Homenagem
Nem sempre é fácil compreender as influências de determinado escritor, especialmente quando começa o seu percurso, por assim dizer, mais profissional; mas há casos em que saltam logo à vista os escritores que leu e por quem se apaixonou. Lembro-me de sentir que Borges estava muito presente na cultura de Afonso Cruz quando li a sua primeira Enciclopédia Universal, por exemplo, e agora é mais do que evidente a paixão reverencial de Miguel Bonnefoy por Cem Anos de Solidão no romance-homenagem O Sonho do Jaguar, que recebeu o Grande Prémio de Romance da Academia Francesa e o Prémio Femina, tendo sido ainda finalista do Prémio Médicis, do Prémio Renaudot e do Prémio Jean Giono. O autor, que viveu em Portugal e está agora em França (escreve, aliás, em francês), é filho de um chileno e de uma venezuelana, e escolhe precisamente Maracaíbo, na Venezuela, como lugar de acção, e como personagens três membros de uma mesma família cuja história começa com um órfão abandonado à porta de uma igreja e recolhido por uma pedinte. Às muitas semelhanças com o romance de García Márquez soma-se uma cultura vastíssima, um trabalho brutal sobre as metáforas e, sobretudo, um ritmo alucinante e uma imaginação prodigiosa. Embora me pareça que no fim esmorece ligeiramente (talvez pelo exacerbamento anterior), é uma homenagem incrível ao nobelizado colombiano e a um estilo que agora os latino-americanos acham fora de moda, mas que fez história durante décadas. Leia-se, claro.
Ou seja, hoje há muitíssimos mais escritores do que no tempo dos clássicos.
ResponderEliminarPortanto, julgo eu, também existem mais seguidores, porque também me parece que seja cada vez mais difícil inovar. Portanto, considerando que há escolas de escrita, criadas pelos clássicos, é natural que os novos autores enveredem por uma ou até várias, dessas escolas. Partindo do princípio que leiam os outros, o que também é clássico.
Não vejo como se possa dizer que determinado estilo ou escola como lhe chamei, esteja fora de moda e muito menos quando se fala de escritores com a importância ou o peso que bem sabemos, sendo até incontornáveis.
Na sua pequenez ou egocentrismo, os escritores podem querer-se afirmar como sendo originais... desviar-se dos outros mas não creio que seja fácil. Sobretudo quem começa, leva o seu tempo a desenvolver um estilo próprio, digo eu, e, creio que sempre dentro de uma das escolas já existentes. Portanto um bom romance escrito na escola ou estilo de um clássico, não deslustra ninguém, antes pelo contrário!
Acredito que seja uma honra ser considerado assim, e, constitui a maior homenagem aos clássicos, o dar-lhes continuidade.
Enfim é o que penso, enquanto traça dos livros ignara.
Saudações cá do Bairro Ribatejano.
Li o livro há pouco tempo e achei-o incrível, com um estilo que gosto muito, sobretudo na dinâmica narrativa que nos engole do princípio ao fim.
ResponderEliminarBoas leituras,
Carla Pais
Ter o estilo de GM é estupendo; e os clássicos não passam de moda, será também por isso que são clássicos. Já estive inúmeras vezes para comprar "O sonho do Jaguar". Talvez seja agora. Haver alguém que continua o tipo de prosa de Garcia Marquez surge-me com o lastro de boa notícia.
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