Homenagem

A Universidade do Porto homenageou recentemente o editor José da Cruz Santos que, se não me engano, foi quem «iniciou» o Manel (Alberto Valente) no mundo dos livros na O Oiro do Dia e que ainda tem a sua livraria/editora Modos de Ler ali ao pé da Leitaria do Paço, na Invicta. Quando entrei na edição, em 1987, havia vários editores como Cruz Santos (o querido Rogério de Moura da Livros Horizonte, por exemplo, ou o Fernando Guedes da Verbo) que faziam projectos de raiz, inventavam colecções, conheciam todos os autores, tinham ideias interessantes. Cruz Santos, além disso, ainda tratava da embalagem (vulgo capa), geralmente bonita. Desde que a edição se industrializou, desapareceram gradualamente os editores deste tipo. Os objectivos são hoje muito diferentes (as vendas, as vendas...), os leitores também (a democratização do ensino criou leitores diferentes) e, sobretudo, as livrarias são uma espécie de mundos que, com poucas excepções, vendem sempre a mesma coisa e pouco espaço têm para livros de nicho. Saudemos então o sobrevivente Cuz Santos, que se mantém fiel aos seus hábitos e à sua independência, e prestemos-lhe justa homenagem. Ele diz que os livros foram a única paixão a que foi fiel a vida inteira, e nós acreditamos. 

Comentários

  1. António Luiz Pacheco14 de julho de 2025 às 02:25

    Bom, os livros de nicho, como muito bem se diz, e, as livrarias temáticas, cederam à massificação, tal como a frutaria ou a peixaria cederam à secção de frutas ou de peixe do hipermercado.
    É o preço da modernidade/comodidade que substitui a tradição/sofisticação.
    Quem lê, acaba por ler aquilo que lhe impingem através do merchandising. É a dura realidade e constata-se.
    As editoras nem sequer avaliam as obras de quem seja não-alinhado (fora do mundo mediático, das celebridades fabricadas e do clube dos ditos intelectuais) que assim não tem por sua vez hipóteses de mostrar o que pode valer. Claro que há o mui avisado conselho sobre vencer um prémio... o que é o mesmo que dizer a quem queira enriquecer que jogue no Euromilhões.
    Não falo pela minha experiência, falo pela de muitos conhecidos que tentam publicar e porque não vencem prémios nem fazem parte dos eleitos, têm de recorrer a outros meios, aliás inúteis porque depois não conseguem ser distribuídos e nem expostos nas livrarias...
    Depois compramos entre nós e uns aos outros, os CTT por exemplo cumprem o papel de distribuidor, felizmente que livros pagam tarifa reduzida.
    É o feroz Mundo do economicismo! Porque não haveria de englobar também a escrita e a edição?
    De que adianta lamentar ou carpir mágoas?

    Saudações não-alinhadas cá deste nicho que é a Cidade Morena!

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  2. Presto-lhe também a minha homenagem. Se os livros foram(são) a única paixão a que foi fiel, alguma sintonia diversa e consistente existe na relação. É um bom casamento, digo eu que desconheço o senhor, mas nem por isso o admiro menos.
    Bom Dia

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  3. "As vendas, as vendas...". Mas não é atrás disso que a MRP corre?

    António Tavares

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