Excerto da Quinzena

Do bolso do colete retirou o relógio de ouro e confirmou as horas. Não queria correr o risco de se desencontrar com Eça de Queiroz: era por ele que ali se achava. Havia poucos dias, depois de regressar de uma temporada em Londres onde tivera a honra e o privilégio de ter assistido ao funeral do insigne escritor Charles Dickens, estava a comer uma torrada no Café Martinho, em Lisboa, e ali esbarrara com dois camaradas, Antero de Quental e Ramalho Ortigão, da boca de quem ficou a saber que o amigo escritor, por causa do seu administrativo exílio e eremítica vivência na cidade de Leiria, se encontrava deveras agastado: sentia-se só, enfastiado, sem um livro, uma conversa, sequer aquele mundano e frívolo burburinho dos cafés e restaurantes que tanto estimava. Num impulso, o touriste decidira-se a partir de imediato, aproveitando que a sua quinta de Saragoça, em Sintra, andava assoberbada por obras morosas; pretendia assim fazer-lhe uma bela e salvífica supresa, pela qual o comparsa não estaria à espera. 


 


Paulo Moreiras, Leiria (edição bilingue)


 


P. S. Para a semana vou estar de férias, regresso ao blog no dia 30.

Comentários

  1. Brincadeiras. Esta necessidade de vender livros do grupo Leya e amigos justifica o blog.

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  2. Boas Férias, Maria do Rosário!
    E muito obrigada pelas suas sugestões de leitura, SEMPRE!
    Maria

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  3. Maria Do Rosário Pedreira20 de junho de 2025 às 03:45

    Este livro não é da Leya, é da editora Centro Atlântico.

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  4. António Luiz Pacheco20 de junho de 2025 às 04:04

    Fora de brincadeiras, caro desconhecido dito anónimo (sob cuja capa dá para dizer tudo, não é?), mas por acaso julga que divulgou um grande segredo?
    Acredita que andamos iludidos todos os Extraordinários, que aqui vimos diáriamente em vassalagem quiçá na esperança de uma migalha editorial?
    Vou dizer-lhe francamente aquilo que penso:
    - Nem você sabe mais do que nós, nem é mais corajoso ou o que quer que seja... porque há muito que está estabelecido sermos nós, frequentadores deste espaço, Extraordinários!
    Na nossa habitual presença comentariante, eu por exemplo sou uma Extraordinária traça dos livros, um assumido ignorante em busca de saber, um iletrado que toscamente se entretém a dizer umas patacoadas, atraído pela luz dos outros, esses sim brilhantes.
    Não é o seu caso óbviamente, pois apenas esvoaça na escuridão da inveja.
    Note que também eu tenho inveja! Inveja dos amigos e dos que são publicados, pois claro, quem me dera ser um deles... mas não sou, no entanto isso não me impede de frequentar este blog e de me encantar com o que por aqui leio, ou pelo contrário, como foi lê-lo a si e à sua deselegante malícia que francamente me desagradou, até porque anónima.
    Deixe-se disso meu caro... seja Extraordinário, até anónimamente extraordinário, mas livre-se dessa azia.
    O Paulo Moreiras, neste caso concreto de hoje, é um belíssimo escritor, tem tudo: a inteligência, o saber, o humor, a verve, a inspiração, num conjunto de predicados que merece a nossa inveja por escrever tão bem e ter o espírito que tem. Se é publicado e referido aqui, é porque o merece. A inveja que tenho dele não me impede de me deleitar com a sua escrita - como é o caso presente do excerto que me atrai, como boa traça, para a leitura desta "Leiria".
    Note que ninguém me paga nem agradece pelo que digo, é espontâneo e sincero. Faço aquilo que dá na real gana, de graça, ainda que sem graça, e, se sou fã do Paulo Moreiras é porque sim, seja ele protegido, amigo, publicado ou o que seja: gosto de o ler!

    Saudações cá da Cidade Morena, hoje cinzenta de cacimbo mas que não me diminui a vontade de esvoaçar em busca da luz, como que em busca de Eça!

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  5. Sim, faz parte da recente colecção sobre cidades portuguesas. Mas o autor, que conta aqui no blog com vários indefectíveis, é um autor Leya, consultem-se os seus principais títulos. Esse o motivo da sua escolha, não o interesse ou qualidade do mesmo.

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  6. António Luiz Pacheco20 de junho de 2025 às 04:18

    UMA VIDA COM AS ABELHAS
    - Do meu grande amigo e companheiro, o Mestre Apicultor José Alcobia, um livro que não lerão nem sei como ou se será distribuído em Portugal, mas de um Homem Bom, que na sua simplicidade generosa e na sua entrega ao que gosta, as abelhas, eu gostaria de citar.

    Aos 73 anos decidi escrever mais um livro ligado à apicultura, desta vez relatando o que tem sido a minha vida com as abelhas e como elas marcaram o meu percurso. Com 43 anos de apicultura em Moçambique, quero com este livro deixar o testemunho do que foram as minhas aventuras e as contribuições para o desenvolvimento desta actividade em Moçambique, Angola e Guiné Bissau.
    Os meus trabalhos em Angola e na Guiné-Bissau, como consultor, também fazem parte da caminhada, assim como as viagens de estudo e aprendizagem ao Brasil, Argentina, África do Sul, Tanzânia e Quénia, onde aprendi muito. Tento descrever os capítulos mais interessantes, que consegui guardar na memória e que os meus amigos me disseram que os devia publicar, para que não fiquem esquecidos. Refiro, em jeito de homenagem, alguns dos principais protagonistas que fazem parte da História da apicultura de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique e que contribuíram para o seu progresso.
    Assim, aqui vai “Uma Vida com as Abelhas”, a quem devo muito pois fizeram parte da minha história de vida.

    José Alcobia - na Quinta das Abelhas, Maputo.

    Saudações apícolas cá da Cidade Morena, terra do muito bom e delicado mel da espinheira, acacia melifera!

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  7. António Luiz Pacheco20 de junho de 2025 às 05:09

    Como indefectível, sei que o aludido Paulo Moreiras cuja principal característica é ser publicado pela Casa das Letras /Grupo Leya, também é publicado por: Quid Novi, Circulo de Leitores, Centro Atlântico, Visgarolho, Temas e Debates, Dom Quixote, Apenas Livros, Noctivaga.
    Como sei isto? Simples... é ir à net e consultar os livros do autor.

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  8. António Luiz Pacheco20 de junho de 2025 às 08:06

    Vejamos, há bairrismos entre nós portugueses, é bem sabido. Igualmente existe a clubite entre os amantes do desporto, também temos a partidarite instalada na comunicação social e comentaristas... reremos agora a "editorite", entre os amantes da leitura e dos livros?????

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  9. Boas férias, Maria do Rosário. Obrigada por todas essas manhãs de leitura tão agradável, durante tantos anos.

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  10. Boas Férias!
    Excelentes Leituras também. E que continue a alimentar este Belo e Muito útil Blogue.
    Como leitora que sou, muito lhe agradeço. Mas consigo ainda agradecer-lhe mais como profissional ligada directamente aos livros. Coisa que, aliás, ADORO!
    E sim, que traga para cá os nossos brilhantes escritores. No caso de hoje é o Paulo Moreiras, mas temos aqui conhecido tantos e tantos outros! Sejam eles da Leya ou não. Não é só isso que os caracteriza. Onde publicam ou não os seus livros. O que os caracteriza mesmo é serem excelentes escritores. Motivo necessariamente da chamada "inveja boa" (quero acreditar).

    Mais uma vez, Excelentes Férias com Tudo de Bom!

    Celeste Silveira

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  11. Bravo, Caro Extraordinário!

    Celeste Silveira

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  12. Bem visto. Cada um puxa a si a sua literatura (neste caso o seu autor).

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  13. Querida Anónima, eu também sou um querido Anónimo. O que a menina escreveu é totalmente verdade. A MRP ama os seus brilhantes escritores. Será que o coração da excelsa editora carece de Amor? A verdade é que ela vê (lê) romances onde só existe fantasia?

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  14. Perdão, anónima não sou. Chamo-me Celeste Silveira.
    E a Maria do Rosário Pedreira divulga também aqui os maravilhosos escritores que nós adoramos ler. Sejam eles de que "partido" forem. E quem a MRP ama, convenhamos, só a ela dirá respeito, digo eu.
    Agora que a divulgação do que vai acontecendo no mundo literário lusitano, seria um pouquinho mais pobre sem a existência deste blogue, isso seria. E a prova disso é que muitos nós, amantes da literatura, frequentamos este espacinho diariamente. Com muita assiduidade. E Muito Gosto, já agora.
    Excelentes Leituras para Todos, já agora também!

    Celeste Silveira.

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  15. Obrigado MRP pelas suas, sempre bem vindas, sugestões e boas férias!

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