónica mensal no premiado jornal digital A Mensagem de Lisboa sobre a matéria e, por isso, estou constantemente à procura de histórias e episódios engraçados para dividir com o público. É sobretudo por causa disso que me interessa divulgar um livro que acaba de sair (o lançamento será no dia 17, na Fundação José Saramago), da autoria de Sérgio Luís de Carvalho, intitulado Lisboa Fadista. Fala de tudo um pouco: das origens sempre polémicas e discutíveis da canção de Lisboa até ao seu estatuto de património imaterial pela UNESCO, sem dúvida merecido. Como passou o fado de uma arte fechada nas casas de fado para os grandes palcos? Como foi que, depois de adorado e trauteado por todos os Portugueses, levou uma tareia tal depois da Revolução que só era cantado lá fora e se tornou uma canção quase envergonhada, recuperando apenas a sua popularidade mais de vinte anos mais tarde?  Como se tornou o fado um símbolo do País e nos faz levar a mão ao peito e comover, sobretudo quando o ouvimos fora de Portugal e com saudades de casa? Tudo isto está, pelos vistos neste Lisboa Fadista. Se gosta de fado, não o pode perder.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco13 de outubro de 2025 às 03:32

    Sou igualmente um amante do fado, assumido, desde sempre.
    Em minha casa e das famílias que eram do nosso círculo de relações, no qual me criei e eduquei, ouvia-se e cantava-se igualmento o fado, até havendo autores.
    Quantas noites de fado recordo, em adegas, lagares de azeite, tabernas e salões!
    Portanto é e foi parte integrante da minha cultura pessoal.
    Para mim, fado e toiros são indissociáveis, aliás como a pintura, e, não apenas para mim, pois assim se sustentam ambas, o que também faz parte indesmentível da história do fado.
    O que nos diz é bem verdade e foi a história do fado, que no entanto entre os aficcionados sempre foi mantido como o que é, uma arte, e a arte não tem côr política, tal como a tauromaquia.
    Lá pela cidade morena, canta-se fado, há até fadistas locais, ouve-se fado e existem locais onde é cantado, normalmente algum restaurante. Nas casa que frequento, toca-se música e muitas vezes o fado, sempre ouvido com deleite e respeito religioso, seja nalguma fazenda ou na praia. Amália sempre presente e as modernas, Ana Moura sendo muito apreciada. Recordo, sempre com um nó na garganta e aquele arrepio, o belíssimo "Quem me dera" (para mim das mais bonitas criações na língua portuguesa, fruto da colaboração da fabulosa Marisa com o genial compositor angolano Matias Damásio).
    Lisboa Fadista será por isso uma obra a visitar, e, seguramente a comprar.

    Saudações cá do Bairro Ribatejano, recordando a época entre final de vindimas e início da azeitona, pelo meio de muitas feiras de ano, que foram tempos fadistas.

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