Escrever à mão, parar entre palavras

Leio um artigo muito interessante que uma amiga me envia e está assinado por uma senhora de nome hispânico: María del Valle Varo García, docente universitária. Diz-nos que o cérebro tem regras próprias, e que as redes neuronais são mais ativas quando escrevemos à mão do que quando teclamos, como já sabíamos por experiência, mas não cientificamente; e acrescenta que, para que as palavras adquiram o seu pleno sentido e se tornem ideias ou conceitos duradouros, têm de passar primeiro pela memória de curto prazo; mas que, para a informação estabilizar, tem de passar por outro tipo de memória: semântica, afetiva, espacial ou temporal. Ou seja, a recordação de umas férias envolve uma memória episódica; por outro lado, saber que a capital da Itália é Roma remete para uma memória semântica, desprovida de contexto pessoal. Vale então a pena recordar que a escrita à mão activa uma rede mais ampla de regiões cerebrais (motoras, sensoriais, afetivas e cognitivas) do que a digitação. Esta última, mais eficiente em termos de velocidade, requer menos recursos neurais e promove uma participação passiva. O artigo ainda refere que nem todas as palavras levam o mesmo tempo a processar e que as pausas são muitíssimo importantes. Ora, estas muito mais frequentes na escrita à mão do que na digitação. «Devorar palavras não é o mesmo que absorver a sua essência», diz esta sábia senhora, e eu aplaudo. Agora, que já desistiram do telemóvel nas escolas, que tal reservar os computadores apenas para os alunos mais velhos?

Comentários

  1. De facto ! Já chega quem tem de trabalhar agarrado ao computador.

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  2. De facto, várias das afirmações que faz sinto-as em mim mesmo. Escrever à mao é muito diferente de teclar. Vou-me desculpando com a idade mas quando constato que a assinatura, desenho de letras feito à mão, não me sai como soía, fico muito apreensivo.

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  3. Muitíssimo interessante!
    Gostei de ler as informações.
    Concordo inteiramente com a sugestão de se limitar o uso de computador nas escolas! Tal como a interdição do uso do malvado telemóvel.

    Saudações cá da Cidade Morena.

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  4. melhor: um apagão, uma mira técnica na internet às sete da tarde

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  5. Caro António Luiz Pacheco,
    Leio estas palavras (no telemóvel) e escrevo no telemóvel, também.
    A alternativa será cada um de nós arranjar um pombo correio, escrevermos à mão e pedirmos ao pombo que entregue as mensagens aos destinatários, convenhamos que não será tão eficaz

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  6. António Luiz Pacheco30 de outubro de 2025 às 01:28

    Por acaso o caro Pedro Oliveira, é aluno do primário ou secundário?
    E já agora, presumo que lendo este blog e respondendo no telemóvel, seja daqueles que passa o dia preso a ele?
    Evidentemente que o bom senso me diz que o uso do telemóvel é um benefício e uma vantagem, ou o computador. Porém também me diz que não devo estar sentado à mesa da refeição ou em simples grupo de amigos, de olhos no ecrã a mandar mensagens, a consultar o google e por aí fora, em vez de conviver com quem ali está...
    É disso que falo.
    Telemóveis nas escolas? Para filmarem agressões entre eles ou perturbarem as aulas?
    Não me parece haver vantagem nenhuma nisso.
    Talvez a pála que usa o impeça de ver as coisas com clareza, ahahahah!
    Perdoe mas não resisti à provocação, espero que o seu humor leve a melhor pois não pretendo ofender, apenas imagino que seja pessoa humorada.
    Abraço

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  7. E imagina muito bem, sou uma pessoa bem humorada.
    Tem razão em tudo o que escreveu incluindo a pála não me deixar ver com clareza, as vezes vejo alguma escureza, afinal a vida é mesmo assim, branca, preta e todas as outras cores.
    O telemóvel não é mau, nem é o diabo, o que uso que dele fazemos é que poderá ser péssimo. A mesa é para comer, beber e conviver, obviamente.
    Um abraço para a vila morena (que não é Grândola).

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  8. Perdão, para a Cidade Morena, assim é que era.

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  9. Acha normal uma aula funcionar com vinte e tal alunos de telemóvel na mão potencialmente a gravar o que a professora diz para pôr o registo no meio da rua (redes sociais)?

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  10. Não, não acho normal.
    Não acho normal em velórios, não acho normal em transportes públicos, não acho normal na assembleia da república para filmar a deputada que está a pintar as unhas ou o deputado que está a ler jornais desportivos.
    Qual a solução?
    Proibir o uso se telemóveis?

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  11. Proibir o uso do telemóvel em certos locais públicos sensíveis, sim. Na escola, por exemplo. Nos ministérios, na Assembleia da República, também. Urge educar os ministros, os detentores de cargos políticos de responsabilidade e todos os que ocupem cargos com informação sensível. E penalizá-los criminalmente se, por incúria manifesta, deixarem escapar o que não deviam . Para o vulgar cidadão - nos transportes públicos, na rua, ou em casa não devem ser proibidos, sem prejuízo de uma saudável censura social a tudo o que seja franca má educação.

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