Destronar a língua materna
A língua mais importante no mundo não é a língua materna com mais falantes, mas aquela que é a segunda língua de mais pessoas. Pois, o inglês. Quando vamos a um país cuja língua não dominamos, puxamos logo do inglês como língua de comunicação; e, devido à produção em massa de séries, filmes e música em inglês (sobretudo nos EUA), não só uma quantidade enorme de palavras inglesas são usadas quotidianamente em Portugal (sobretudo nas empresas, onde todos os cargos foram convertidos à tradução inglesa e os Recursos Humanos, quando entra alguém de novo, chega a chamar à recepção ao novo funcionário «On Boarding»), mas também a língua do país é permeada por construções gramaticais do inglês. Hoje, por exemplo, muitos portugueses usam o «tu» em lugar do «nós» ou do impessoal «se» (e tudo por causa do «you», que é simultaneamente «tu» e toda a gente); as redes sociais estão a abarrotar de anglicismos ou palavras em inglês; mas o que acho mesmo a pior das notícias é que, nas provas feitas este ano nas escolas concluiu-se que os alunos do 4.º ano (portanto, com 9 ou 10 anos) se saem melhor em Inglês do que em Português. Foram realizadas mais de 340.000 provas. Teme-se o pior.
Of cross isso is realmente um issue tramadate.
ResponderEliminarPara além das ofensivas bélicas, económicas e cibernéticas, a ofensiva cultural é tudo menos despiciente, pois vem com "pezinhos de lã" - e é do agrado do people.
Although, com uma taxa de fecundidade de 1.3, someday já cá não estaremos.
Cantemos então:
ça va pas changer le monde,
Il a trop tourné sans nous.
Il pleuvra toujours sur Londres...
ça va rien changer du tout.
Boas leituras
PS: A ler: Grand Hotel Europa, de Ilja Leonard Pjeiffer
Creio que os anglicismos sempre existiram, não são novidade.
ResponderEliminarIsto por razões de vária ordem, mas hoje em dia creio que a principal razão é mesmo por razões de comunicação em que o pessoal que mais divulga nas áreas com grande visibilidade como a comunicação social, publicidade, economia e as técnicas. O inglês é uma língua prática, pragmática e sobretudo curta, muito genérica, que é adaptada portanto à comunicação curta e clara.
Daí que impere, sobretudo quando se cultiva o comodismo e ao mesmo tempo se gosta de exibir modernidade e sofisticação. Recorrendo a um galicismo, que em tempos preponderou entre as elites cultutais: - pour épater les bourgeois! Quando se tem pouco vocabulário e conhecimento da língua própria, não se sabendo dizer "armar aos cucos" ou "armar ao pingarelho", também se usa "arrotar a postas de pescada", ou de forma mais erudita, presumir!
Mas sendo pragmáticos, por exemplo: dizer feedback é mais prático do que retroalimentação negativa, embora possamos usar a palavra retorno.
Usamos "players" em vez de protagonistas, e por aí fora, para presumir a globalização que está na ordem do dia.
No fundo é tudo uma questão de vaidade e presunção, de comodismo em procurar os termos adequados, que existem.
Não temo que o português seja substituído no nosso país, se deveras o defenda a legislação que obrigue os imigrantes a falá-lo!
Saudações cá do Bairro Ribatejano.
Creio que os anglicismos sempre existiram, não são novidade.
ResponderEliminarIsto por razões de vária ordem, mas hoje em dia creio que a principal razão é mesmo por razões de comunicação em que o pessoal que mais divulga nas áreas com grande visibilidade como a comunicação social, publicidade, economia e as técnicas. O inglês é uma língua prática, pragmática e sobretudo curta, muito genérica, que é adaptada portanto à comunicação curta e clara.
Daí que impere, sobretudo quando se cultiva o comodismo e ao mesmo tempo se gosta de exibir modernidade e sofisticação. Recorrendo a um galicismo, que em tempos preponderou entre as elites cultutais: - pour épater les bourgeois! Quando se tem pouco vocabulário e conhecimento da língua própria, não se sabendo dizer "armar aos cucos" ou "armar ao pingarelho", também se usa "arrotar a postas de pescada", ou de forma mais erudita, presumir!
Mas sendo pragmáticos, por exemplo: dizer feedback é mais prático do que retroalimentação negativa, embora possamos usar a palavra retorno.
Usamos "players" em vez de protagonistas, e por aí fora, para presumir a globalização que está na ordem do dia.
No fundo é tudo uma questão de vaidade e presunção, de comodismo em procurar os termos adequados, que existem.
Não temo que o português seja substituído no nosso país, se deveras o defenda a legislação que obrigue os imigrantes a falá-lo!
Saudações cá do Bairro Ribatejano.
Infelizmente até nas televisões a língua portuguesa anda pelas ruas da amargura!Hoje ninguém lê os clássicos portugueses: Camões, Vieira, Pessoa, Camilo, Eça, Torga, Aquilino, só uma minoria onde me incluo obviamente! Quem disse que a minha Pátria era a língua portuguesa!? Pelos vistos foi ultrapassada pelo inglês, domage!
ResponderEliminar«A pior das notícias é que, nas provas feitas este ano nas escolas concluiu-se que os alunos do 4.º ano (portanto, com 9 ou 10 anos) se saem melhor em Inglês do que em Português.»
ResponderEliminarNão me surpreenderia que tal também se devesse ao impacto do «aborto pornortográfico». O Inglês, apesar de ser um idioma estrangeiro e com muitas «consoantes mudas», é mais lógico, mais natural, do que a aberração estúpida e ilegal inventada e imposta por atrasados mentais. E o aumento crescente, quiçá exponencial, da utilização de anglicismos no nosso país nos últimos anos também constituirá uma resposta, quase como que um «mecanismo de compensação», ao/do evidente e incontestável empobrecimento da língua que o AO90 causou.
A nossa anfitriã no Horas Extraordinárias - que, aliás, celebrou o seu aniversário ontem (parabéns, Maria do Rosário, apesar de atrasados...) - dá um bom exemplo ao continuar a escrever aqui em Português Normal e CorreCto. Porém, que bom que seria que no grupo editorial em que ela trabalha, e em outros, não se continuasse o processo de destruição da ortografia, em especial na tradução de autores estrangeiros, mas não só.
Gostei bastante desse livro:).
ResponderEliminarE eu também.
ResponderEliminarComo escreve farmácia e coreografia, por exemplo?
ResponderEliminarEu tinha acabado de aprender a escrever na instrução primária pai e mãe e lamentava que os meus pais tivessem ficado agarrados às formas pae e mãi. Não sabia que era obra do AO45 (ou outro ano diferente, já não me lembro).