Uma questão de vírgula
Li no Linkedin um texto muito bonito de um escritor-fantasma chamado Pedro Matos Viegas (sim, ele identificava-se como ghost writer de figuras públicas) um texto sensível e bonito em defesa da vírgula antes de um vocativo e chamado "Não deixem a vírgula morrer". Para quem não estudou estas coisas no Secundário, posso dizer-vos que se trata da vírgula que se põe em frases como "Parabéns, Pedro", "Bom dia, avô" ou "Olá, mãe". A verdade é que nós, que aprendemos que essa vírgula antes do vocativo é obrigatória, não gostamos mesmo nada de a ver ausente em todo o lado, incluindo em títulos de livros e filmes (o nosso amigo que escreve o artigo cita, por exemplo, a longa-metragem Amo-te Teresa). Se virem bem, dizer "Olha, Jorge" é um pedido a Jorge para que olhe para qualquer sítio para onde o falante apontou; enquanto "Olha Jorge" quer dizer que uma terceira pessoa olha para um sujeito chamado Jorge. Não é a mesma coisa, como podem confirmar por aqui, e é triste quando alguém que paga um anúncio de página inteira num jornal para felicitar uma pessoa por um prémio ou outra distinção (imaginem um "Parabéns, José Saramago!" inserido num suplemento literário pela sua editora quando ele ganhou o Nobel) não se lembre de incluir a vírgula necessária que, como se queixa o Pedro Matos Viegas, quase nunca está. Por isso, vejam lá se para a próxima não se esquecem da pobrezinha nos vossos textos. Eu espero nunca a comer. Adeus, Extraordinários, até amanhã.
Bom dia e boa semana, Extraordinários!
ResponderEliminarJá comecei a observar a regra, que julgo não praticar habitualmente.
Fica a chamada de atenção, obrigado, procuremos usar bem a nossa língua.
Votos de uma Extraordinária semana para todos, cá desde a Cidade Morena.
"Olha Jorge" quer dizer que uma terceira pessoa olha para um sujeito chamado Jorge."
ResponderEliminarNão só! O sujeito de "Olha Jorge" também pode ser o próprio Jorge. :) "Olha Jorge o gesto cansado com que Maria esmorece no sofá."
Também.
ResponderEliminarManuel Dias da Silva
ResponderEliminarEu tenho a consciência que, às vezes, sou um fanático no uso da vírgula., mas, se ainda me lembro, ensinaram-me que o essencial a uma frase , ou seja, sujeito, predicado e complemento directo (eu ainda uso esta nomenclatura), não eram separados por vírgula, tudo o resto é.
Até hoje, tenho tentado ser fiel a este princípio.
Bom dia
Manuel Dias da Silva
As vírgulas, como tanta coisa na nossa vida, são fruto da nossa circunstância.
ResponderEliminarPor exemplo:
"um menino russo chamado Joseph Brodsky recebeu do professor um relatório escolar impiedoso"
A frase acima merecia duas vírgulas (digo eu):
um menino russo, chamado Joseph Brodsky, recebeu do professor um relatório escolar impiedoso.
Lá está, escrever num "blog" não é igual a escrever um livro e longe de mim ser polícia das vírgulas