O que ando a ler

Ora sejam muito bem-vindos de novo ao blogue, se é que já vieram de férias, se é que ainda aí estão (e espero que sim). Depois de arder uma parte significativa do País, lá se foram tantas árvores que falar de livros em papel até pode parecer pecado. Porém, neste intervalo silencioso ouvi dizer que o Governo acabou com a rede de bibliotecas escolares e com o PNL (não consigo ainda confirmar se é um corte total, se foi apenas uma espécie de transferência para outro local do tipo boneca russa), e portanto não posso desistir do meu papel de divulgadora e impulsionadora da leitura, até porque isto não anda lá muito fácil para a literatura a sério. Havemos de trocar ideias sobre o assunto nos próximos tempos, claro, mas neste primeiro dia é para dizer que ando/andei a ler dois livros que falam do luto, nenhum deles de ficção: um pequeno livro de homenagem a um pai, O Meu Pai Voava (assina-o Tânia Ganho, escritora e tradutora), que colige episódios, memórias e reflexões sobre o pai e o vazio que deixou (muito bonito mesmo, o pai da Tânia fez-me lembrar tantas vezes o meu pai, sobretudo na sua falta de pragmatismo e no seu alheamento em relação às notas dos filhos na escola); e um livro de Valter Hugo Mãe chamado A Educação da Tristeza, ilustrado pelo próprio autor e cujo texto é impresso a cores que designam mortes particulares, com vários textos sobre a dificuldade em aceitar a morte de pessoas próximas (o sobrinho de 16 anos, a melhor amiga, o pai...) e sobre o desaparecimento de uma alegria que os mortos levam com eles e que não conseguimos recuperar como eles se calhar gostariam. Ambos muito recomendáveis. (Amanhã falaremos, se possível, de coisas mais alegres.)

Comentários

  1. Ora viva!Seja bem-vinda!
    Acho que já todos tínhamos saudades destes breves momentos diários.Só foi pena ter começado desta maneira tao triste e que para regresso de férias não é muito animadora,mas enfim,o importante é que tenha voltado e nos volte a visitar todos os dias.
    Espero que tenha tido um bom descanso,revigorado e nos continue a enviar as suas preciosas sugestões e reflexões.
    Até amanhã!

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  2. Viva !
    Ainda estou de férias mas adoro ler o blogue.
    Então como assim o Governo acaba com o PNL e a rede de bibliotecas ?!
    Este país está a regredir . O €€ é investido em coisas menos importantes para a sua cultura e os seus cidadãos como fogo de artifício e concertos do Nininho!
    Cada vez menos crente nesta sociedade.
    Resta-me dizer que já li o meu pai voava da Tânia Ganho e também gostei muito aliás deu-me uma reflexão importantíssima : o luto é um processo que não acaba necessariamente.
    Ando a ler O meu irmão do Afonso Reis Cabral .
    E espero ler muitos mais livros na minha vida . A leitura é ainda mais importante agora do que nunca com tanta tecnologia a nossa volta.

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  3. Bom regresso a todos e à Nossa Extraordinária Anfitriã.

    Extinguiram o PNL... não sei comentar, pois nem nunca entendi muito bem o que é, como funciona e para quê. Pelo que aguardo a futura análise do tema, para entendendo poder formar opinião.

    Entretanto, tenho andado a ler "Visitar amigos", de Luisa Costa Gomes.
    Não conheço pessoalmente a autora, porém conheço um irmão, primos, sei quem são as famílias de onde vem, porque militares e conhecidos, uma vez que também sou de família de militares. Isto pode parecer não ter nada a ver, mas tem, acho eu. É quem me identifico muito com os temas tradados pela escritora, tendo encontrado ainda neste livro muito mais pontos de convergência, nas memórias e nas pessoas. Talvez porque temos princípios familiares muito semelhantes.
    Ela consegue ir buscar os nossos tios, conhecidos, e os casos que conhecemos, alguns de nós. Transporta-me até para um certo Portugal já esquecido e fora de moda, aquele do nosso José Cipriano Catarino, com o seu ruralismo, que ela parece ter também lido ou conhecido... se bem que este escritor seja um daqueles desalinhados que infelizmente não tem espaço nem relevância editorial, e, é pena pois também a sua escrita merecia o justo destaque. Olhem, provávelmente num PNL para não deixar obliterar o que foi e como era... mas isto são divagações de uma traça dos livros.
    Gostei, portanto, desta visita a amigos como se fossem meus, que vou lendo saltitando e não pela ordem do respectivo índice. É a vantagem dos contos!

    Votos de um proveitoso regresso e parabéns pelo que entretanto soube quanto à sua justa homenagem! Penso que também será falado aqui.

    Abraço para todos os Extraordinários, cá desde a Cidade Morena.

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  4. Já faltava o mãezinha. Como dizia o outro « não se poderá exterminálo? »

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  5. Gosto de Setembro por sempre trazer regressos. E, apesar da falta de assiduidade nos comentários, que não na leitura dos posts, sou grata à Rosário por este espaço livresco que promete e cumpre.
    O último livro que li foi uma oferta. Agradou-me. "Loiças de família" é o primeiro e premiado livro da escritora afro brasileira Eliane Marques. Vou esperar para ver.

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  6. Bem-vinda, Maria do Rosário! Também cá continuo e já estava com saudades dos seus posts!
    Nestas férias li vários livros de que gostei muito, o último dos quais tendo-se revelado uma maravilhosa surpresa:
    "Conduz o teu arado sobre os ossos dos mortos", de Olga Tocarkzuc.
    Bom regresso a todos!

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