Velhas dissensões
Na semana passada perdemos o editor Nelson de Matos, que foi quem ficou com a Dom Quixote quando morreu Snu Abecassis (e que já tinha estado na Arcádia e na Moraes). Não só ajudou a construir "a" editora dos autores portugueses (foi nela que cresceram Lobo Antunes, João de Melo, Cardoso Pires, Lídia Jorge, Mário Cláudio e tantos outros), como sedimentou uma editora de ficção estrangeira de autores que se publicam até hoje, como Salman Rushdie ou Milan Kundera. No domingo triste da sua morte (dia 8) estava prevista na Feira do Livro uma sessão sobre os 60 anos da Dom Quixote, com vários editores que por lá passaram (o Manuel Alberto Valente, o João Rodrigues, a Cecília Andrade...); e, quando se soube da morte de Nelson de Matos, a sessão tornou-se sobretudo de homenagem e evocação. Mas no início contaram-se várias histórias, entre elas porque é que um editor da Dom Quixote do tempo da Snu Abecassis, o Carlos Araújo, se zangou com a dinamarquesa e acabou por se despedir (e criar a seguir a Teorema com Carlos da Veiga Ferreira). A verdade é que tinham sérias divergências sobre o Médio Oriente: Snu estava pelos Israelitas e Carlos Araújo pelos Palestinianos... Dissensões antigas estas. Duram até hoje, a história repete-se, repete-se, repete-se.
Pois existem e duram... sinal de que há a possibilidade de ter opiniões diferentes!
ResponderEliminarTambém houve, há e haverá quem não o aceite, que outros pensem diferente, e pior, quem tente impor o seu pensamento como único.
É lamentável, porém, porque "Deus escreve direito por linhas tortas" pode também desse acto de intolerância e ruptura, surgir algo novo ou bom.
É um facto.
É sabido.
Creio ser o que aqui se conta, a prova disso.
Enfim, haja diversidade e viva a diversidade.
Saudações diversas cá da Cidade Morena!
A história realmente é cíclica. Gostei do post.
ResponderEliminarBoa semana!
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Até mais, Emerson Garcia
Obrigada por este pedaço de história do mundo português da edição!
ResponderEliminar(e esta dissensão em particular veio para ficar)